Lei de Dollo

Teoria do biólogo e naturalista belga Louis Dollo, datada do século 19, a Lei de Dollo defende que a evolução é irreversível.

Também conhecida como lei da irreversibilidade da criação, a Lei de Dollo defende que a perda de estruturas complexas, a exemplo dos membros, olhos e dentes, não tem volta. Ou seja, no processo de evolução e seleção natural, uma vez que uma estrutura seja deixada para trás, não se torna possível recuperá-la, pelo menos não em sua forma original. E isso mesmo que o indivíduo encontre condições de existência idênticas às que encontrou no passado.

A teoria foi apresentada na década de 1890, pelo biólogo e naturalista belga Louis Antoine Marie Joseph Dollo, que se dedicava, principalmente, aos estudos paleontológicos, tomando fósseis como referência.

Na verdade, a Lei de Dollo é uma regra apoiada em probabilidades estatísticas e, portanto, como qualquer probabilidade, está sujeita a exceções. É por esse motivo que, com o passar do tempo, a teoria já foi desafiada e refutada algumas vezes pela ciência.

Contestações à Lei de Dollo

A Lei de Dollo foi a base teórica utilizada para as reflexões sobre um processo conhecido como atavismo. Essa condição é usada para explicar casos nos quais a característica de um ascendente remoto permanece latente em um organismo, por uma série de gerações, e volta a aparecer, em baixa frequência, em membros individuais de uma população.

Da mesma maneira que há uma infinidade de exemplos que ajudam a confirmar a hipótese de Dollo, como o fato de cobras não terem readquirido os seus membros ao longo dos anos, ou as aves não voltarem a contrair seus dentes, o contrário também é válido.

A existência de linhagens de lagartos com membros reduzidos é um exemplo que mostra como essa volta é possível, de alguma maneira. Biólogos da Universidade de São Paulo (USP) estudaram 15 espécies do gênero Bachia, que têm na América do Sul o seu hábitat natural. Eles constataram que as espécies mais antigas tinham membros com cinco dedos e as mais recentes, quatro, três, dois e, novamente, três.

Segundo os estudiosos, é possível, portanto, notar uma reversão, já que a informação genética não se perdeu. Porém, os dedos ressurgidos não são exatamente iguais aos antigos. Assim, esse processo estaria mais no caminho de uma nova evolução e não necessariamente significaria uma refutação da teoria belga.

Exemplos como esse demonstram o quanto é importante considerar a restrição colocada na afirmativa de Dollo em seu postulado científico: a estrutura não volta, pelo menos não da mesma maneira. De onde se pode supor que há o caminho livre para o retorno de determinada característica, mas a sua configuração terá sofrido algum tipo de mudança.

Outro ponto de vista

Para o estudioso e professor da Universidade do Oregon (nos Estados Unidos) Joseph Thornton, “a evolução cruza pontes e as queima”. O acadêmico não descarta totalmente a possibilidade de o processo seletivo ser revertido, mas pondera que isso só aconteceria com a evolução de traços simples ou que envolvam apenas uma mutação.

Status atual

Apesar das contra argumentações existentes, a Lei de Dollo ainda é considerada válida para propósitos científicos.

Por Crislayne Andrade