Perfil das bancas de concurso não é invariável

Reconhecer o estilo relativamente padrão das bancas trabalharem é bom, mas não é 100%.

Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar
De se respeitar o bom (Caetano Veloso, “Gente”)

Uma das táticas de guerra nas preparações para concursos é o reconhecimento do estilo relativamente padronizado das bancas trabalharem. Uma cobra mais “letra de lei” que a outra; as alternativas são mais “abertas” do que a outra; a parte de língua portuguesa tende a ser mais “normativista” do que “interpretativa” ou “semântica”; uma banca traz questões que “forçam” o candidato a entender a lei e não apenas a decorá-la; a outra traz questões de raciocínio lógico mais ou menos previsíveis ou não; enfim, isso ou aquilo outro. E mais: hoje, diante de tudo que se conversa em tantos grupo e fóruns de concursos pela internet, dá até para encontrar indicadores sociais de que uma banca seja mais ou menos “problemática” do que outra (problemática no sentido direto mesmo: se ela vai gerar problemas depois das provas, se haverá complicações, “marmeladas”, fraudes, nesse nível).

Como diz a gente de hoje, “tipo assim”: por trás das bancas, existe, obviamente, gente. E gente é gente, passível de errar, de se precaver e de surpreender outras gentes. E também passível de acertar. Tem gente que se surpreende quando se depara com uma prova para a qual estudou focada nas características da banca organizadora. Mas dias atrás li uma coisa bem pior: não pensava que existia, mas tem gente que só descobre qual a banca da prova no dia da prova. Só acreditei no fato por ter sido repassado por um concurseiro experiente. (Para o azar da pessoa displicente, a banca era o CESPE/UnB!).

Por isso que nunca é demais lembrar que cada concurso apresenta a sua devida particularidade. Sabemos o quanto são úteis as provas anteriores, para um candidato, da mesma forma como são úteis os jogos anteriores de um time contra o qual iremos jogar, se fôssemos treinadores de alguma equipe. Mas sabemos também que as características do time podem mudar, o técnico pode escalar muitos que estavam na reserva até então. Uma banca pode mudar o perfil de provas e surpreender muitos candidatos. Assim como temos as nossas táticas para estudar, as pessoas da banca podem ter as suas táticas para formular questões, até então inusitadas, e desapontar os candidatos. É provável também que, para alguns concursos, determinados hábitos preguiçosos do tipo "copiar e colar" é que porventura devem dar vazão a repetição do estilo em tantos certames...

Que uma prova não prova coisa alguma nós já sabemos, e é por isso que cada vez mais será necessário reciclar o estilo da bancas, sob pena de todo concurso se tornar uma mesmice só. É por isso que para determinados concursos, penso que deveria ser exigido algo mais do que apenas a aprovação na prova, e sim algum tipo de comprovação de experiência no serviço público. A Funrio, por exemplo, apesar de tantas e tantas reclamações dos candidatos sobre a qualidade das provas, o resultado e os recursos, tentou fazer isso no último concurso da UFRB para Assistente em Administração (nível médio) e outros cargos: o edital dizia que o candidato aprovado deveria comprovar pelo menos um ano de experiência na área. Isso pelo menos já é alguma coisa, diante de tanta seleção por provas, provas e provas. A falácia de que os melhores classificados nas provas é que estão aptos para prestar um melhor serviço público é apenas isto mesmo: uma falácia. Gente é gente e gente pode deixar cair a máscara mesmo se tiver gabaritado na prova, já no serviço público...

Concluímos ratificando que é importante não somente ter contato com as provas da banca em evidência no concurso pretendido, mas também com as outras. Não adianta se queixar de ter "quebrado a cara" com o tipo de prova fora do padrão aplicado pela banca. Assim como os candidatos, gente de banca também aprecia mudanças. 

Por Alberto Vicente Silva

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