Professora e vereadores criticam concurso da Educação de Viçosa - MG

O concurso contou com a inscrição de 2,3 mil candidatos, que concorreram às 43 vagas oferecidas. Segundo um pronunciamento, certame foi marcado pela "péssima qualidade da prova" e pela ocorrência de "coisas absurdas"

A Professora Greyce Miranda fez um procunciamento na tribuna livre da Câmara de Vereadores do Município de Viçosa, Estado de Minas Gerais, no dia 31/03/2015, tecendo críticas ao concurso público realizado pela Secretaria Municipal de Educação, para os cargos de professor e auxiliar de creche. A organizadora do seletivo foi a Reis e Reis Auditores Associados.

O concurso contou com a inscrição de 2.349 candidatos, que concorreram às 43 vagas oferecidas. Em nome de centenas de professores participantes, a Professora Greyce Miranda informou que o certame foi marcado pela "péssima qualidade da prova" e pela ocorrência de "coisas absurdas no decorrer de todo o concurso e diversas irregularidades.”

Segundo a docente, dentre as irregularidades, estão: “a entrega do gabarito fora da sala, dando margem às fraudes; ausência de confirmação do real candidato, por meio da carteira de identidade; troca de informações entre os candidatos no decorrer da realização da prova; regras diferentes em cada sala; conteúdo da prova não compatível ao cargo; candidatos sentados praticamente em dupla para disputar o mesmo cargo; erros absurdos na prova; ausência de fiscais acompanhando candidato ao banheiro e fiscais fazendo a prova e anotando o gabarito, ao invés de fiscalizar”.

Diante dos fatos, a professora Greyce enfatizou que os candidatos não querem a anulação do concurso, mas que fosse aplicada "uma prova compatível e de forma organizada”.

Já foi aberta uma Comissao para verificar as denúncias de irregularidades do concurso, com prazo de 20 dias para conclusão dos trabalhos.

Dias antes do pronunciamento da professora, a Presidente da Casa, Vereadora Marilange Pinto Coelho (PV) e os Vereadores Sávio José (PT) e Idelmino Ronivon (PC do B) também abordaram o assunto e, inclusive com questionamentos concernentes à qualidade da prova e a organização da aplicação das mesmas. Sávio José pontuou que recebeu relatos sobre diversos erros encontrados na prova, inclusive comentou sobre o parecer técnico da Professa Drª Mônica Santos de Souza Melo (UFV), ao qual o site Concursos no Brasil teve acesso.

De acordo com a parecerista da UFV, que analisou a prova de Língua Portuguesa, há aspectos questionáveis em pelo menos quatro eixos: abordagem das questões; regras gramaticais; problemas teóricos; e utilização inadequada das imagens, já que a organização não tomou o cuidado de citar as fontes. Abaixo, alguns trechos do parecer:

"Tratando-se de uma prova de Língua Portuguesa, é inconcebível que as questões tragam, em seu enunciado e nas alternativas de respostas, erros gramaticais. Eles aparecem de forma abundante ao longo de toda a prova [e cita exemplos]"

"Algumas questões que exploram a gramática do português apresentam aquilo que eu classificaria como verdadeiras 'aberrações' teóricas, o que revela uma falta de competência por parte da equipe responsável pela elaboração das questões [também com exemplos]"

" No texto há utilização de duas charges, sem identificação de fonte e/ou autoria, o que é inconcebível em textos de qualquer ordem, especialmente em concursos públicos, pois a autoria de um texto é legalmente resguardada, sendo os organizadores da prova sujeitos a sanções de ordem legal por essa omissão"

Os Vereadores pediram ao Prefeito que solicite à empresa organizadora do Concurso Público esclarecimentos quanto ao parecer apresentado.

Segundo a assessoria da Câmara, o Presidente da Comissão de Educação, Vereador Idelmino Ronivon, acompanhou todo o processo do Concurso da Educação, e afirmou que tudo "aconteceu na completa ordem, porém concordo que a qualidade da prova para fazer o processo de seleção dos professores do município, deixou a desejar e ficou aquém daquilo que é realmente importante para o concurso, ou seja, o que é questionável é a qualidade da prova. Os candidatos que se sentirem prejudicados podem entrar com recurso dentro do prazo previsto no edital”.

Veja mais detalhes nos links:

http://www.vicosa.mg.leg.br/noticias2/03-2015-1/vereadores-comentam-a-respeito-do-concurso-publico-para-cargos-na-educacao-municipal

http://www.vicosa.mg.leg.br/noticias2/03-2015-1/professora-denuncia-irregularidades-no-concurso-publico-para-a-educacao-municipal

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