Biomas brasileiros: tipos e principais características

Vamos conhecer um pouco mais sobre os biomas brasileiros.

Biomas brasileiros: tipos e principais características

Tire todas as suas dúvidas sobre os biomas brasileiros - Foto: Concursos no Brasil

Os biomas brasileiros são largamente conhecidos por serem um dos mais ricos do planeta. Aqui, estão as maiores reservas de água doce do mundo e pelo menos um terço das florestas tropicais que ainda restam na natureza.

Além disso, estudos indicam que podemos encontrar no Brasil uma em cada dez espécies de plantas ou animais existentes na Terra. Sendo um país de ampla extensão territorial e biodiversidade vasta, como identificar e classificar os biomas brasileiros?

Antes de tudo é necessário entender a definição geral de um bioma. O termo deriva das palavras gregas bio "vida" e oma "grupo ou massa". Assim, Bioma pode ser explicado por um conjunto de vida vegetal e animal que se encontra sob condições semelhantes de clima e geografia de uma determinada área.

A Ecologia determina que os biomas são um conjunto de ecossistemas interligados, onde seres vivos nascem, crescem e se adaptam às condições naturais de uma região, sendo que, cada localidade possui um bioma específico.

Biomas brasileiros

Historicamente, os biomas são constituídos pelo agrupamento de tipos de vegetação próximos e que, ao longo do tempo, passaram pelos mesmos processos de formação da paisagem, resultando na diversidade da fauna e flora.

As classificações dos biomas, incluindo os biomas brasileiros, seguem um padrão técnico mundial, que identifica grandes conjuntos de ecossistemas relacionados às condições de clima e solo singulares de cada localidade.

É importante ressaltar que, mesmo que essas comunidades biológicas apresentem características distintas, elas podem fazer parte de um mesmo bioma, tendo em vista que eles estão condicionados ao mesmo meio.

No Brasil, o IBGE é o órgão responsável pela classificação dos biomas. Segundo o último mapa divulgado pela entidade, em 2019, são considerados seis biomas brasileiros, denominados como:

  • Bioma Amazônia
  • Bioma Mata Atlântica
  • Bioma Cerrado
  • Bioma Caatinga
  • Bioma Pampa
  • Bioma Pantanal

Classificações dos biomas brasileiros

Nosso maior bioma, a Amazônia, cobre uma ampla área de 9 estados brasileiros, sendo eles: Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. 

A Mata Atlântica, bioma mais devastado do Brasil, se localiza em 17 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí.

O Cerrado, considerado como “a maior savana do mundo”, está localizado na região central do Brasil, abrigando os estados de Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e o Distrito Federal. 

Já a Caatinga, o único bioma considerado exclusivamente brasileiro, abrange os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia, Piauí e Minas Gerais. 

O Pampa, caracterizado pelas planícies pastoris, se restringe apenas ao estado do Rio Grande do Sul. O mesmo acontece ao complexo do Pantanal, que se limita nacionalmente às divisas do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Extensão

A Amazônia é o bioma com maior participação no território nacional, ocupando 49,5% da área, seguido pelo Cerrado (23,3%), Mata Atlântica (13%), Caatinga (10,1%), Pampa (2,3%) e Pantanal (1,8%), respectivamente.

No quadro abaixo é possível conferir a extensão da área aproximada de cada bioma brasileiro em relação à área total do território do país:

Biomas brasileirosÁrea aproximada (km²)Área/Total Brasil
Bioma Amazônia4.196.94349,5%
Bioma Mata Atlântica1.110.18213%
Bioma Cerrado2.036.44823,3%
Bioma Caatinga844.45310,1%
Bioma Pampa176.4962,3%
Bioma Pantanal150.3551,8%

Tipos de Biomas brasileiros

O Brasil apresenta um dos mais complexos quadros de paisagens e sistemas ecológicos do planeta devido à sua grande extensão territorial.

Justamente por estarem localizados em uma região rica em biodiversidade e recursos naturais, os biomas brasileiros se destacam e chamam a atenção de pesquisadores e ecologistas de todo o mundo.

Essa diversidade também é responsável pela divisão dos biomas brasileiros em seis zonas distintas, que se diferenciam pelos fatores climáticos, litológicos (rochas), bem como a presença de animais e vegetações específicas de cada meio.

