As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)

Este é o principal grupo revolucionário da Colômbia. Entenda o contexto histórico em que o grupo surgiu e saiba como está hoje, após o acordo de paz de 2016.

FARC é o acrônimo para Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e é também conhecida como o Exército do Povo (FARC-EP). Trata-se de uma guerrilha revolucionária que luta contra o governo colombiano, buscando a implantação do socialismo, assim como ocorreu em Cuba através de Fidel Castro e Che Guevara.

Apesar de lutar contra o governo da Colômbia, as FARC possuem redes no Peru, na Venezuela, na Argentina, no Paraguai e até mesmo no Brasil. Seu fundador foi Manuel Marulanda Vélez, o Tirofijo e atualmente é comandada por Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido por Timoleón Jiménez ou Timochenko. Após acordo de paz em 2016, as forças armadas deixaram de existir, se tornando um partido político.

A história da FARC

As FARC foram fundadas em 1964 por Manuel Marulanda Vélez, o Tirofijo, mas para entender sua história precisamos voltar alguns anos no tempo, visto que seu início foi fundamentado nas guerras civis colombianas.

A guerra dos mil dias: ocorreu na Colômbia entre os anos de 1899 e 1902. Foi um conflito entre duas alas que governavam a Colômbia. A motivação para esta guerra foi a queda do preço do café colombiano. Neste período houve o surgimento de milícias e estima-se que as mortes eliminaram cerca de 4% da população de toda a Colômbia.

Após mais de 50 anos de domínio conservador no comando do país, finalmente em 1930 os liberais chegaram ao poder. Em 1933 é fundada por Jorge Eliécer Gaitán a Unión Nacional de la Izquierda Revolucionaria.

Em 1946 os conservadores voltam ao poder e com isso Gaitán se candidata a presidente da Colômbia, sendo assassinado em 1948.

  • O bogotazo: com o assassinato de Gaitán se dá o bogotazo, uma revolta popular que destruiu quase toda a capital colombiana, deixando milhares de mortos. Esta revolta ocorreu em 09 de abril de 1948.
  • La violencia: em sequência ao bogotazo se inicia a chamada "la violencia" uma guerra civil ocorrida entre liberais e conservadores e que durou cerca uma década, entre os anos de 1948 e 1958. Estes conflitos se deram nas zonas rurais e durante ele cerca de 200 mil pessoas foram assassinadas.

Neste período, começam a surgir diversas milícias, tanto ligadas ao governo como ligadas a grupos de esquerda.

Em 1953 o general Gustavo Rojas Pinilla deu um golpe militar contra o presidente conservador Laureano Gómez. O governo militar vai até 1958 e o seu objetivo, segundo os militares, era pacificar o caos que o país estava vivendo na época.

Em 1958 grupos conservadores e liberais chegam a um acordo e decidem criar em conjunto um só governo, que ficou conhecido como a Frente Nacional.

O governo colombiano era apoiado pelos Estados Unidos e iniciaram uma repressão aos grupos de esquerda, que por sua vez, tentavam derrubar o governo.

Em 1964 Manuel Marulanda, o Tirofijo, finalmente funda as FARC, uma guerrilha armada de esquerda que tinha como objetivo derrubar o governo. O grupo foi braço do Partido Comunista Colombiano (PCC) e a fundação das FARC se dá quando o governo envia cerca de 16 mil soldados para as regiões rurais de Marquetalia.

No ano seguinte à sua fundação, é realizada a “Primeira Conferência Guerrilheira”, onde o grupo faz um levantamento do que aconteceu em 1964 e o movimento adota o nome de "Bloco Sul".

A “Segunda Conferência Guerrilheira” se realiza em 1965 e o "Bloco Sul" assume o nome de Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (FARC), que contava com cerca de 350 guerrilheiros.

O acordo de paz

Após 52 anos de conflito e com uma estimativa de mais de 250 mil mortos, foi assinado em 2016 o acordo de paz entre as FARC e o governo colombiano. Durante o ato, o então líder Timochenko pediu perdão para as famílias das vítimas.

Com a assinatura do acordo de paz, as FARC, até então conhecida com Forças Armadas Revolucionárias se transformam em Força Alternativa Revolucionária do Comum, um partido político que tem como objetivo chegar à presidência do país.

Entretanto, não é possível afirmar que houve o fim das FARC. Com a assinatura do acordo, cerca de 7 mil integrantes se desarmaram, entretanto, 1.100 rebeldes (segundo números do governo colombiano) se recusaram ao acordo e continuam dissidentes envolvidos no narcotráfico e na mineração ilegal.

As FARC foram um grupo terrorista?

Alguns países, em especial os Estados Unidos, consideram as FARC como um grupo terrorista. Segundo os norte-americanos, todo o financiamento deste grupo foi proveniente do tráfico de drogas, sequestros e extorsões.

De acordo com os integrantes das FARC, esta é uma apenas uma "organização político-militar marxista-leninista de inspiração bolivariana". Segundo eles, o grupo tem como objetivo representar a classe rural contra as classes mais abastadas, sendo contrários ao governo colombiano e à influência dos Estados Unidos no país.

FARC no Brasil

Em 2010 um relatório levou à prisão em Manaus de José Samuel Sanchez, o Tatareto, integrante de um dos mais importantes destacamentos das FARC. No Brasil o grupo fazia contato diretamente com a Colômbia.

Operação traíra: em 26 de fevereiro de 1991 cerca de 40 guerrilheiros invadiram o território brasileiro. O nome desta operação se deu, pois, a invasão ocorreu pelas margens do Rio Traíra no Estado do Amazonas, atacando o exército brasileiro. O revide do Brasil foi imediato, com apoio de tropas de elite do Exército e da Marinha, expulsando os colombianos de seu território.

Muitos partidos de esquerda no Brasil se inspiram nas FARC. Em 1990 foi realizado o Foro de São Paulo, onde grupos esquerdistas de todo a América Latina, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT) se reuniram e na abertura do evento foi lida uma carta escrita por Manuel Marulanda.

Líderes da FARC

  • Manuel Marulanda Vélez: mais conhecido por Tirofijo, graças à sua excelente pontaria, foi o principal fundador das FARC. Tornou-se guerrilheiro no final dos anos 40 e morreu em 2008;
  • Raúl Reyes: foi o guerrilheiro das FARC de maior projeção internacional. Reyes morreu em 2008 em uma operação militar no Equador e uniu-se ao grupo na década de 70. Luis Edgar Devia Silva era seu nome verdadeiro e ele foi o principal porta-voz do grupo com a imprensa;
  • Iván Ríos: Manuel de Jesús Muñoz Ortiz foi o chefe mais jovem das FARC. Iván Ríos morreu em 2008 e era formado em Economia. Na década de 1980 entrou para a guerrilha. Em virtude de sua formação, era muito conhecido dentro do grupo por seus conhecimentos em economia.
  • Alfonso Cano: assumiu o comando máximo das FARC após a morte de Tirofijo em 2008. Em 2011 foi morto pelas tropas do exército;
  • Timoleón Jiménez: mais conhecido como Timochenko é o líder máximo das FARC, após a morte de Cano. Chegou a estudar medicina e entrou para a FARC em 1982. Após a assinatura do tratado de paz, Timochenko fundou o partido político.