O "dedo de silicone" e a ética no serviço público

Muita gente ainda pensa e age como se ética fosse uma coisa a ser cobrada para os próximos usarem. O agir ético tem que primeiro partir de nós mesmos.

Toda boa prova de concurso público geralmente levanta questionamentos éticos para reflexão dos candidatos. Atrasos ao serviço, falta de compromisso com o cargo, corrupção passiva, enriquecimento ilítico, uso da máquina pública em benefício próprio, enfim, o rol de assuntos que podem ser explorados pelas bancas é bastante diversificado. Não é para menos: a própria "conjuntura cultural" brasileira dá muito "pano pra manga" nas discussões de cunho ético em qualquer esfera, seja privada ou pública, seja no âmbito pessoal ou no profissional.

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O novo mote que servirá de base para futuras provas de Ética vem desta vez do estado do Paraná, onde o Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Federal (PF) apreenderam 25 moldes de silicone dos dedos de 14 funcionários da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. De acordo com a assessoria de comunicação do governo paranaense, os moldes eram usados para bater o ponto de funcionários que não compareciam para trabalhar, para evitar perdas salariais. A prática foi descoberta pela Appa e o MPE foi avisado, culminando numa operação conjunta com a PF, realizada em 21/02/2014 e que gerou as apreensões. 

“Encontramos os moldes no Pátio de Triagem e no setor administrativo operacional. Todos os moldes foram testados e correspondem a 14 funcionários diferentes. No entanto, é possível que haja o envolvimento de mais pessoas”, afirmou o promotor do Ministério Público Estadual, Leonardo Busatto. Além dos 25 “dedos de silicone”, uma moldeira também foi apreendida. O delegado da Polícia Federal disse que vários moldes estavam acondicionados em recipientes próprios e tinham etiquetas, com os nomes dos donos das digitais. 

De acordo com o MPE, há indicativo da prática dos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e peculato, com penas que vão de 4 a 20 anos, além da possibilidade de responsabilização criminal. No juízo cível, caso se cofirmem os indícios, o MPE ingressará com ação de improbidade administrativa que pode acarretar em multa e perda dos cargos administrativos. 

Esta notícia serve muito bem para ilustrar como é o comportamento distorcido de muitos brasileiros: às vezes certos brasileiros são diligentes até demais quando são convocados para gritar nas ruas ou nas mídias sociais em prol de uma sociedade menos violenta e menos corrupta, que seja profusa de políticos mais compromissados com os reais problemas nacionais, etc,etc. Mas acontece que muitos desses tais simplesmente não dão a mínima quando esta em jogo as suas próprias atitudes imorais.

Ou seja, ainda existe tanto servidor/empregado/funcionário que desconhece por completo quais são as implicações éticas de suas atribuições, que somos levados a concluir que as bancas examinadoras precisam mesmo, e cada vez mais, cobrar Ética na nas provas dos concursos. Infelizmente, a disciplina tem sido cobrada na teoria e muitas vezes vem sendo esquecida na prática.

Precisamos despertar para o fato de que nosso comportamento ético não é uma prova de múltipla escolha, mas sim uma prova bem prática, na qual a escolha precisa ser balizada por valores positivos e - por que não dizer - eternos.

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