Para distingui-los e compreendê-los melhor, é preciso aprofundar o estudo de cada bioma brasileiro. Confira:

Bioma Amazônia

O Bioma Amazônia abrange a maior reserva de diversidade biológica do mundo. Estimativas indicam que a região abriga pelo menos a metade de todas as espécies vivas do planeta.

Sendo a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia equivale a um terço das reservas de florestas tropicais úmidas que abrigam a maior quantidade de espécies da flora e fauna.

Os números do bioma amazônico, de fato, impressionam: com mais de 30 mil espécies de plantas, a fauna corresponde a cerca de 20% de todas as espécies do globo. São cerca de 2 milhões de animais, sendo os principais representantes o jabuti, o jacaré, a sucuri, a onça-pintada e a arara-azul. 

A floresta tropical do bioma Amazônia, que é densa e se destaca pelas árvores de grande porte, é autossustentável, ou seja, possui um sistema que se mantém com seus próprios nutrientes, num ciclo permanente.

Por estar localizada próxima à linha do Equador, a floresta amazônica apresenta clima equatorial, marcada por elevadas temperaturas e umidade do ar.

As temperaturas médias anuais oscilam entre 22 e 28 °C e a umidade do ar pode ultrapassar os 80%. Outra característica determinante é o elevado índice pluviométrico da região, que varia entre 1.400 a 3.500 milímetros por ano.

Ao contrário do que aparenta a exuberante paisagem, o solo da floresta amazônica é considerado pobre, coberto apenas por uma fina camada de nutrientes.

É o húmus formado pela decomposição da matéria orgânica das folhas, flores, animais e frutos, o responsável pelo rico desenvolvimento das espécies e formações vegetativas da floresta.

Além disso, o bioma Amazônia contém 20% da disponibilidade mundial de água doce do planeta. A Amazônia, em si, comporta a maior bacia hidrográfica do mundo, a Bacia Amazônica. O principal rio da bacia é o Rio Amazonas, maior em extensão e volume de águas.

Há que se considerar ainda a vasta fauna dos fungos, bactérias e a gama de outros microrganismos, que contribuem para o balanço ecológico do bioma amazônico. Essa diversidade biológica é resultado da interação das variadas condições geoclimáticas predominantes da região.

Por essas características, o Bioma Amazônia é considerado a maior reserva de diversidade biológica do mundo, havendo estimativas de que abrigue pelo menos a metade de todas as espécies vivas do planeta.

Bioma Mata Atlântica

Bioma Mata Atlântica ocupa aproximadamente 13% do território brasileiro. Por se localizar na região litorânea, onde vivem mais de 50% da população brasileira é também o mais ameaçado dentre os biomas brasileiros.

No mundo, a mata atlântica é identificada como a quinta área mais ameaçada e rica em espécies endêmicas. Calcula-se que resta cerca de 27% de sua cobertura original. Atualmente, sua área encontra-se reduzida e fragmentada, com remanescentes localizados principalmente em áreas de difícil acesso.

Ainda assim, é possível encontrar nesse Bioma cerca de 1.361 espécies da fauna brasileira, com 261 espécies de mamíferos, 620 de aves, 200 de répteis e 280 de anfíbios sendo que 567 espécies só ocorrem neste bioma.

Na fauna desse bioma avistamos várias espécies distintas, como o tatu-canastra, onça-pintada, lontra, mico-leão dourado, anta, veado, quati, cutia, bicho-preguiça e o jacu. 

O clima predominante do Bioma Mata Atlântica é o tropical úmido, uma vez que as massas de ar úmidas do Oceano Atlântico fazem dela uma floresta pluvial. Contudo, a floresta engloba outras diversidades climáticas, como o clima tropical de altitude, presente na região Sudeste, e o subtropical úmido, na região Sul.

Dessa forma, a região do bioma é caracterizada pela elevada umidade relativa do ar, com altas temperaturas, precipitações abundantes e presenças freqüentes de nevoeiros em algumas áreas.

A Mata Atlântica é formada por um conjunto de formações florestais classificadas de Floresta Ombrófila Densa, Ombrófila Mista, Estacional Semidecidual, Estacional Decidual e Ombrófila Aberta, além de ecossistemas associados, como as restingas, manguezais e campos de altitude.

