Entre a faculdade e os concursos

Conheça a realidade de pessoas que têm batalhado por uma formação de nível superior, mas que não tem descuidado dos estudos para concursos.

Faz um bom tempo que ingressar em um curso superior, seja em instituição pública ou privada, era tido como sinal de que uma carreira promissora na iniciativa privada ou no mercado liberal estava garantida. Hoje, com o crescimento vertiginoso do interesse pelas vagas de trabalho no setor público, tem sido cada vez mais comum as pessoas fazerem uma graduação, mas terem o foco voltado para seguir uma rentável carreira no funcionalismo público.

Tanto é patente esta tendência que surgiu uma nova "categoria profissional": o concurseiro. Trata-se de uma palavra que ainda está ausente de boa parte dos dicionários da nossa língua (vide Caudas Aulete ou mesmo o VOLP, por exemplo), mas que delimita bem aquele indivíduo que estuda para concursos com disciplina e visão de longo prazo. Este é o caso da estudante do sexto semestre de enfermagem, Shalline Cerqueira, que apesar de estar na fase final do curso, nunca deixou de estudar para concursos concorridos, como o do INSS, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. Shalline afirma que por mais que a profissão de  enfermeiro pague um bom salário nada se pode comparar com a estabilidade e jornada mais tranquila de trabalho do funcionalismo público. "O enfermeiro dá plantão e nunca se está seguro se a contratação vai durar por muito tempo. Detalhes como estes fazem com que ainda frequente cursos preparatórios".

E para quem acha que trabalho, estudos e preparação para concursos públicos são uma combinação conflituosa, acompanhe o caso de Diego Miller de Oliveira. Ele se divide entre o trabalho já como funcionário público (é atendente em um órgão), os estudos (também está no sexto semestre de enfermagem) e ainda uma dura rotina de estudos para o próximo concurso do INSS, que é sua principal aposta no momento.  Embora não tenha entrado para o serviço público pelas "portas do concurso", mas pela contratação vinda de uma empresa terceirizada, Diego revela que não vê muita segurança no mercado de enfermagem, o que o motiva a sempre estar a par dos conteúdos de concursos públicos. "Minha rotina é pesada porque tenho que me dividir entre trabalho, estudo e concursos, mas sei que se aprovado no INSS, vou ter uma vida financeira tranquila e tudo valerá à pena no final", completou.

Idade cada vez menos encarada como empecilho.

Wilson Suzarte de Oliveira, empresário do ramo de móveis, se viu motivado a estudar um curso técnico em segurança do trabalho e apostar todas as fichas em um concurso público. Com seus 55 anos de idade, o "senhor" estudante sente-se ainda competitivo para o mercado de trabalho, ao ponto de estar projetando uma aprovação no concurso do Banco do Brasil, cujo novo edital está em vias de ser lançado. Wilson afirma que se viu atraído pela possibilidade de ter um trabalho que ofereça segurança, ótimo salário e vantagens como plano de saúde, odontológico e outros benefícios. "Depois que soube ser mais fácil ganhar na loteria do que ser aprovado em concurso sem estudar, minha vida passou a ser dedicada aos estudos"

Pois é. Em situações como estas estão milhões de universitários de todas as regiões do Brasil, de universidades públicas ou particulares. Todos vislumbram na carreira pública a oportunidade de ter um bom salário, muitos benefícios e ainda não ter que encarar o fantasma da sentença: "Você está demitido".

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