Como (não) indicar materiais de estudo

As pessoas geralmente têm boas intenções ao indicar materiais de estudo, mas muitas vezes, a boa vontade acaba sendo bloqueada pelo pão-durismo manifestado.

Uma concurseira chamada Raquel Monteiro* publicou um artigo demonstrando todo o seu inconformismo com os "concurseiros sovinas". Eu não retiro uma vírgula do que ela disse e até reforçarei tudo aquilo. De fato, considero que existe uma certa peçonha no pedido de muitos candidatos para que divulguemos/enviemos/recomendemos determinados "materiais de estudo". Muitos não se conformam quando, em resposta, simplesmente apontamos determinadas empresas especializadas em comercializar materiais para concursos, por acharem que estamos fazendo publicidade, quando na verdade não existe nada nesse nível. É por motivo desse tipo que toda vez que recebo uma mensagem com tais solicitações, me vejo numa posição bastante incômoda, por não querer indicar material algum, nem pago, nem gratuito.

Não é egoísmo, portanto, não tem nada a ver com "não querer ensinar o caminho das pedras" (se é que esse caminho existe!). Tem a ver talvez muito mais com um certo "trauma de indicações". Uma vez estava em busca de um pedreiro bom que pudesse fazer tudo o que eu necessitava em termos de reforma e construção e que me cobrasse barato. Fui procurar um amigo também mestre de obras para me indicar um nome (ele mesmo não podia fazer o serviço, por estar abarrotado de serviços). No momento em que ele me disse um não bem grande, eu estranhei, mas minutos depois, entendi - e ele acabou explicando o porquê do mesmo jeito. Disse que estava cansado de indicar colegas para serviços e depois receber reclamações de pessoas que não gostaram do serviço, como se o culpassem por ter indicado.

 

Apostilas com conteúdos específicos para todos os concursos públicos:

Em relação aos materiais para concursos, a coisa funciona um pouco igual ao pensamento do amigo pedreiro. Por mais que uns insistam para que aponte um link de um bom site de material/conteúdo, um bom livro, uma boa apostila ou boa escola preparatória, sempre me bate essa angústia de escolher, pronunciar, e depois o receio de que lá na frente o mesmo candidato retorne com um feedback negativo. Mas ainda assim, muitas vezes, todos os que trabalham de alguma forma com esse ramo, acabam por indicar alguma coisa - quer queiram, quer não; seja algo simples, seja uma coisa relativamente sofisticada... Penso que as pessoas geralmente têm boas intenções ao indicar materiais, mas muitas vezes, a boa vontade acaba sendo bloqueada pelo pão-durismo manifestado.

Esse pão-durismo entre os concurseiros existe mesmo! Há pessoas que não gastam nada mais em um concurso do que com a taxa de inscrição. Se estiverem interessadas em um concurso, mas se dão conta de que as provas serão aplicadas em outra cidade, acabam por nem se inscrever, mesmo sendo em um raio de pouco mais de 100 ou 200 quilômetros. Se souberem que existe "apostila boa e de graça na internet", caem para dentro, sem reservas.

Quando tais comportamentos partem de uma pessoa que está visivelmente hipossuficiente, e que muitas vezes, não possui sequer acesso livre à internet, a gente até é capaz de entender e apontar as alternativas viáveis que todos já conhecem. Mas quando tais atitudes partem de uma pessoa que se diga concurseira, visivelmente capaz de investir alguns reais a mais na preparação, o quadro torna-se lamentável.

Para encerrar o assunto, lembro que uma outra razão para não gostar de indicar coisas para os outros é a minha (talvez ilusória) crença de que cada pessoa acaba sempre encontrando o seu caminho particular e ao mesmo tempo universal. Não é diferente na vida concurseira, pois é um processo que todo indivíduo vai desenvolvendo naturalmente, em parte sozinho, em parte com o apoio da sua rede de relacionamentos (isto quando ele realmente se abre para socializar alguma coisa, porque muitos são antissociais também).

A experiência que uma pessoa aquire com determinados materiais de estudo não é a mesma que outra pessoa teve, ou terá ainda. Posso ter tido uma péssima impressão de uma apostila ou de um audio-livro, enquanto outro candidato pode ter considerado que tal material o ajudou muito na caminhada. Então, que tal se da próxima vez que nos sentirmos tentados a buscar o conselho dos outros para achar o mais barato, o mais compacto, o mais pirata, o menos trabalhoso, nós não invistamos mais em conhecer quais as nossas reais necessidades.

Até que ponto estamos sendo motivados a buscar determinadas alternativas pelo simples gosto pelo gratuito compartilhado, ou pela intenção de não mexer mesmo no bolso?

alberto@concursosnobrasil.com.br

* A fonte do artigo citado é: http://wordpress.concurseirosolitario.com.br/sobre-estudar-para-concursos-publicos/concurseiros-sovinas
 
Antes de escrever um comentário maldoso sobre o modo como as pessoas escrevem, apontando os "erros de português" e querendo dar uma de "dono da gramática", leia este artigo

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