Mesmo devastada, estima-se que ainda existam na Mata Atlântica cerca de 20.000 espécies vegetais — cerca de 35% das espécies existentes no Brasil —, incluindo diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, como a jabuticabeira.

Sua flora é representada pela peroba, ipê, quaresmeira, cedro, jequitibá-rosa, jacarandá e pau-brasil. Há também uma grande diversidade de epífitas, como bromélias e orquídeas. Entre as frutas típicas estão a goiaba, o araçá, a pitanga, o caju. Outra espécie endêmica do bioma é a erva mate, matéria-prima do chimarrão.

As grandes árvores que compõe a vegetação ajudam a gerar sombra e umidade para a região. Também chamada de mata ciliar, a floresta, assim como os cílios dos olhos, protege os rios, lagos e nascentes, cobrindo e protegendo o solo, deixando-o fofo e permitindo que funcione como uma de esponja que absorve a água das chuvas.

Assim, a floresta auxilia no chamado regime hídrico permanente, retendo a água da chuva que alimenta o lençol freático. Ademais, essa zona abriga uma intrincada rede de bacias hidrográficas formadas por grandes rios como o Paraná, o Tietê, o São Francisco, o Doce, o Paraíba do Sul, o Paranapanema e o Ribeira de Iguape.

Essa rede é vital não apenas para o abastecimento humano, mas também para o desenvolvimento de atividades econômicas, como a agricultura, a pecuária, a indústria e todo o processo de urbanização do país.

Mais de 120 milhões de brasileiros se beneficiam das águas que nascem na Mata Atlântica e que formam diversos rios que abastecem não apenas a fauna e flora regional, mas as principais metrópoles brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza.

É importante enfatizar que a Mata Atlântica já foi a segunda maior floresta tropical na América do Sul, em especial no Brasil, chegando até a Argentina e Paraguai.

A mata cobria também importantes trechos de serras e escarpas do Planalto brasileiro, e era contígua à Floresta Amazônica. Em função do desmatamento, principalmente a partir do século XX, hoje a floresta encontra-se extremamente reduzida.

Bioma Cerrado

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando cerca de 22% do território nacional. Do ponto de vista da diversidade biológica, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas.

Caracterizada especialmente pelo bioma savana, mas também por floresta estacional e campo, a vegetação do Cerrado é representada pelas figuras de árvores com troncos tortuosos, arbustos e gramíneas.

Em função da sua extensão, o bioma Cerrado não possui uma fitofisionomia (aspecto da vegetação de uma região) única. A vegetação é bastante diversificada, variando de formas campestres, como os campos limpos, à formações florestais e até cerradões.

Esse bioma é constituído predominantemente pelo clima tropical sazonal, caracterizado por invernos secos e verões chuvosos, apresentando precipitação média de 1.500 milímetros por ano.

A temperatura média anual varia em torno de 22º C. Nos períodos de seca, a umidade do ar pode chegar a 15%. A insolação é bastante intensa durante o ano e reduz-se nos períodos chuvosos, em razão da alta nebulosidade.

Os solos do bioma Cerrado caracterizam-se pela sua profundidade, drenagem, e tempo geológico, datados no Período Terciário. Geralmente, eles possuem a cor avermelhada, são porosos e permeáveis, sofrendo intensos processos de lixiviação (lavagem da camada superficial do solo pelo escoamento de águas superficiais) e baixa capacidade de armazenar água.

Apesar disso, o Cerrado é considerado o berço das águas do Brasil, contribuindo com oito das 12 regiões hidrográficas do País. Neste espaço, encontram-se as nascentes das três maiores bacias da América do Sul: Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata, o que resulta em um elevado potencial aquífero.

Classificado como um dos “hotspots” mundiais, ou seja, uma área de grande biodiversidade, — principalmente em espécies endêmicas e que apresentam alto grau de ameaça —, o Cerrado sofre hoje uma excepcional perda de habitat em relação à agropecuária.

Esse avanço coloca em risco aproximadamente 220 espécies de uso medicinal e outras 416 que podem ser usadas na recuperação de solos degradados.

Além disso, a economia e sustento da população local dependem do comércio de mais de 10 tipos de frutos comestíveis, regularmente consumidos e vendidos, como os frutos do Pequi, Buriti, Mangaba, Cajuzinho do cerrado e as sementes do Baru.

