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Dicas de Português: regência, concordância, crase, colocação pronominal

Noções de concordância verbal e nominal, regência verbal e nominal, colocação pronominal e crase para subsidiar provas de todos os principais concursos do Brasil

Publicado em 05/10/2016 - 09h56 • Comunicar erro

Confira algumas noções fundamentais sobre concordância verbal e nominal, regência verbal e nominal, colocação pronominal e crase para as provas do CREMESP e da Câmara de Mogi das Cruzes/SP, que já estão marcadas.

Concordância Verbal

O verbo deve ser flexionado ("modificado") concordando com a pessoa do sujeito (eu, tu, ele/ela, nós, vós/vocês, eles/elas) e o número (singular ou plural):

  • Sujeito simples: o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa, estando o sujeito antes ou depois do verbo. Ex: Foram embora, do nada, os meninos ("foram" concorda com "os meninos"). 
  • Sujeito composto: o verbo flexiona para o plural. Ex: Joana e Carlos insistiram em vir (Joana e Carlos são duas pessoas, e não pode-se usar "insistitu", mas sim "insistiram").
  • Sujeito composto de diferentes pessoas: O verbo vai para o plural na pessoa que prevalecer. Ex: Atiramos a pedra você e eu ("atiramos" concorda com "você e eu").
  • Sujeito constituído de pronomes de tratamento: verbo flexiona na 3ª. Ex: Vossa Excelência necessita de algo?
  • Sujeito constituído pelo pronome relativo QUE: verbo concordará em número e pessoa com o antecedente. Ex: Somos nós que precisamos de você.
  • Núcleos do sujeito ligados por OU: O verbo ficará no singular sempre que houver ideia de exclusão. Ex: Rosa ou azul será a cor do quarto.
  • Verbo com o pronome apassivador SE: O verbo concorda com o sujeito. Ex: Analisou-se o plano de reforma.
  • Sujeito formado por expressões: UM E OUTRO – O verbo fica no plural; UM OU OUTRO – O verbo fica no singular; NEM UM NEM OUTRO – O verbo fica no singular.
  • Sujeito formado por número percentual: O verbo concordará com o numeral. Se a indicação de porcentagem se seguir uma expressão com DE + SUBSTANTIVO, a concordância faz-se com esse substantivo. Ex: 50% dos camundongos morreram.
  • Verbos impessoais (haver, fazer, chover, nevar, relampejar...): por não possuírem sujeito, ficam na 3ª pessoa do singular. Ex: Não havia flores mais belas.
  • Verbo SER: se um dos elementos referir-se a pessoa, o verbo concordará com ela. Ex: Minha ambição são os meus sonhos.

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Concordância Nominal

É a concordância, em gênero (masculino ou feminino) e número (singular ou plural), entre o substantivo (nomes) e seus determinantes ("partes" que acompanham os nomes): o adjetivo, o pronome adjetivo, o artigo, o numeral.

O candidato talvez sinta dificuldade em assimilar o que sejam essas classes de palavras (adjetivo, pronome adjetivo, numeral, artigo, etc), mas não se preocupe: concentre-se em entender os exemplos, ou seja, concentre-se em entender o uso da língua.

  • Opções de concordância: o adjetivo concorda com o adjetivo mais próximo (Eu dei de presente uma bolsa e um tênis preto) ou o adjetivo refere-se a dois substantivos de gêneros diferentes – prevalece o masculino e fica no plural (Eu dei de presente uma bolsa e um tênis pretos).
  • As palavras BASTANTE, POUCO, MUITO, CARO e BARATO concordam com o substantivo quando têm valor de adjetivo. Quando são advérbios, são invariáveis. Ex: estas revistas são caras (adjetivo) e as revistas custaram caro (advérbio).
  • ANEXO, MESMO, PRÓPRIO, INCLUSO: concordam com o substantivo a que se referem.
  • As expressões “É PROIBIDO”, “É NECESSÁRIO”, “É PRECISO” ficam invariáveis quando acompanhadas apenas de substantivo. Porém, se o substantivo estiver determinado pelo artigo, a concordância é feita normalmente.
  • Lembre-se que a palavra ‘meia’ é um adjetivo, enquanto ‘meio’ é um advérbio, significando ‘um pouco’.
  • Obrigado/obrigada – concordam com o substantivo a que se referem.

Colocação pronominal

É o modo como se dispõem os pronomes pessoais oblíquos átonos (me, te, se, lhe(s), o(s), a(s), nos e vos) em relação ao verbo. Trata-se de um dos assuntos popularmente "espinhosos" da língua portuguesa, os quais somos "forçados" a entender na escola. Mas basicamente, basta lembrar que as posições dos pronomes pessoais oblíquos átonos em relação ao verbo ao qual se ligam denominam-se:

  • Ênclise (depois do verbo)

É a posposição do pronome átono ao vocábulo tônico ao que se liga. Ex: Empreste-me o livro de matemática.

