A Pedagogia do Oprimido - noções sobre a concepção de Educação

A principal diferença entre a educação “bancária” e a educação libertadora, portanto, é o ensino humanizado, que só existe na segunda, uma vez que o aluno e professor são complementares, interdependentes.

Na obra Pedagogia do Oprimido (1987), de Paulo Freire, o educador discute sobre dois tipos de educação. A opressora e a libertadora. Paulo Freire é conhecido por ter sido um pensador libertário, que gostaria de ver a educação como uma prática que enriquecesse não somente os educandos, como os professores. Sua pedagogia tinha como centro o diálogo entre os dois protagonistas da sala de aula (aluno e professor).

Nessa obra, Freire expressa seus sentimentos e pensamentos sobre a educação da sociedade opressora, chamada por ele de “educação bancária”, e a educação libertadora.

Educação “bancária”

A concepção pedagógica adota pelas escolas tende, naturalmente, a sofrer mutações com o tempo (embora, muitas vezes não sejam mutações para melhor...). Ainda é comum o ensino tradicional, pautado nos livros, quadro negro, presença e protagonismo (ou ditadura) do professor, ou seja, ainda predomina em muitos estabelecimentos a visão de que o aluno está lá apenas para coletar conhecimentos e ser avaliado em sua competência na hora das provas.


O aluno não pode apresentar suas opiniões, se não é repreendido. O professor tem o papel de detentor do saber, em que transfere o conhecimento do jeito que julgar melhor, podendo ter, indiretamente, valores pessoais inclusos. O aluno serve apenas para ouvir, anotar e passar de ano. Claro que, de certa forma, por muitos anos a educação brasileira teve esse tipo de ensino, entretanto, é cada vez mais visto uma forma de didática mais aberta, mais dialogal.

A principal diferença entre a educação “bancária” e a educação libertadora, portanto, é o ensino humanizado, que só existe na segunda, uma vez que o aluno e professor são complementares, interdependentes. Na educação opressora, como a própria expressão parece indicar, os alunos são oprimidos, impossibilitados de aflorar a sua personalidade, a sua identidade, já que são moldados, padronizados, por assim dizer.

Educação libertadora

Por outro lado, temos a educação libertadora, calcada na visão pedagógica em que Freire acreditava. É nesse tipo de educação que há humanização do contato entre docente e aluno, que há preocupação, valorização dos seus sentimentos e acepções sobre o mundo e o que está sendo estudado.

O aluno tem, nessa perspectiva, mais liberdade para aprender os assuntos de que gosta ou mesmo o que busca. O professor é o intermediário: é o instrumento que irá também transmitir conhecimento, mas de uma forma mais guiada, até mesmo livre.

Nesse tipo de educação, o aluno detém o saber e pode compartilhar com o professor, formando um sentimento de união, de colaboração, de organização, enquanto que não educação “bancária” há a manipulação de valores, a competitividade, a divisão.

Outro ponto que difere ambas as pedagogias é a alienação, que ocorre muito no ensino tradicional, caracterizamo por Freire, como vimos, como opressor. Já na outra (a educação libertadora), o diálogo é o que mais importa, porque é a partir dele que novos conhecimentos serão absorvidos, discutidos, de forma espontânea, natural, didática.

Na educação libertadora, existe uma dinâmica interativa entre ação e reflexão, em que não basta apenas ensinar e refletir, é preciso ser ativo no dia a dia, praticar aquilo que foi estudado no convívio em sociedade, ser um cidadão mais ciente, mais crítico, mais criativo. Paulo Freire acreditava na educação autônoma e não domesticadora.

Por isso que a educação libertadora é chamada de revolucionária, porque muda o modo como vemos os alunos, os professores e a sala de aula. (edição com informações de: https://goo.gl/scYvWB)

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