Bioma Caatinga

Considerada a única floresta 100% brasileira, este bioma ocupa aproximadamente 10% do território brasileiro. Concentrado principalmente na região Nordeste, ele toma ainda parte do norte de Minas Gerais, com seu domínio morfoclimático marcado pelo clima semiárido e formas de relevo organizadas em depressões, por se tratar de uma área geologicamente antiga.

Esse tipo de clima é definido pelo baixo índice médio de chuvas, geralmente mal distribuídas ao longo do ano, com médias que não costumam ultrapassar os 800 milímetros anuais. Esta característica hídrica influencia diretamente no comportamento dos rios, em sua maioria intermitentes, que secam em algumas épocas do ano.

Apesar disso, é necessário assinalar que a caatinga abriga um dos maiores e mais importantes rios perenes do Brasil, o São Francisco, que tem 80% de suas águas situadas na região. Outro rio importante que corta a área é o Parnaíba.

O clima semiárido da caatinga propicia uma média de chuvas em torno de 800 milímetros por ano. As temperaturas médias anuais variam de 25°C a 30°C. Diante da baixa variação térmica, predominam apenas duas estações, uma quente e seca e outra úmida e quente.

Em alguns períodos, porém, a fase de estiagem pode durar mais de um ano, em função das variações climáticas provocadas por anomalias atmosféricas como o El Niño.

Os solos, por tabela, costumam ser pouco profundos em função da escassez de chuvas. Por isso, há uma forte presença de intemperismos físicos (desgaste dos solos).

Ademais, a falta de chuvas também faz com que os processos erosivos causados pela lixiviação não sejam muito recorrentes.

Apesar da grande quantidade de sais na terra, os solos da caatinga carregam uma grande quantidade de minerais, utilizados para a sobrevivência e manutenção das plantas.

A vegetação apresenta mudanças segundo as oscilações do clima e regimes pluviométricos. Em períodos chuvosos, as árvores ficam repletas de flores e folhas, tornando a composição fitogeográfica mais densa e volumosa.

Essa paisagem também propicia um aumento periódico no número de espécies, que passam a encontrar maior quantidade de alimento e água na região. Por outro lado, nas épocas de estiagem, as árvores secam, transformando-se na paisagem “branca”, característica da caatinga.

Essa perda de folhas é explicada pela estratégia biológica das plantas na retenção de água, o que é fundamental para a perpetuação das espécies.

Assim, o bioma da caatinga é apresentado principalmente pela presença das plantas xerófilas, isto é, uma vegetação que se adapta à escassez de água, como os xiquexique, o mandacaru e outros tipos de cactáceas.

Outros exemplos de espécies vegetais são o juazeiro, a aroeira e a maniçoba. Já na fauna, predomina a presença de répteis e aves. Juntos, eles compõem mais da metade dos mais de 800 tipos de espécies, sendo que 327 delas são endêmicas, exclusivas da região.

Dentre os exemplos de animais, podemos citar os vários tipos de cobras e lagartos, além da asa-branca, sapo-cururu, preás e gambás. É na caatinga também que se encontra a espécie que mais está ameaçada de extinção no Brasil: a ararinha-azul.

O tipo de relevo predominante da caatinga são as depressões, situadas em zonas interplanálticas, que colaboram para ausência de chuvas. Isso porque os planaltos circundantes, como a Borborema e a Chapada Diamantina, impedem a passagem de parte das massas de ar úmido. 

Apesar da aridez do terreno, há algumas regiões localizadas, geralmente próximas a serras, chamadas de brejos, onde a umidade é maior. Nessas zonas, o regime de chuvas costuma ser mais elevado e os solos mais férteis, propícios para a agricultura.

Cerca de metade dos terrenos da Caatinga são de origem cristalina, que não favorece a acumulação de água, sendo a outra metade representada por terrenos sedimentares, que possuem boa capacidade de armazenamento de águas subterrâneas.

O resultado dessa diversidade litológica são as várias formações de relevo encontradas na Caatinga, formada por serras, chapadas, planaltos e a depressão sertaneja.

