PF investiga fraudes em mais de 40 concursos

Polícia pediu auditoria para a Fundação Carlos Chagas. Maioria dos casos suspeitos se refere a concursos de Tribunais.

A Polícia Federal prossegue executando a Operação Afronta, deflagrada em outubro deste ano, para investigar fraudes em concursos públicos pelo Brasil. A novidade do momento é que existem suspeitas de que uma organização criminosa liderada por um técnico judiciário de Rondônia pode ter fraudado 42 concursos públicos.

Essas dezenas de certames dariam acesso a mais de 60 cargos públicos realizados entre 2010 e 2015, a maioria deles para lotação em Tribunais, mas também com vagas para Autarquias e Assembleias Legislativas.

Fundação Carlos Chagas

A PF havia solicitado à Fundação Carlos Chagas, uma das organizadoras mais conceituadas do país, que fizesse uma auditoria para contribuir com a investigação. De acordo com notícia do reporter Fausto Macedo (Estadão), a meta é fazer um comparativo das provas discursivas de todos os candidatos aprovados a fim de identificar todos os fraudadores e beneficiários do esquema.

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As suspeitas sobre esses 42 concursos foram reforçadas a partir de pesquisa feita pela FCC em seu banco de dados. "A PF quer ir além nesse trabalho porque acredita que os integrantes da organização se infiltraram em outros concursos por meio da inscrição dos ‘pilotos’ – agentes da quadrilha que se inscrevem apenas para ter acesso às provas e que recebem R$ 5 mil por concurso", relata o jornalista do Estadão.

Tecnologia para fraudar

A PF reuniu evidências de que os fraudadores agiam com equipamentos tecnológicos de última geração: até um minúsculo ponto eletrônico, que ficava discretamente alojado no ouvido, era utilizado pelos "candidatos" na hora da prova.

Os candidatos "pilotos" tinham uma tarefa importante a cumprir na operacionalização da prática criminosa: eles eram os responsáveis por se inscrever no concurso e participar das provas, somente para poder sair sala do exame com parte do caderno de questões após uma hora do início da prova. Com acesso ao caderno de provas, a organização resolvia as questões e repassava as respostas aos candidatos que permaneciam na sala utilizando os pontos eletrônicos.

"A PF já descobriu os concursos que tiveram membros da quadrilha inscritos para atuar como ‘pilotos': agente legislativo, escriturário, técnico do seguro social, técnico ministerial-administrativo, técnico judiciário-administrativo, analista judiciário, segurança e transporte e avaliador federal.

Com relação aos concursos fraudados que não tiveram provas disursivas a PF se colocou à disposição da Fundação Carlos Chagas para fazer auditoria por meio do Sistema de Prospecção e Análise de Desvios em Exames (SPADE) – criado pela Polícia Federal para subsidiar investigações de fraudes em concursos e exames da Ordem dos Advogados do Brasil. A PF também se dispôs a apoiar a Fundação ‘para apoiar a auditoria, subsidiando o grupo de trabalho designado para a tarefa com informações’".

Edição com informações do Estadão (http://goo.gl/250uAl)

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