Comunismo

Comunismo é uma forma de pensamento político de caráter socioeconômico, cuja ideologia busca o estabelecimento de uma sociedade mais igualitária.

Comunismo vem do latim comunis, ou seja, aquilo que é comum a todos. Do ponto de vista socioeconômico, seria um sistema de governo onde tudo é repartido de forma igual, partindo de um princípio onde não existiria propriedade privada. Esse ideal de igualdade, no seu sentido original, busca desenvolver uma sociedade onde seria possível diminuir as desigualdades sociais.

Ao contrário do que alguns possam pensar, o comunismo não é um pensamento da sociedade contemporânea, pois já foi defendido e discutido por filósofos de séculos passados. Apesar disso, sua filosofia é imediatamente associada aos pensadores Friedrich Engels e Karl Marx

É interessante observar que tanto do ponto de vista etimológico quanto do próprio conceito em si, a teoria do comunismo parece bastante agradável à primeira vista. Ao citar Marx, por exemplo, o filósofo defendia uma sociedade onde não haveria distinção entre trabalho manual e intelectual. A constante evolução da tecnologia propiciaria uma diminuição do tempo necessário ao trabalho, fazendo com que, consequentemente, o homem pudesse usufruir de um pouco mais de tempo para si.

Marx defende ainda que os efeitos desse pensamento tornariam o homem inalienado do próprio trabalho e de questões como política, arte, cultura etc.. A partir de então se estabeleceria a consciência autêntica das relações de caráter social, cultural e político e assim estariam findadas as distinções de classe, fazendo com que o poder se concentrasse nas mãos dos indivíduos e, como consequência, teríamos a queda do sistema político e do Estado. Obviamente, o pensamento comunista já foi discutido, rebatido, principalmente pelos chamados “capitalistas”, e ainda há aqueles que defendem a não associação do pensamento comunista ao pensamento socialista.

Detalhes do comunismo

É interessante frisar que o comunismo como ideologia social possui elementos racionais, emotivos, ou mesmo míticos. Se observarmos apenas do ponto de vista doutrinário ou filosófico, caracterizaríamos esse pensamento a partir da idealização feita por Platão há 25 séculos. Do mesmo modo, seria possível até mesmo pensar numa possibilidade teórica utópica tal como a de Thomas More e Campanella: de uma ilha cuja ausência de cidades-ideais ocasionaria no despojamento natural dos bens próprios.

Mas, considerando os pensamentos de Marx e Engels, principais pensadores da teoria, o pensamento comunista encaixa-se na tese de idealismo absoluto, propondo um pensamento cujas ideias se separam da matéria. Alguns defendem que o comunismo, apesar de ter como principais idealizadores os pensadores citados, se tornou uma teoria que aos poucos foi vista como “a criatura que se libertou do criador”, se transformando num sistema cuja forma abstrata foi absorvida e recriada em cima de um sistema de sede de poder. Isso mais tarde se chamaria "Estado soviético", dando início à URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), como ficou conhecida, tendo como precursores, Lenin e Stalin.

Segundo o próprio pensamento de Lenin (1870 – 1924), a doutrina de Marx e Engels poderia assumir a sucessão de quatro grandes tradições de pensamento ocidental. Para ele, os pensamentos de Heráclito, Demócrito, Epicuro passam de forma gloriosa por d'Holbach, Helvetius, Diderot, atravessando vitoriosamente o ambíguo Hegel, e os pensamentos de Feuerbach e Tchernishevski, desembocam finalmente em Marx e Engels.

Do mesmo modo, Lenin ainda defendia a tese de que, de uma forma comparativa, assim como Darwin (considerado o pai da teoria evolucionista) desbancou a concepção na qual as espécies de animais e plantas de modo algum estão ligadas entre si, Marx pôs fim à tese da sociedade como agregado mecânico de indivíduos, cujas transformações se dão ao gosto das autoridades, mas que nasce e se transforma segundo o acaso, estabelecendo um conceito científico à sociologia com perfil de formação econômica.

Além da União Soviética, um dos países mais conhecidos a adotar o chamado comunismo científico (como foi definido através da teoria de seus principais pensadores, já citados acima), foi a China, ou, como ficou conhecida na época, a República Popular da China.

Embora haja ainda muitas controvérsias para o tema, numa perspectiva de pensamento mais explicativo, o comunismo é considerado hoje como o a etapa final do socialismo. Visto por este ângulo, a doutrina comunista começaria, em primeira fase, com o pensamento socialista de extinção do Estado através da estatização das propriedades privadas, e por último, a gerência do Estado a partir do controle centralizador de um partido político.

Dessa forma extinguiriam-no definitivamente, e o poder seria entregue ao povo. Em suma, não existiriam mais propriedades privadas, tudo seria de posse pública, mas ainda assim, sem a interferência direta do Estado. Esta teoria ficou conhecida como a doutrina do Estado natural.

Os muitos estudos e teses que visam explicar a eficácia da teoria do comunismo ainda hoje têm gerado inúmeros adeptos e simpatizantes. No Brasil é defendida por alguns partidos políticos (como o PCB, por exemplo), mesmo considerando que o nosso país possui um sistema deveras capitalista. Quanto ao fato de ser uma teoria falha ou não, é importante observar mais os efeitos causados nos países que o adotaram, do que propriamente a beleza de sua filosofia...