A caatinga, assim como outros biomas brasileiros, ainda sofre muito com a ação do homem, responsável por dizimar mais da metade de sua formação original. Essa interferência no equilíbrio do ecossistema vem contribuindo para elevar os índices de desertificação da região.

Bioma Pampa

O bioma pampa, também designado de Pampas, Campanha Gaúcha, Campos Sulinos ou Campos do Sul, constituí a porção brasileira dos Pampas Sul-Americanos que se estendem pelos territórios do Uruguai e da Argentina.

No Brasil, ele está totalmente concentrado no estado do Rio Grande do Sul, ocupando uma área de 176.496 km². Essa área representa 63% do território do estado e cerca de 2% do território brasileiro.

Especialistas avaliam que o crescente hábito de monocultura e de pastagem tem contribuído para a degradação da paisagem natural do pampa.

De acordo com estimativas do IBAMA, até 2002 apenas 41,32% da vegetação nativa dos pampas ainda persistia. Em 2008, essa porcentagem caiu ainda mais, para 36,03%.

O clima da região é temperado, tendendo a ser subtropical ao norte e semiárido na parte oeste. As temperaturas entre o inverno e o verão sofrem grandes variações e as quatro estações do ano são bem definidas.

No verão, a temperatura varia na média dos 28°C e 33° graus. Já no inverno, os termômetros costumam registrar entre 12 °C e 19 °C durante o dia e entre 1°C e 6 °C durante a noite.

Na parte sul e na parte oeste dos pampas, a temperatura pode chegar aos -10 °C, e nessas situações ocorrem geadas, com possibilidade de precipitação de neve.

A primavera e o outono costumam ser mais amenos e marcados por uma intensa temporada de chuva. O índice de precipitação varia entre 600 e 1.200 milímetros, que costumam ser distribuídos ao longo do ano, mantendo o solo sempre fértil para a pastagem e a agricultura.

Considerado um patrimônio natural, o pampa gaúcho concentra boa parte do Aquífero Guarani, o segundo maior aquífero do mundo. Estima-se que esse reservatório tem quantidade de água suficiente para abastecer a população brasileira por cerca de 2.500 anos.

A vegetação dos pampas é majoritariamente composta por gramíneas e plantas rasteiras. Árvores e pequenos arbustos também podem ser encontrados na região, mas em menor número e de maneira esparsa.

Estima-se que a flora dos pampas abrace cerca de 3.000 espécies de plantas entre campos nativos, matas e afloramentos rochosos. Alguns dos exemplos mais encontrados são o nhandavaí, a palmeira anã, a capim-forquilha, a grama-tapete, a angico-vermelho, as cactáceas, a timbaúva, as araucárias e o algarrobo.

A fauna, também rica em biodiversidade, conta um número abundante de espécies. Dentre os mais encontrados no espaço estão os veados, as capivaras e pequenos roedores, como o tuco-tuco, uma espécie endêmica da região.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a vegetação do Bioma Pampa se divide em Estepe, Savana Estépica, Floresta Estacional Semidecídua, Floresta Estacional Decidual, Formações Pioneiras e Floresta Estacional.

Além disso, a região é formada por quatro conjuntos que caracterizam seu relevo: Planalto da Campanha, Depressão Central, Planalto Sul-Rio-Grandense e Planície Costeira.

Em sua maior parte, destaca-se o relevo de planícies, constituído de áreas de pastagens, onde se desenvolvem grandes rebanhos pastoris. Desta feita, a principal atividade econômica do local se baseia na pecuária extensiva, com destaque para a criação de gado e ovelha, e produções agrícolas, principalmente com o cultivo da soja, do arroz, do milho, do trigo e da uva.

Bioma Pantanal

Também conhecida como “a maior planície alagada do mundo”, o bioma Pantanal toma uma área de cerca de 250 mil Km², estendendo-se pela Bolívia, Paraguai e Brasil. Aproximadamente 62% do bioma está inserido nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sendo considerado o menor em extensão territorial brasileira.

Localizado na parte central da bacia hidrográfica do Alto Paraguai, o Pantanal é influenciado pelas cheias do rio Paraguai e seus vários afluentes, que alagam a região em determinadas épocas do ano, formando extensas áreas alagadiças.

Assim, o Pantanal é caracterizado pela alternância entre períodos de muita chuva, que acontecem de outubro a março, e longos períodos de seca, que duram de abril a setembro.

