Concurseiros sem concursos públicos

Assim como um médico sem pacientes, um professor sem escolas, é um concurseiro sem concursos

A estudante Ana Paula Silva, 35 anos, "assumiu a ocupação de concurseira" em 2010, período em que deixou o trabalho de secretária para dedicar-se apenas aos estudos para concursos públicos. Enfrentou uma fase da vida que ela mesma batizou de "crise de identidade profissional", pois nada pior do que ser um concurseiro sem concursos públicos para fazer.

Desde 2011, o Brasil tem oferecido uma variedade de concursos, paras mais diversas áreas de formação tanto para quem tem nível técnico quanto superior, mas nem sempre foi assim. Em 2010, mesmo ano em que Ana decidiu se dedicar ao concurso público, ela não contou com muitas opções. "Época difícil. Fiquei arrependida de ter deixado o emprego e fiquei sem estímulo para estudar. Era uma grande ofertas de concursos previstos e muito pouco confirmados".

Foi no ano posterior que Ana Paula viu as coisas ganharem mais impulso com publicações de novos editais para PRF, PF, Polícia Civil, entre outros. Teve então que recuperar a identidade de concurseira, já perdida pelas poucas leituras de materiais de estudo e horas dedicadas aos estudos.  "Tive que começar tudo de novo. Montar cronogramas de estudo, retomar as aulas do cursinho. Foi um sufoco".

Preparando-se para fazer o concurso do BNDES para 2013, com lotação no Rio de Janeiro, a concurseira se mostra entusiasmada com uma possível aprovação e chances de morar na Cidade Maravilhosa, assumindo que não existe nada melhor do que ter uma meta na vida e ver os horizontes abertos para ele.

A psicóloga Andreia Santos disse que nada é mais desestimulante para alguém que busca ser funcionário público - fazendo uma série de renúncias para isso - do que estar com as ferramentas em mãos para esta conquista e simplesmente se ver sem as oportunidades. A profissional explica que a situação de Ana Paula foi complicada por jogar para o alto um emprego e se vê sem meios para tocar seus projetos.

No entanto, como está fase já passou hoje o que o concurseiro não pode reclamar é da baixa frequência de concursos - no mínimo, eles são abertos de quatro em quatro anos...

Mas o melhor a fazer é mesmo manter o foco e os estudos, pois 2014 será ano eleitoral, período em que costumeiramente cessam-se algumas das oportunidades na área pública, por conta da legislação. Porém, aconselha a psicóloga, que a questão é não entrar em crise por causa disso. E preciso manter o ritmo com os estudos, mesmo em meio às intempéries, com a certeza de que em algum momento chegará a sua vez.

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