Como é o método Cespe de avaliação para concursos públicos?

Quais as implicações do método Cespe? Conheça a banca examinadora e como geralmente as provas são elaboradas.

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Conheça a banca Cebraspe e o "método Cespe" para avaliações em concursos públicos! -

O Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) é uma das mais famosas bancas examinadoras para concursos públicos. Sua reputação está intrinsecamente associada ao método Cespe para elaboração de provas, que, algumas vezes, foge um pouco do que estamos acostumados a lidar.

Inclusive, muitos concurseiros ficam com um “pé atrás” quando descobrem que o Cebraspe ficará responsável por organizar as etapas do concurso em que pretendem se inscrever.

Sabemos que algumas das provas objetivas dessa banca são comumente planejadas no esquema de “certo” ou errado”, em que uma questão incorreta anula o ponto alcançado pela correta. E isso pode causar insegurança em quem está se preparando e quer trilhar o rumo da aprovação.

As consequências dos “erros” refletem os “acertos” e é necessário pensar duas vezes antes de responder às questões. Pensando nisso, decidimos elaborar um artigo para lhe explicar quem é o Cebraspe e como, de fato, funciona o método Cespe. Esperamos que, até o final do texto, você entenda:

  • História do Cebraspe;
  • Diferenças entre Cebraspe e Cespe;
  • Diretrizes geralmente seguidas pela banca examinadora;
  • O conjunto de expertises que constituem o método Cespe;
  • Estrutura das provas objetivas;
  • Como alcançar estudos mais eficazes para se sair melhor em provas elaboradas pelo Cebraspe;
  • Chutar de maneira responsável;
  • A interdisciplinaridade desta banca examinadora;
  • Noções sobre as disciplinas e a etapa discursiva.

Conheça a história do Cebraspe

Ao longo da jornada de estudos, é necessário ficar por dentro de todos os mínimos detalhes. O edital fornece o “esqueleto” para o concurseiro, mas o sucesso também reside em quão bem se conhece todas as etapas do tão sonhado concurso público.

Entender os procedimentos geralmente usados pelas bancas examinadoras pode ser um dos diferenciais para alcançar o caminho da aprovação. Por isso, é mais do que necessário compreender a história e modus operandi do Cebraspe.

O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (CESPE) pertente à estrutura organizacional da Universidade de Brasília (UnB), perfazendo-se como a banca examinadora dos principais concursos do Brasil.

Entretanto, a função acabou sendo transferida em 2014 para o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos, que é conhecido como Cebraspe.

A nova banca examinadora atualmente realiza todos os concursos, avaliações e certificações educacionais que eram da alçada do Cespe. Dessa maneira, os concurseiros acabaram entrando em uma confusão sem fim.

Cespe ou Cebraspe?

Se você já se questionou sobre isso, fique tranquilo porque é mais normal do que pensa. Até porque o Cebraspe assumiu a função de banca examinadora, mas permaneceu utilizando o mesmo método para elaborar as provas.

Ou seja: temos os dois conceitos ainda operantes e atuais. A diferença é que, agora, o Cebraspe é a banca examinadora e os procedimentos continuaram sendo conhecidos como “método Cespe”.

O Cebraspe atualmente se encarrega de planejar, elaborar, aplicar e corrigir provas tanto objetivas quanto dissertativas, além de outros tipos de exames necessários para firmar as contratações (provas práticas, testes físicos e psicológicos). Tudo depende do órgão contratante e das exigências estabelecidas em leis municipais, estaduais e/ou federais.

A atual banca examinadora da Universidade de Brasília apresenta uma série de diferenciais, como:

  • Exclusivo “método Cespe”, que analisa a proficiência dos participantes;
  • Mais de 40% dos elaboradores das provas são doutores ou pós-doutores. Os demais são mestres ou especialistas;
  • Os candidatos, no momento da inscrição, devem anexar uma fotografia digitalizada e recente;
  • Firmaram sistema contra fraudes e ações judiciais, no sentido de identificar parentes (1° e 2° graus) dos colaboradores que tenham realizado inscrição nos concursos;
  • As provas discursivas são corrigidas eletronicamente por, pelo menos, três pessoas. Se houver muita divergência, um quarto corretor é acionado;
  • Possibilidade de divulgação, em acordo com o contratante, de um padrão de resposta na etapa discursiva;
  • Ao todo, a banca conta com 300 mil colaboradores, que podem ser acionados em diversos locais do país e do exterior;
  • Um software próprio embaralha as questões, ou seja, é possível imprimir diversos tipos de provas, coibindo a ação dos “pilotos” e evitando colas eletrônicas.