Seu solo, arenoso e argiloso, também contribui para o alagamento da região. As primeiras chuvas são rapidamente absorvidas pelo solo. Com o umedecimento da terra, várias espécies da fauna rebrotam e a planície se torna verde.

Em poucos dias, o solo não consegue mais absorver a água, que passa a se acumular nas áreas mais baixas do espaço. Com a elevação do nível dos rios e lagoas, ocorrem enchentes e o Pantanal se transforma em um enorme alagado.

Por outro lado, durante a seca, a água fica restrita aos leitos dos rios e lagoas. A fauna e a flora aproveitam a umidade retida no solo e utilizam as águas depositadas nas reservas das áreas mais baixas, permanecendo próspera durante os períodos de menor precipitação pluvial.

O clima do Pantanal é predominantemente Tropical Continental marcado pelas altas temperaturas e o grande índice pluviométrico, com verão quente e chuvoso e inverno frio e seco.

Ainda em relação ao clima, a região possui temperaturas com médias de 32 º C graus no verão e 21º graus no inverno. A umidade, por sua vez, varia de acordo com os meses do ano, com precipitação anual girando em torno de 1.000 a 1.400 milímetros.

Segundo pesquisas, o bioma Pantanal possui aproximadamente 1.000 espécies de borboletas, 650 de aves, 120 de mamíferos, 260 de peixes e 90 de répteis. Na fauna do ecossistema pantaneiro destacam-se os tucanos, as garças-brancas, as capivaras, os carcarás, os jacarés-do-papo-amarelo e as sucuris.

Quanto a flora, é comum a presença de formações vegetais como o carandazal, formado pelas palmeiras carandá, e o buritizal, onde predominam os buritis.

Atualmente, o bioma  mantém 86,77% de sua cobertura vegetal nativa. A maior parte  dos 11,54% do bioma alterados pela ação antrópica (do homem) é utilizada para a criação extensiva de gado em pastos (10,92%); sendo que apenas 0,26% é usado para lavoura.

Uma característica interessante do bioma pantaneiro é que muitas espécies ameaçadas em outras regiões brasileiras persistem em populações avantajadas na região, como o tuiuiú, ave-símbolo do Pantanal.

Segundo a Embrapa Pantanal, quase duas mil espécies de plantas já foram identificadas no bioma e classificadas de acordo com seu potencial, e  algumas apresentam amplo potencial medicinal.

Apesar de sua riqueza exuberante, o bioma vem sendo bastante impactado pela ação humana. As maiores ameaças desse bioma são o desmatamento e o manejo irregular de terras para agropecuária.

A construção de hidrelétricas e o crescimento urbano e populacional também são responsáveis pela alteração e desequilíbrio da biodiversidade local.

Biomas aquáticos

Além dos grandes biomas terrestres, existem no Brasil diversos biomas aquáticos que são classificados de acordo com o ecossistema da região.

Fazem parte dos biomas aquáticos os lagos, rios, mares e oceanos. As águas paradas são classificadas de lênticas e as correntes como lóticas. 

  • Biomas Lênticos

Os ambientes lênticos são formados pelos lagos mais profundos e têm maior área que as lagoas. Vários fatores podem levar à formação dessas águas paradas, como um canal que se enche de água naturalmente, até a construção de uma região de água parada, criada pelo homem

Normalmente os lagos e lagoas apresentam três regiões distintas: uma região junto à margem, onde há grande incidência de luz e chegada de nutrientes da orla.

À parte central do lago, a "água aberta" onde chega a luz (zona limnética) e a zona profunda, que se localiza abaixo da zona limnética, onde a luz não chega.

  • Biomas Lóticos

Os ambientes lóticos são definidos pelos cursos d'água (rios e correntezas), que desde a nascente até a foz, apresentam-se de formas muito diferentes.

Na região inicial as águas são mais velozes e os leitos pouco profundos. Enquanto no curso final, as águas são mais lentas e os leitos menos profundos.

Há diversos tipos de cursos de água e eles podem ser divididos em pântanos, de águas negras, que drenam terras úmidas e recebem principalmente águas de chuva.

Há também os cursos montanhosos, com águas turbulentas e que formam sedimentos finos na superfície. Os rios, que drenam áreas de solo argiloso, que tendem a ser turvos e contribuem com a fertilidade do solo local.

