Sete maneiras de vencer a preguiça para estudar

Exercícios práticos de determinação para vencer a preguiça.

Não irei buscar definições clássicas (no dicionário ou na religião) para introduzir o tema da preguiça. Para os nossos objetivos, basta lembrarmos que a preguiça é tudo aquilo que afasta o candidato daquilo que ele precisa fazer até conseguir passar. Também poderíamos dar outros nomes para a preguiça do concurseiro: vontade de parar de estudar de vez, comodismo, desestímulo para acompanhar os assuntos do concurso (principalmente quando esses demandam certa atualização), sensação de que a prova está longe e terá tempo de sobra, sensação de que se está em muita desvantagem em relação aos demais candidatos, etc.

Pensado nisso, pontuamos aqui pelo menos sete formas de se combater a preguiça para estudar. Um delas pode ter mais a ver com o seu caso, portanto, examine-se a si mesmo:

1. Comece elaborando por escrito as suas estratégias

Escrever seus planos em um caderno (e não em papéis dispersos e separados) ainda é uma ótima maneira de manter o foco em algum objetivo. Quem não for mais adepto do bom e velho papel e caneta, e acabe preferindo as anotações nos tablets, smartphones ou computadores, tudo bem, contanto que tais informações sejam efetivamente lidas e revisadas com frequência.

2. Use o sono como seu aliado e não como seu inimigo

Imagine a cena: você está sem trabalho no momento, conseguiu acordar às 09 horas da manhã e aguentou muito bem a bateria de estudos sobre Direito Previdenciário até o meio dia. Foi almoçar e depois tentou descansar um pouco, no sofá, mas acabou dormindo a tarde inteira e, quando se deu conta de si, passava das 19 horas.

Situações como essas são comuns na vida de muitos concurseiros. Mas é preciso lembrar que não há nada de errado em reservar períodos de sono durante o dia, como por exemplo, esse momento após o almoço. O problema é quando você não impõe limites para isso. Por exemplo, o candidato imaginário poderia ter descansado e colocado o despertador para acordá-lo duas horas depois, para retomar os estudos e não precisar adentrar em todo o restante da noite.

3. Fins de semana podem ser reservados para o descanso, mas também para avaliação

"Ninguém é de ferro e a carne é fraca", já dizia o ditado. Por isso, reservar os finais de semana para descanso e lazer é bastante salutar. No entanto, tente realizar tudo e deixar aquele tempinho (no domingo de manhã, por exemplo) para retroalimentar seus objetivos de estudo, programar atividades (escreva-as no papel) e pensar em formas de como enfrentar o comodismo, que sempre aparece ao longo da semana

4. Avalie o tempo que terá para estudar até o concurso ser aberto, mas não esmoreça.

Muitos candidatos começam a estudar para um concurso que ainda não tem edital publicado e acabam esmorecendo no primeiro mês, por acharem que o certame demorará muito ainda. Quanto mais tempo de preparação que você tiver, melhor. No entanto, se esse tempo não for utilizado tendo por base algum programa de atividades, de nada adiantará tanta vantagem.

O ideal para quem tem o tempo como seu aliado pode até ser estudar de maneira desacelerada, sem cobranças, devagar, assimilando aos poucos o conteúdo. Porém, se a cada semana adiamos alguma tarefa pré-programada, significa que não tempos a capacidade de manter esse foco por muito tempo. Lembra daquele ditado que diz "devagar e sempre"? Nesse caso, a constância é fundamental.

5. Alimente os sonhos sempre

Existem concurseiros que pensam ser uma tremenda perca de tempo todos os esforços de auto-ajuda diariamente despejados pela mídia. Já ouvi concurseiro dizer que é tudo "encheção de linguiça" e que não precisam disso. Para mim, quanto mais injeção de ânimo melhor! Se o candidatos não gosta de acordar todos os dias com uma palavra de ânimo, de conforto ou de tomada de atitude, que bom, pode ser sinal de que ele está tão cheio de otimismo que não necessita ser lembrado sobre isso todos os dias.

