Concurseiros da madrugada

Há quem só tenha produtividade no estudos durante à noite. Isso faz bem ou faz mal?

Apesar de muita gente se angustiar pelo fato de não dormir bem durante a noite, ao ponto de não "pregar os olhos", há pessoas que vêm na noite o melhor horário para estudar, realizar pesquisas e conseguir assimilar conteúdos diversos. Somente para ilustrar, lembremos que gente como Jô Soares e Miguel Falabella já assumiram que são pessoas "noturnas": aquelas que só conseguem desenvolver suas habilidades intelectuais durante a noite - adentrando pela madrugada - e quando dormem, se é que dormem, é somente durante boa parte do dia.

Saindo do universo da fama e indo para o mundo dos mais achegados à normalidade, é fácil encontrar um aspirante ao funcionalismo público na mesma situação de insônia aguda. Este é o caso da concurseira Dayana Souza, hoje professora do ensino básico da rede municipal de ensino. Ela atualmente almeja ser técnica previdenciária do INSS e para isso estuda cerca de três horas por dia, sempre entre 0h e 3h da madrugada. "Tive que transformar este horário de silencio dentro de casa em meu templo, para fazer uma leitura tranquila e estudar de forma mais aprofundada".

Dayana tem um filho de 7 anos e entre as aulas que leciona tem que fazer um intervalo para pegá-lo no colégio todos os dias. À noite, tem de cuidar da janta e ensinar o dever de casa do filho, só sobrando mesmo as horas mais adiantadas da noite para seus estudos de concurseira. Apesar de muitos acharem que não está bem de saúde pela rotina um pouco fora do padrão, a professora conta que ler durante as madrugadas é um prazer e fica até mais fácil compreender determinados temas. "É como se minhas ideias ficassem mais claras na madrugada. Para mim, estudar à noite não é um tormento. É um prazer", completou.

Até mesmo o fato de se associar certos problemas gástricos às rotinas noturnas de estudos é, de certa forma, algo questionável. Para o Dr. Luiz Almeida Filho, gastroenterologista formado pela Escola Bahiana de Medicina e especializado na USP, não há uma relação direta entre a insônia (ou a produtividade durante a madrugada) e problemas como gastriste. O profissional afirma que perder a noite com os estudos pode influenciar no aumento da ansiedade de algumas pessoas e é esta ansiedade que pode ser o fator determinante para a ocorrência de crises estomacais até bastante graves.

Um estudo contido no artigo "Pessoas noturnas são mais criativas" até ajuda a fundamentar a opinião da concurseira. O tratado informa que profissionais que se focam pela noite tendem a ser mais criativos do que os que dormem em horas convencionais. Embora Dayana diga que está longe de poder acordar meio-dia diariamente, ela afirma que as suas madrugadas têm sido muito produtivas por conseguir fazer associações de conteúdos, ler com calma, interpretando e, assim, acredita que tem feito a sua parte na maratona de preparação para o próximo concurso do INSS. "Agora que achei a minha melhor forma de estudar, a questão é me dedicar ainda mais. Mesmo que isso e custe boas horas de sono".

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