Os rios de mananciais, que recebem grandes quantidades de águas limpas e se filtram na terra, podendo constituir cursos subterrâneos. E finalmente os rios de maré, que correm para o mar e sofrem os efeitos das marés nas regiões mais baixas.

Atual situação dos biomas brasileiros

Os biomas brasileiros, assim como todos os biomas do mundo, enfrentam inúmeros desafios frente ao avanço populacional sobre as áreas dos espaços naturais.

Além disso, os biomas sofrem com o abuso da retirada dos recursos naturais não repostos e a falta de medidas sustentáveis para a preservação do meio que compõe a rica biodiversidade do globo.

No Brasil, a falta de leis e políticas públicas para o meio ambiente e a permissividade de governos que beneficiam a bancada da agropecuária, permitem que a ação antrópica devaste milhares de hectares de biomas brasileiros todos os anos.

Em nome da produção constante e do consumo desenfreado, o ser humano arrisca o equilíbrio do ecossistema, alternando características naturais dos biomas brasileiros.

As consequências podem ser observadas cotidianamente, com o aumento das temperaturas, a ocorrência de enchentes, o empobrecimento do solo e o desaparecimento de espécies, que prejudicam a própria qualidade de vida do homem.

A seguir, o estudo irá abordar a atual situação de cada um dos biomas brasileiros. Confira:

Bioma Amazônia

Dados recentes revelam que a destruição do bioma amazônico segue em ritmo acelerado no Brasil. Uma pesquisa de monitoramento por satélite realizada no ano passado, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que a taxa de desmatamento na Amazônia aumentou 34% nos últimos 12 meses, ante o mesmo período do ano anterior.

A comparação refere-se ao período de agosto de 2019 a julho de 2020, que é o calendário oficial de monitoramento da Amazônia, usado pelo Inpe para calcular as taxas anuais de desmatamento.

Durante esse período de 12 meses, mais de 9,2 mil quilômetros quadrados de floresta foram derrubados, o que equivale a uma área seis vezes maior que o município de São Paulo.

Bioma Mata Atlântica

O relatório do Atlas da Mata Atlântica, divulgado pelo INPE e a fundação SOS Mata Atlântica em 2020, também mostra um preocupante crescimento do desmatamento da Mata Atlântica recentemente.

Entre 2018 e 2019, a devastação aumentou 27,2%, na comparação com igual período de 2017 a 2018. Esse percentual corresponde a um total de 14.500 hectares da região.

O estado que lidera o ranking dos que mais devastaram este bioma é Minas Gerais, com uma perda de quase 5.000 hectares de floresta nativa. A lista é seguida pela Bahia e o Paraná, em terceiro lugar.

Juntos, os três líderes aumentaram o desflorestamento em 47%, 78% e 35%, na comparação com o período anterior. Os estados do Piauí e Santa Catarina também aparecem na ficha, com crescimento de 26% e 22%, respectivamente.

Bioma Cerrado

Inúmeras espécies de plantas e animais correm risco de extinção no bioma do Cerrado. Estima-se que 20% das espécies nativas e endêmicas não possam mais ser encontradas em áreas protegidas e pelo menos 137 espécies de animais encontradas no ambiente estejam ameaçados de extinção.

Atualmente, o Cerrado é o bioma brasileiro que concentra o maior rebanho bovino, cerca de 36% de todo o gado do país, e onde mais se produz soja, mais de 63% de todo o grão brasileiro.

Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Desde a década de 1970, o Cerrado vem sendo degradado pela expansão da fronteira agrícola brasileira.

Em menos de 50 anos, quase 50% da vegetação original desapareceu e 30% da área virou pasto. Além disso, o bioma Cerrado é palco de uma exploração extremamente predatória de seu material lenhoso, remanejado para a produção do carvão.

Bioma Caatinga

Apesar do cenário seco e resistente da caatinga é a própria ação humana que têm colocado a caatinga em risco. Em alguns lugares, a situação é tão alarmante que chega a um estágio quase irreversível da desertificação.

De acordo com estimativas do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens e Satélites (Lapis), ligado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal), 12,85% do bioma Caatinga enfrenta o processo da desertificação, ou seja, mais de 126 mil quilômetros de área estão se transformando em deserto, segundo monitoramento realizado entre 2013 e 2017.