Mas acredite você ou não: existem pessoas que funcionam melhor (e outras que "passam a funcionar" melhor) se permanece conectada a essa rede de otimismo que muitos profissionais fazem questão de afirmar que existe. Não despreze o conselho de pessoas que já passaram por isso e podem dizer como chegar cada vez mais perto do seu objetivo. Não precisa citar nomes de grandes consultores para você entender isso, porque até o seu colega mais chegado, recentemente aprovado em um concurso, pode lhe dar grandes sacadas de determinação.

6. Cuidado para não confundir preguiça com depressão

Se sua dificuldade para estudar é mais complexa do que uma simples preguiça diária, tome cuidado e procure ajuda. Sente-se como se a vida não estivesse mais valendo a pena de ser vivida? Sente que o melhor é "dormir eternamente"? Está enfrentando algum sentimento profundamente angustiante, e não consegue controlá-lo sozinho. Isso tudo pode ser indício de depressão e ajuda profissional poderá fazer muita diferença.

Seria muito fácil a gente dizer para você "seja feliz", "anime-se", "lute", "sorria", mas é você quem se conhece o suficiente para que eu não tenha o direito de lhe julgar. 

7. Conheça as suas limitações e, se não for possível vencê-las, aprenda a tirar proveito delas

Para encerrar, vou contar um caso real: acho o Direito (ou a Advocacia, como todos dizem) uma área de trabalho maravilhosa. Quando vejo os promotores, os juízes e os advogados discursarem num tribunal de Júri minha mente voa tanto, que me dá vontade de enfrentar mais um vestibular e me tornar bacharel em Direito. Tenho essa mesma sensação quando assisto aos grandes pregadores evangélicos discursando.

Mas eu conheço determinadas limitações minhas.  Uma delas é que eu não consigo lidar muito bem com o discurso falado, por possuir um distúrbio que muita gente confunde com "gagueira", mas que se chama "taquilalia" (uma espécie de falar acelerado, que venho controlando com muito esforço ao longo da vida, embora seja extremamente difícil de fazê-lo).

Agora, imagine a provação que seria para mim aguentar mais 4 ou 5 anos de um novo curso, precisando ser testado e aprovado no discurso, na oratória, na eloquência, quase todos os dias? Mas apesar disso tudo, acredite se quiser: eu não me considero incapaz de ser um bom Advogado, um bom Juiz, um bom Promotor de Justiça.

Contudo, sei que para mim, o percurso todo até me realizar numa dessas áreas, seria ainda bem mais complicado do que os perçalços que já enfrento. O Direito nunca foi opção de escolha para mim, mas quem sabe um dia eu não enfrente a mim mesmo, e não ingresse na faculdade, somente para provar a mim mesmo ser capaz, independente de ganhar ou não dinheiro? Tenho um amigo que já passou dos 50 e está ansioso para começar o curso de Direito. Então, por que não eu?

Só estou dizendo tudo isso para tentar fazer-me entender nisto: embora ame lidar com o público, usar a palavra falada e discursar, sei que sou deficiente nesse quesito, e portanto não me considero no momento capaz de ser um bom advogado. No entanto, nada me impede de realizar-me em outras profissões e nada me impede também de "driblar" as minhas dificuldades.

Existe muito professor que nunca se viu dentro de uma sala de aula lidando com alunos, mas hoje têm enfrentado seus medos e procurado a felicidade. Existe muito enfermeiro ou médico que nunca se imaginou cuidando da saúde das pessoas, tinha até medo de sangue (como eu), mas hoje tem amado a profissão. Existe muito "gago" que sofreu bullying boa parte da vida (não foi o meu caso), mas que hoje está nos púlpitos das igrejas ou das câmaras legislativas. 

E você? Quais são as suas limitações e o que você tem feito para enfrentá-las, ou quem sabe se curar e sendo feliz na profissão que escolheu? Não deixe, por exemplo, que suas limitações em Direito Tributário lhe impeçam de ingressar na carreira de Auditoria. Não dominar esse ramo do Direito é fichinha se comparadas a outras limitações de muita gente...

alberto@concursosnobrasil.com.br

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