Mas, afinal, o que é o “Método Cespe”?

Em linhas gerais, o método Cespe é todo um conjunto de expertises desenvolvidas ao longo dos anos para elaborar e corrigir as etapas dos concursos. Uma das técnicas mais conhecidas está atrelada aos itens das provas objetivas.

De acordo com o comando inserido no enunciado das perguntas, o candidato marca o código “C” na folha de respostas para itens julgados como certos e “E” para os errados. O que temos, então, vai além do que conhecemos sobre “múltipla escolha”. Não há mais do que duas opções de resposta: verdadeiro ou falso.

Outra particularidade do método reside na maneira como os itens das provas são avaliados. Afinal, uma resposta equivocada anula o acerto de outra questão.

É importante ter um cuidado redobrado sobre as marcações na folha de resposta, no sentido de não perder pontos que eram considerados como “garantidos”. Muitas das vezes, ainda mais nos casos de incerteza sobre a resposta, o mais interessante a se fazer é... Deixar o item em branco.

Esse método já foi e continua sendo aplicado nas provas de tribunais e do IBGE, além de diversos outros órgãos de administração direta e/ou indireta.

O objetivo é o de “calibrar o instrumento de medida” e verificar a proficiência dos candidatos de maneira proporcional, impedindo acertos ao acaso e valorizando aqueles que melhor se prepararam.

Entretanto, como observado em diversos concursos (por exemplo, o concurso do TJ - RJ 2020), as provas objetivas do Cebraspe nem sempre seguem essa “norma” ou “técnica” de avaliação.

Ou seja, o Cebraspe também realiza provas objetivas nos formatos, digamos, mais "convencionais", como, por exemplo, as de questões com cinco alternativas cada e apenas uma correta.

Alguns concursos são regulados diretamente por órgãos que já são compostos por etapas e conteúdos muito bem definidos. Por isso, é necessário bastante diálogo entre a banca examinadora e o contratante para encontrar o “comum-acordo”.

Os objetos de avaliação precisam necessariamente refletir o perfil de profissional a ser convocado. Isso, por sua vez, já está consolidado antes mesmo de selecionar a empresa responsável em elaborar as provas.

Entretanto, ainda assim, o Cebraspe se difere de outras bancas examinadoras em diversas particularidades para além da técnica do “errado anula o certo”.

1. Número de questões por disciplina

No sentido de promover a interdisciplinaridade, o Cebraspe não costuma divulgar a quantidade de questões para cada disciplina, dependendo do tipo de concurso.

Também não existe ordem linear de matéria para matéria. Inclusive, é bem comum se deparar com itens “misturados” ou “embaralhados”.

A primeira questão pode ser de Língua Portuguesa, por exemplo, mas a segunda nem sempre seguirá a mesma disciplina e assim por diante. É necessário estar preparado para isso, no sentido de entender qual a melhor estratégia para otimizar o seu tempo.

2. "Veia” teórica e interdisciplinaridade

O Cebraspe costuma trabalhar com as perguntas de uma maneira bastante aprofundada, explorando principalmente a vertente teórica. Tudo isso para que os candidatos reflitam sobre o que responder e não se atenham à “decoreba” de sempre.

Justamente pela complexidade na formulação das perguntas, também é comum se deixar “cair” em pegadinhas. É mais do que importante ficar atento ao enunciado e o que a pergunta, de fato, propõe como resposta.

A banca trabalha bastante com a contextualização e com a interdisciplinaridade. Dessa maneira, os itens de julgamento são elaborados a partir de casos concretos e pela mescla de assuntos.

3. Atenção redobrada ao edital!

Antes de entrar em desespero, verifique o edital do concurso e saiba com quais etapas você terá que lidar. É comum que as provas para Juízes, por exemplo, sejam de múltipla escolha.

Confira todas as informações e adapte seus estudos com base nisso.

4. Não se preocupe em acertar todas ou quase todas as questões

Nas provas consideradas “mais fáceis” do Cebraspe, a média das melhores pontuações não ultrapassa a casa dos 80%. Ou seja, não se desespere por não ter conseguido gabaritar.

Isso é perfeitamente normal e tudo vai depender de quantos pontos o seu concorrente alcançou. Além disso, também é importante destacar que o Cebraspe não costuma cobrar pontuação mínima por disciplina.

5. Otimizar o seu tempo nunca foi tão necessário

As provas do Cebraspe também são conhecidas por serem longas e cansativas, sobretudo nos casos em que o método Cespe é usado em sua totalidade (itens “certos” ou “errados”).