O processo da desertificação do solo é um fenômeno de empobrecimento do solo e diminuição da umidade e riqueza de minerais em terras arenosas, localizadas em regiões de clima subúmido, árido e semiárido.

Além disso, a Caatinga enfrenta historicamente a escassez dos recursos hídricos e o baixo investimento em tecnologias, o que dificulta a sobrevivência da população local, que regularmente sofre com a falta de água potável para o consumo humano, animal, bem como de irrigação de plantios. 

Bioma Pampa

Recentes estudos expõem que a preservação do Bioma dos Pampas não tem sido prioridade para as autoridades governamentais. Um monitoramento do Inpe, inclusive, revela que somente 47,3% da vegetação nativa está preservada.

Os dados também alertam para o aumento do número de queimadas nos oito primeiros meses de 2019, na comparação com igual período de 2018, saltando de 593 para 981 focos de incêndio, o que resume um crescimento de 65%, o maior índice desde 2009.

A região, de solo arenoso e suscetível à erosão, também sofre com o processo de desertificação. As queimadas, por sua vez, muitas vezes provocadas intencionalmente por ação antrópica, visam ampliar os campos de pecuária e agricultura.

Uma das principais causas do risco ambiental sofrido hoje pelos pampas é a invasão da monocultura do eucalipto e a instalação de barragens visando à ampliação das áreas de arroz irrigado. 

Bioma Pantanal

O bioma Pantanal passa atualmente pela sua fase mais crítica das últimas décadas. No ano passado, a biodiversidade local enfrentou uma de suas maiores secas da história recente, além do pior período de queimadas desde o fim dos anos noventa.

A atual situação do Pantanal, maior área alagada do planeta, preocupa os ambientalistas. Nos primeiros sete meses de 2020, o principal rio do Pantanal atingiu o menor nível em quase cinco décadas.

Enquanto o desmatamento cresceu e os incêndios se multiplicaram, a fiscalização por parte do poder público, segundo entidades que atuam na preservação da área, recrudesceu.

Bombeiros tentam apagar os focos de incêndio no Pantanal. Foto: Divulgação/Governo MS

Dados do Inpe indicam que os primeiros sete meses de 2020 foram os que registraram mais queimadas no comparativo do mesmo período em anos anteriores.

Em julho do ano passado, a região enfrentou a maior devastação pelo fogo nos últimos 22 anos, com 1.684 focos de queimadas. Além da seca, a zona também enfrenta a ação do homem, que avança sobre o terreno para aumentar as áreas de pastagem.

Curiosidades

  • O Rio Amazonas, do bioma Amazônia, é o segundo rio mais extenso do planeta, perdendo apenas para o Rio Nilo, no Egito. Sua extensão tem quase a mesma distância do centro do Brasil até o centro do México.
  • A Sucuri, também conhecida como Anaconda, é uma das moradoras da Floresta Amazônica. Ela é considerada a maior cobra do mundo na relação peso-comprimento, podendo chegar a 9 metros e pesar até 135 quilos.
  • A erva-mate, produto típico da Mata Atlântica, emprega direta e indiretamente cerca de 700 mil pessoas, o equivalente à indústria automobilística no Brasil.
  • Outro exemplo é a castanha de caju, encontrada na Mata Atlântica, que representa 40% das exportações do Ceará.
  • Cerrado também é conhecido por muitos como a “caixa d'água do Brasil”. Esse apelido se deve ao fato do bioma ser o berço de vários rios brasileiros, abrigando nascentes e leitos de oito bacias hidrográficas dentre as doze que existem no país.
  • No idioma tupi, Caatinga quer dizer “Mata Branca”, referência à vegetação sem folhas que predomina durante a época de seca.
  • O termo Pampa é de origem indígena e significa "região plana".
  • A cada 24 horas, cerca de 178 bilhões de litros de água entram na planície do Pantanal.
  • O tuiuiú, ave-símbolo do Pantanal, tem mais de 2 metros de envergadura com as asas abertas.
  • Outro animal impressionante do Pantanal, o jaú (bagre gigante), pode chegar a 1,5 metros de comprimento e 120 quilos, sendo o maior peixe da região.

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