Dicas de Português: colocação pronominal, crase e regência verbal

Noções de regência verbal e nominal, colocação pronominal e crase para subsidiar provas de todos os principais concursos do Brasil.

Colocação pronominal

É o modo como se dispõem os pronomes pessoais oblíquos átonos (me, te, se, lhe(s), o(s), a(s), nos e vos) em relação ao verbo. Trata-se de um dos assuntos popularmente "espinhosos" da língua portuguesa, os quais somos "forçados" a entender na escola. Mas basicamente, basta lembrar que as posições dos pronomes pessoais oblíquos átonos em relação ao verbo ao qual se ligam denominam-se:

  • Ênclise (depois do verbo)

-- Apostilas Jandira SP - AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE (TODAS AS UNIDADES) -- CUIDADOR (A) SOCIAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES -- AUXILIAR DE CUIDADOR (A) SOCIAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES -- GUARDA CIVIL MUNICIPAL

É a posposição do pronome átono ao vocábulo tônico ao que se liga. Ex: Empreste-me o livro de matemática.

  • Próclise (antes do verbo)

É a colocação do pronome quando antes do verbo há palavras que exercem atração sobre ele, como:

- Não, nunca, jamais, ninguém, nada. Ex: Não o vi hoje.
- Advérbios, locuções adverbiais, pronomes interrogativos ou indefinidos. Ex: Sempre te amarei.
- Pronomes relativos. Ex: Há filmes que nos fazem chorar.
- Orações optativas, aquelas que exprimem desejo. Ex: Deus te ouça!
- Com gerúndio precedido da preposição ‘em’. Ex: Em se tratando desse tema...

  • Mesóclise (no meio do verbo)

É a colocação do pronome quando o verbo se encontra no futuro do presente ou no futuro do pretérito desde que não haja palavras que exerçam atração. Ex: Entregar-lhe-ei as informações. Na linguagem falada brasileira, o uso é quase inexistente.

Crase

Crase é mais um assunto "espinhoso" do português, mas dito de forma simples é o nome que geralmente se dá à fusão da preposição 'a" com o artigo "a(s)" ou com os demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo. É representada graficamente pelo acento grave (`).

Crase Obrigatória

  • Para nomes femininos com artigos: Fui à feira.
  • Aquele(s)/ a + aquela(s)/ aquilo: Entreguei o livro àquele menino.
  • Para locuções adverbiais femininas do tipo: Às cegas; À noite; Às pressas.
  • Com a palavra moda subentendida: Camarão à baiana.
  • Antes de horas: Sairei às 2h.
  • Com pronomes possessivos: Irei à minha fazenda ou Irei a minha fazenda.
  • Com nomes próprios de mulher: Dê o livro à Maria ou Dê o livro a Maria.
  • Para nomes masculinos: Amor a Deus.
  • Antes de verbos: Saiu a passear.
  • Antes de pronomes pessoais: Dirigiu-se a ela.
  • Antes de pronomes de tratamento: Dei a Vossa Senhoria.
  • Entre palavras repetidas: Cara a cara.

Crase Optativa

  • Com pronomes possessivos: Irei à minha fazenda ou Irei a minha fazenda.
  • Com nomes próprios de mulher: Dê o livro à Maria ou Dê o livro a Maria.

Crase Proibida

  • Para nomes masculinos: Amor a Deus.
  • Antes de verbos: Saiu a passear.
  • Antes de pronomes pessoais: Dirigiu-se a ela.
  • Antes de pronomes de tratamento: Dei a Vossa Senhoria.
  • Entre palavras repetidas: Cara a cara.

Regência Verbal

Há verbos, na língua portuguesa, que exigem a presença de outros termos na oração a que pertencem. Quando o verbo (termo regente) se relaciona com os seus complementos (termos regidos) acontece um "fenômeno" ao qual damos o nome de regência verbal. Selecionamos a seguir alguns verbos em que há diferença de contexto na hora de se "fazer" a regência:

  • Agradecer

Alguma coisa (sem preposição): O palestrante agradeceu suas intervenções.

A alguém (preposição A): O paciente agradeceu ao médico.

  • Assistir

Dar assistência (sem preposição): O médico assistiu o doente.

Ver (preposição A): Assisti a um bom filme.

Morar (preposição EM): Aquele homem assiste em São Paulo.

  • Obedecer (desobedecer)

Sujeitar-se (preposição A): Ele não obedeceu ao regulamento.

  • Preferir

Ter preferência por (preposição A): Prefiro correr a nadar.

  • Visar

Visar (preposição A): O comerciante visa ao lucro.

Assinar (sem preposição): O gerente do banco visou o cheque.

Mirar (sem preposição): O atirador visou o alvo e errou.

Regência Nominal

Já a regência nominal é a relação de um nome (substantivo, adjetivo) com outro termo. E a relação pode vir ou não acompanhada de preposições. Por exemplo:

  • Horror a
  • Impaciência com
  • Atentado contra, a
  • Medo de
  • Idêntico a
  • Prestes a
  • Longe de
  • Benéfico a

Podemos arriscar a dizer que - apesar de todas as "pegadinhas" da língua e apesar de que na fala praticamos uma coisa e na escrita outra - de certa forma, já estamos um pouquinho acostumados a utilizar a regência correta (ou pelo menos a mais aceita). É por essa razão que determinadas pessoas - principalmente aquelas que ao longo da vida escolar demonstraram um pouco mais de "afinidade" com língua portuguesa - chegam a perceber mais facilmente se uma construção está correta ou não.

Vale lembrar, por fim, que "correto" ou "incorreto" para nós não possui a conotação de "certo" ou "errado", mas apenas a de "ser mais aceito socialmente" ou "não ser bem aceito socialmente", do ponto de vista do chamado "padrão culto da língua portuguesa", utilizado no Brasil (aquela língua defendida pelos nossos melhores gramáticos).

Bons estudos e até a próxima! Confira mais dicas de Português: 1,  2,  3,  4,  5,  6,  7,  8,  9

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