Ser chamado de concurseiro não é ofensa

Nenhuma condenação há, para quem está sendo chamado de "concurseiro"

Este humilde artigo se destina exclusivamente a comentar o comentário enviado pelo nosso leitor Carlos, que não suporta ser chamado de “concurseiro”:

Lembrar do passado, dos fracassos, só se for pra servir de motivação e não pra lembrar que sou um fracassado. Isso não ajuda em nada. Esse cara que escreveu água aí em cima em nada acrescentou ou não se fez entender. Devemos tentar aprender com nossos fracassos, mas não ficar lembrando deles. Sei disso porque fiz mais de uma centena de concursos e nunca obtive a aprovação a ponto da nomeação. Isso é falácia. Quando lembro dos meus fracassos vem a depressão, o medo, a insegurança, o desespero e o ódio contra tanto sacrifício desperdiçado) (esforço de Sísifo).

Contudo, quando penso que posso continuar estudando e tentando, surge a esperança. Não num futuro porque sequer sei se haverá um para mim, mas presente. Esse mesmo é o que conta porque não temos bola de cristal e devemos trabalhar com o que temos e não com as expectativas que possuímos.

Sou experiente em concursos, mas odeio a nomenclatura "concurseiro". Isso é a maior bobagem já dita por alguém. Claro, os donos de cursinhos devem rir à toa dos reprovados porque continuarão a enriquecê-los. Desistir jamais, porém nunca cultuar nossos fracassos. Devemos tentar fazer deles nossos estímulos. Da fraqueza retiramos nossa força, amém!

Em primeiro lugar, não dissemos que as pessoas que persistem nos concursos são “ajudadas” porque tiveram um passado de fracassos e estão a todo o momento “lembrando deles”. O leitor Carlos é que não se fez entender e, pior, forçou-se a entender o que não dissemos no artigo (que pode ser lido aqui, confira o próprio leitor).

Em segundo lugar, lamentamos pelo leitor Carlos, que fez mais de 100 concursos e, pelo que relata, parece possuir um comportamento depressivo, supostamente oriundo da lembrança do passado de desclassificações. Com muitas outras pessoas (inclusive com este sujeito que escreve), a coisa não funciona desse jeito. Por isso, lamentamos se a “água” que escrevemos não matou a sua sede...

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Em terceiro lugar, que fique bem claro: nunca consideramos o trabalho dos que se esforçam para passar e porventura acabam perdendo numa prova (independente de quantas vezes passou ou perdeu) como um “trabalho de Sísifo” (alusão a um trabalho fadado ao fracasso). Da mesma forma, jamais aceitaremos esse pensamento idiotizante de que as filas de reprovados alegram e enriquecem os “donos de cursinhos”. A busca de oportunidades públicas ou privadas é um fenômeno muito dinâmico e não compactuamos com essa ideia de que “donos de cursinhos” possam se amesquinhar a tal ponto, e ter essa visão de mundo tacanha!

Para encerrar, expressões como “concurseiro” e “concursando” são utilizadas por nós apenas por serem uma forma carinhosa, objetiva e transitória de nos referirmos às pessoas que estudam para concursos há algum tempo, participando de certames com relativa frequência. Quem nos acompanha sabe que não existe nada de pejorativo na palavra “concurseiro”! Ninguém será “concurseiro” para sempre! Não estamos condenando pessoas a essa posição!

Por analogia, gostaríamos de perguntar ao nosso leitor Carlos se ele também odeia outras nomenclaturas tão populares no Brasil, como nos seguintes exemplos: chamar aqueles que estão na escola de “estudantes”; na universidade/faculdade de “universitários; estudantes para o vestibular de “vestibulandos”; futuros padres católicos de “seminaristas”, participantes de um congresso de “congressistas”; chamar grupo de pessoas em protesto nas ruas de “manifestantes”.

alberto@concursosnobrasil.com.br

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