Antissemitismo

Saiba mais sobre o antissemitismo e esclareça as suas dúvidas sobre o assunto.

O termo antissemitismo foi usado pelos alemães para designar o “ódio aos judeus”, preconceito à sua cultura, etnia e sociedade judaica.

Na sua etimologia, o termo significa “aversão aos semitas”, que eram os descendentes de Sem, filho de Noé. Porém, os semitas abrangem vários povos como hebreus, arameus, fenícios, árabes e assírios, o que torna o uso da palavra antissemitismo incorreto, pois nem todos esses povos são judeus.

A origem do ódio pelos judeus é difícil de explicar. Os judeus são descendentes dos hebreus, que na tradição cristã, é o povo escolhido por Deus. Eles desenvolveram uma cultura e religião milenar, que ao longo da história sempre sofreu preconceito e perseguição.

Na antiguidade, os judeus eram tratados com frieza, romanos, gregos e babilônios tentaram impor sua cultura e religião, proibindo os cultos religiosos e destruindo seus templos.

Na Idade Média, a Igreja Católica detentora do poder político, cultural, econômico e religioso, impôs perseguição aos judeus através das Cruzadas e da Inquisição, colocando sobre eles a responsabilidade sobre a morte de Jesus e criticando o fato deles não o verem como filho de Deus, mas como um profeta que realizou prodígios em nome de Jeová. Eram vistos como inimigos da fé cristã.

Na Idade contemporânea, o episódio antissemita mais marcante da história, foi o nazismo criado por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha, mas o comportamento preconceituoso contra esse povo, minoria dentro do território alemão, é mais antigo. Desde o século XI há uma separação deles do restante da população alemã de maioria cristã.

Em uma Europa de maioria cristã, os judeus sempre viviam como minoria e eram vistos como intrusos e inimigos. Esse cenário melhora com a Revolução Francesa e Industrial, que traz ideias de liberdade e igualdade, dando a esse povo os mesmos direitos civis que tinham os demais, contudo, não demoraria a volta da perseguição.

O final do século XIX e início do século XX é um período marcado pelo imperialismo das nações europeias, que queriam conquistar novos territórios coloniais na África e Ásia depois da perda das colônias americanas que se tornaram independentes.

Para justificar a dominação dessas nações, os grandes impérios europeus criaram um discurso de que os brancos eram uma raça superior e que tinha o dever e o direito de dominar raças inferiores e sem civilização que habitavam o continente africano e asiático. O discurso de superioridade de raças, fez com que os judeus fossem vítimas de políticas antissemitas novamente.

No final do século XIX na Áustria, Karl Lueger foi eleito prefeito utilizando propaganda antissemita ao colocar nos judeus a culpa pelo baixo desempenho econômico do país.

Foi nesse contexto que Adolf Hitler iniciou sua vida política com forte influência de ideias antissemitas. Ao sair derrotado da Segunda Guerra Mundial, Hitler não aceitou a perda e culpou os socialistas, comunistas e judeus, considerados por ele como traidores, mesmo que milhares de judeus alemães e austríacos tenham lutado na guerra.

Hitler filiou-se ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, conhecido como Partido Nazista, ganhando notoriedade com seus discursos inflamados sobre a raça ariana superior e ataques antissemitas contra judeus.

Ele ganhou também poder e atuou contra a República de Weimar (governo alemão do pós-guerra que aceitou a pena imposta à Alemanha pelo Tratado de Versalhes), tentando derruba-lo. Foi preso e nesse período escreveu Mein Kampf, livro onde aborda suas ideias políticas racistas e antissemitas.

A Crise da Bolsa de Nova York em 1929 desestabilizou toda a economia mundial e piorou ainda mais a situação da Alemanha, o que facilitou a propagação das ideias de Hitler e a chegada ao poder do partido Nazista em 1933.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o antissemitismo foi ao seu ápice com o holocausto. O Holocausto foi marcado pelos campos de concentração, câmaras de gás, tortura e experiências científicas proibidas e várias outras atrocidades que mataram cerca de 6 milhões de judeus em toda Europa. Após o final da guerra ficaram resquícios desse ódio em alguns países.

Muitas são as hipóteses criadas para justificar o antissemitismo como a econômica que diz que os judeus são odiados por terem dinheiro e poder; pela raça, considerada inferior; por se proclamarem “o povo escolhido por Deus”; por serem responsáveis por todos os problemas do mundo e por serem diferentes do resto do mundo.