Estado Islâmico

Processos políticos que estimularam a criação da organização terrorista conhecida como a mais temida do cenário mundial.

O Estado Islâmico é uma organização jihadista islamita considerada por muitos países e pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um grupo terrorista. Sua origem remonta ao início da invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América, no ano de 2003.

Os princípios do Estado Islâmico

O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS), também denominado pelo acrônimo Da'ish ou Daesh, nasceu como uma derivação do Grupo Terrorista Al-Qaeda. Seu surgimento foi uma forma de reação à violência dos invasores norte-americanos, estando os processos políticos de sua criação diretamente relacionados com a crise política que se desencadeou no Iraque após o início da guerra no país.

Os princípios ideológicos dessa organização são fundamentados na doutrina pan-islâmica de Sayyid Qutb, também conhecida como a Irmandade Muçulmana, e nos princípios do Wahabismo. Essa organização é uma entidade de origem islâmica radical Uaabita e Sunita, fundada em 1928, que despreza qualquer tipo de influência ocidental que tem como objetivo "resgatar" os ensinamentos do livro sagrado Corão.

Por sua vez, o Wahabismo surgiu no século XVIII a partir das pregações do profeta Muhammad ibn ‘Abd al-Wahhab, conhecido por defender a purificação da fé islâmica por meio do retorno das práticas do islamismo do século VII. A principal ideologia wahabista é a interpretação literal dos mandamentos do Corão.

Propósitos e alvos do Estado Islâmico

Seu principal objetivo é a fundação de uma nação islâmica, por meio da expansão de seu califado pelo Oriente Médio. O califado é uma linha de sucessão criada pelos islâmicos após morte do Profeta Maomé, sendo ele um novo sistema de governo monárquico, de acordo com a lei islâmica (Sharia).

Seguindo essa linha de pensamento, o grupo sunita Estado Islâmico do Iraque e da Síria anunciou, em agosto de 2014, que o líder Abu Bakr al-Baghdadi autoproclamou-se Califa (chefe de Estado) da região localizada ao noroeste do Iraque e na região do centro da Síria.

Outro intuito do grupo é o estabelecimento de conexões mundiais, principalmente na Europa, com o objetivo de cometer ataques terroristas a fim de mostrar sua autoridade para o mundo. Esse propósito é pautado na concepção de Jihad, ou Guerra Santa para o Islamismo.

Para tal expansão desse modelo teocrático islâmico, frequentemente são utilizados jovens, muitas vezes simpatizantes de origem ocidental, para integrar o grupo auxiliar no propósito jihadista. Esses jovens passam por diversos treinamentos, que visam promover os mais diversos tipos de ataques terroristas pelo mundo.

Apesar de parecer que a Europa é o maior alvo dos ataques autoproclamados pelo Estado Islâmico, isso não corresponde à realidade. De acordo com o relatório "Country Reports on Terrorism 2015", publicado pela Secretaria de Estado dos EUA em julho de 2016, o Iraque é o país com o maior número de atentados do Estado Islâmico. Os ataques ocorridos na Europa são apenas mais noticiados.

Até o ano de 2015, foram registradas 57 tentativas ou ataques concretizados em toda a Europa, enquanto no Iraque foram 2.418, no Paquistão 1.009, na índia 791, no Egito 494, na Líbia 428 e na Síria 382.

Domínio e destruição

Assim que algum território é conquistado pelo EI, bandeiras pretas são hasteadas no topo de seu prédio mais alto, e é iniciada uma campanha para conquistar a simpatia de seus habitantes por meio da prestação de serviços sociais.

A propaganda é um dos instrumentos mais eficazes na consolidação da conquista de um território pela organização. São distribuídos pen drives com hinos jihadistas e vídeos que exibem as ações militares do grupo, bem como folhetos que combatem a democracia.

Nessa fase, a lei islâmica começa a ser imposta gradualmente como a única e essencial a ser seguida. O próximo passo é a destruição de obras religiosas pré-islâmicas, especialmente as estátuas, que são consideradas como idolatria pelo grupo.

Por esse motivo, os membros do Estado Isâmico costumam destruir inúmeros sítios históricos dos territórios que dominam, a exemplo dos milenares templos de Bel e de Baalshamin, dois dos mais perfeitamente conservados monumentos da era romana; e do Arco do Triunfo, ambos na cidade síria de Palmira.

Uma amostra de tal destruição é um vídeo que circula na web. Nele, um membro do EI é mostrado destruindo, a tiros de fuzil, várias antiguidades no sítio arqueológico de Hatra, localizado no Iraque. Na filmagem, o integrante declara que o grupo o enviou ao local a fim de destruir estes ídolos, pois são venerados no lugar de Deus.

Segundo a Unesco, o Estado Islâmico destrói sítios históricos do Iraque e vende suas antiguidades a fim de se auto financiar. A destruição de sítios arqueológicos é considerada pela agência da ONU um crime de guerra.

A decadência do grupo

O EI chegou a dominar várias cidades iraquianas, a exemplo de Mossul, Kirkuk, Tal Afar e Tikrit. Pelo menos 8 milhões de pessoas viveram em áreas sob o controle total ou parcial da organização, e uma enorme quantidade delas migrou dessas cidades para outras regiões, a fim de escapar dessa atroz expansão.

Contudo, o poder do EI está sendo descentralizado em várias cidades do Iraque e da Síria. Algumas foram reconquistadas pelos exércitos iraquiano e sírio, enquanto outras foram controladas por milícias paramilitares.

Na Síria, a situação é ainda pior para o grupo, pois as tropas do antigo regime são apoiadas pela Rússia, e a aliança árabe-curda tem o apoio dos Estados Unidos. Em Mossul, ele perdeu o controle sobre a maior parte da cidade, mas ainda possui uma zona de resistência, que pode estar prestes a ser controlada.

  • Kirkuk foi controlada em março de 2017 pelos Curdos, um povo sem Estado, de maioria muçulmana sunita e minoria não-muçulmana, que possui formações políticas laicas.
  • Tal Afar continua sob domínio do Estado Islâmico
  • Tikrit foi controlada por um grupo paramilitar xiita iraquiano, o Rede Khazali.

Atualmente, o Estado Islâmico possui um domínio territorial cerca de 14% menor do que controlava no final do ano de 2015, principalmente nos territórios do Iraque e da Síria. Porém, sua influência e presença pode ser encontrada em vários outros países do Oriente Médio e da África.