  • Próclise (antes do verbo)

É a colocação do pronome quando antes do verbo há palavras que exercem atração sobre ele, como:

- Não, nunca, jamais, ninguém, nada. Ex: Não o vi hoje.
- Advérbios, locuções adverbiais, pronomes interrogativos ou indefinidos. Ex: Sempre te amarei.
- Pronomes relativos. Ex: Há filmes que nos fazem chorar.
- Orações optativas, aquelas que exprimem desejo. Ex: Deus te ouça!
- Com gerúndio precedido da preposição ‘em’. Ex: Em se tratando desse tema...

  • Mesóclise (no meio do verbo)

É a colocação do pronome quando o verbo se encontra no futuro do presente ou no futuro do pretérito desde que não haja palavras que exerçam atração. Ex: Entregar-lhe-ei as informações. Na linguagem falada brasileira, o uso é quase inexistente.

Crase

Crase é mais um assunto "espinhoso" do português, mas dito de forma simples é o nome que geralmente se dá à fusão da preposição 'a" com o artigo "a(s)" ou com os demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo. É representada graficamente pelo acento grave (`).

Crase Obrigatória

  • Para nomes femininos com artigos: Fui à feira.
  • Aquele(s)/ a + aquela(s)/ aquilo: Entreguei o livro àquele menino.
  • Para locuções adverbiais femininas do tipo: Às cegas; À noite; Às pressas.
  • Com a palavra moda subentendida: Camarão à baiana.
  • Antes de horas: Sairei às 2h.
  • Com pronomes possessivos: Irei à minha fazenda ou Irei a minha fazenda.
  • Com nomes próprios de mulher: Dê o livro à Maria ou Dê o livro a Maria.
  • Para nomes masculinos: Amor a Deus.
  • Antes de verbos: Saiu a passear.
  • Antes de pronomes pessoais: Dirigiu-se a ela.
  • Antes de pronomes de tratamento: Dei a Vossa Senhoria.
  • Entre palavras repetidas: Cara a cara.

Crase Optativa

  • Com pronomes possessivos: Irei à minha fazenda ou Irei a minha fazenda.
  • Com nomes próprios de mulher: Dê o livro à Maria ou Dê o livro a Maria.

Crase Proibida

  • Para nomes masculinos: Amor a Deus.
  • Antes de verbos: Saiu a passear.
  • Antes de pronomes pessoais: Dirigiu-se a ela.
  • Antes de pronomes de tratamento: Dei a Vossa Senhoria.
  • Entre palavras repetidas: Cara a cara.

Regência Verbal

Há verbos, na língua portuguesa, que exigem a presença de outros termos na oração a que pertencem. Quando o verbo (termo regente) se relaciona com os seus complementos (termos regidos) acontece um "fenômeno" ao qual damos o nome de regência verbal. Selecionamos a seguir alguns verbos em que há diferença de contexto na hora de se "fazer" a regência:

  • Agradecer

Alguma coisa (sem preposição): O palestrante agradeceu suas intervenções.

A alguém (preposição A): O paciente agradeceu ao médico.

  • Assistir

Dar assistência (sem preposição): O médico assistiu o doente.

Ver (preposição A): Assisti a um bom filme.

Morar (preposição EM): Aquele homem assiste em São Paulo.

  • Obedecer (desobedecer)

Sujeitar-se (preposição A): Ele não obedeceu ao regulamento.

  • Preferir

Ter preferência por (preposição A): Prefiro correr a nadar.

  • Visar

Visar (preposição A): O comerciante visa ao lucro.

Assinar (sem preposição): O gerente do banco visou o cheque.

Mirar (sem preposição): O atirador visou o alvo e errou.

Regência Nominal

Já a regência nominal é a relação de um nome (substantivo, adjetivo) com outro termo. E a relação pode vir ou não acompanhada de preposições. Por exemplo:

  • Horror a
  • Impaciência com
  • Atentado contra, a
  • Medo de
  • Idêntico a
  • Prestes a
  • Longe de
  • Benéfico a

Podemos arriscar a dizer que - apesar de todas as "pegadinhas" da língua e apesar de que na fala praticamos uma coisa e na escrita outra - de certa forma, já estamos um pouquinho acostumados a utilizar a regência correta (ou pelo menos a mais aceita). É por essa razão que determinadas pessoas - principalmente aquelas que ao longo da vida escolar demonstraram um pouco mais de "afinidade" com língua portuguesa - chegam a perceber mais facilmente se uma construção está correta ou não.

Vale lembrar, por fim, que "correto" ou "incorreto" para nós não possui a conotação de "certo" ou "errado", mas apenas a de "ser mais aceito socialmente" ou "não ser bem aceito socialmente", do ponto de vista do chamado "padrão culto da língua portuguesa", utilizado no Brasil (aquela língua defendida pelos nossos melhores gramáticos).

Bons estudos e até a próxima! Confira mais dicas de Português: 1,  2,  3,  4,  5,  6,  7,  8,  9

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