Para falar a verdade, muitas pessoas têm o costume de fazer a prova exatamente na ordem. Isso não é aconselhável, caso queira otimizar o seu tempo e seguir rumo à aprovação. Priorize as mais fáceis e, com o passar do tempo, vá para as de complexidade média e depois as difíceis.

Controle o seu tempo em ordem crescente também. Para as perguntas mais fáceis, não exceda muitos minutos. No entanto, para as longas e mais complicadas, dedique um tempo maior e não faça na pressa.

Essa estratégia é importante para que você não canse a mente logo de cara. Imagina ter que se esforçar em uma questão difícil nos primeiros minutos de prova? Tudo vai ficar mais maçante e denso!

Essa e outras dicas podem ser lidas diretamente em nosso artigo sobre o assunto. Você pode conferir o conteúdo por aqui!

Noções sobre os conteúdos que mais caem nas provas do Cebraspe

Com a leitura de nosso artigo, você provavelmente ficou curioso para saber quais conteúdos mais caem nas provas do Cebraspe, não é? Confira logo abaixo:

Língua Portuguesa

  • Fonologia;
  • Acentuação gráfica;
  • Uso de iniciais maiúsculas;
  • Uso de iniciais minúsculas;
  • Uso facultativo de iniciais maiúsculas e minúsculas;
  • Semântica;
  • Denotação e Conotação;
  • Dificuldades semânticas e ortográficas;
  • Morfologia;
  • Artigo;
  • Sintaxe.

A gramática é inserida dentro da análise do texto, especialmente por meio da morfossintaxe. As classes de palavras mais cobradas são:

  • Verbo em análise do tempo verbal;
  • Preposição e advérbio em adjunto adverbial;
  • Pronome em colocação pronominal e coesão.

Linhas gerais sobre disciplinas jurídicas

  • Para cargos em nível médio: leis “secas” sem muito aprofundamento;
  • Para concursos estritamente jurídicos: doutrina aprofundada e jurisprudências. É comum usarem transcrições das decisões do STF e STJ.

Língua estrangeira (Inglês e Espanhol)

Provas discursivas

  • Geralmente são aplicadas com as provas objetivas;
  • Só são corrigidas nos casos em que os candidatos tenham alcançado as melhores notas nas provas objetivas;
  • Alto nível de cobrança em relação ao uso da norma culta da Língua Portuguesa;
  • Redações em 30 linhas.

É possível chutar nas provas do Cebraspe?

Seria praticamente impossível chutar em provas elaboradas por meio do método Cespe. No entanto, sabemos que o gabarito é balanceado entre os itens “certos” e “errados” (quase 50/50).

Dentro desta circunstância, suspeite se perceber uma diferença discrepante entre o número de itens que você julgou como certos e como errados. Mais do que isso: deixe as perguntas que você não sabe responder para depois e só marque aquelas que tem certeza (ou razoável certeza) de que estão corretas.

Após isso, averigue os itens marcados e monte uma porcentagem “por cima” para avaliar quantos foram julgados como “certos” e quantos foram julgados como “errados”. A diferença é considerável? Então, o chute pode ser bem-vindo.

Vamos ao exemplo para que entenda melhor: a prova tem 100 itens para julgamento. Você marcou 70 questões com razoável certeza da resposta. No rápido levantamento da porcentagem, foi possível perceber que os itens julgados como “E” de errados estão em vantagem considerável. Chutar com “C” nas outras 30 questões restantes pode ser uma boa pedida.

Mas, olha, destacamos que esse método só tende a funcionar quando o candidato se preparou para a prova do Cebraspe. Apenas assim para ter certeza ou razoável certeza quanto à maioria das respostas.

Agora que já conhece o Cebraspe, está na hora de se preparar!

A principal dica que podemos compartilhar é a seguinte: para passar por qualquer banca examinadora, torna-se extremamente necessário conhecer o seu modus operandi e as estruturas das provas. Para isso, não deixe de consultar as questões que caíram em concursos similares ao que você pretende se inscrever!

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Bruno Destéfano
Redator
Nasceu no interior de Goiás e se mudou para a capital, Goiânia, no início de 2015. Seu objetivo era o de cursar Jornalismo na UFG. Desde o fim de sua graduação, já atuou como roteirista, gestor de mídias digitais, assessor de imprensa na Câmara Municipal de Goiânia, redator web, editor de textos e locutor de rádio. Escreveu dois livros, sendo um de ficção e outro de não-ficção. Também recebeu prêmios pela produção de um podcast sobre temas raciais e por seu livro-reportagem "Insurgência - Crônicas de Repressão". Atualmente, trabalha como redator web no site "Concursos no Brasil" e está participando de uma nova empresa no ramo de marketing digital.

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