Ironia: o que é, como identificar, tipos e diferença entre sarcasmo

Ironia é uma figura de linguagem que expressa de forma proposital, uma ideia utilizando um discurso oposto ao que se deseja transmitir.

Ironia: o que é, como identificar, tipos e diferença entre sarcasmo - a foto mostra um ícone flat com o rosto de um homem, acima dele tem um balão de diálogo. a composição da imagem está sobre um fundo azul claro

Entenda os principais conceito de ironia, exemplos e suas classificações - Foto: Concursos no Brasil

Ironia, chamada também de antífrase, é uma figura de linguagem que tem a função de passar uma mensagem por meio do uso de outra mensagem que diz exatamente o oposto do que se quer dizer. Com uso muito comum nos mais diversos cenários, a ironia muitas vezes confere um tom jocoso ou de deboche ao discurso no qual é empregada. Neste texto, entenderemos melhor o conceito de ironia, exemplos e suas classificações.

O que é ironia?

A principal função da ironia, enquanto figura de linguagem, é expressar, de forma proposital, uma ideia utilizando um discurso oposto ao que se deseja transmitir. Veja um exemplo:

  • Reprovei na prova prática da autoescola… Parabéns para mim!

Nesse caso, a ironia está na parabenização por algo que não é motivo para comemoração. Ao longo do texto, veremos mais exemplos de frases irônicas.

A origem da palavra “ironia” remete ao grego “eironéia”, cujo significado é “dissimulação”; e a palavra "antífrase" também tem origem grega e vem de “antiphrasis”, que significa “expressão contrária”.

Como identificar a ironia

A identificação da ironia depende da análise do contexto do discurso analisado, e é preciso entender os conceitos dessa figura de linguagem para conseguir reconhecê-la, principalmente em textos escritos e falados.

A função principal da ironia é negar o que se deseja afirmar, e por isso algumas pessoas têm dificuldades para interpretar mensagens irônicas. Um caso que exemplifica bem esse erro de interpretação foi uma crônica publicada pelo escritor Antonio Prata, em 2013, no jornal Folha de São Paulo.

Para entender que o texto era irônico, era necessário ter uma noção prévia a respeito do trabalho do autor e, claro, de seus posicionamentos políticos e sociais — assim seria fácil entender que, na verdade, ele estava “brincando” ao fazer suas afirmações.

Como muitos leitores levaram o texto ao pé da letra, Prata chegou a escrever outra crônica, chamada “Abaixo a ironia", para deixar claro que o texto anterior tinha caráter irônico, não literal: “Uma sátira é uma caricatura. Escolhemos certos traços de uma obra e produzimos outra, exagerando tais características (…) Achei que havia carregado o bastante nas tintas retrógradas para que a sátira ficasse evidente”, explicou o autor.

Veja, a seguir, trechos da crônica “Guinada à Direita”, que foi mal interpretada devido à ironia utilizada no texto.

“Como todos sabem, vivemos num totalitarismo de esquerda. A rubra súcia domina o governo, as universidades, a mídia, a cúpula da CBF e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, na Câmara. O pensamento que se queira libertário não pode ser outra coisa, portanto, senão reacionário. E quem há de negar que é preciso reagir? Quando terroristas, gays, índios, quilombolas, vândalos, maconheiros e aborteiros tentam levar a nação para o abismo, ou os cidadãos de bem se unem, como na saudosa Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que nos salvou do comunismo e nos garantiu 20 anos de paz, ou nos preparemos para a barbárie.

Se é que a barbárie já não começou… Veja as cotas, por exemplo. Após anos dessa boquinha descolada pelos negros nas universidades, o que aconteceu? O branco encontra-se escanteado. Para todo lado que se olhe, da direção das empresas aos volantes dos SUVs, das mesas do Fasano à primeira classe dos aviões, o que encontramos? Negros ricos e despreparados caçoando da meritocracia que reinava por estes costados desde a chegada de Cabral”.

Antonio Prata é um escritor que se posiciona abertamente a favor de políticas sociais, como as cotas universitárias, e de medidas para a discriminação às drogas, por exemplo, além de ter um posicionamento político que pode ser considerado de esquerda. Sabendo disso, o que só é possível acompanhando seu trabalho e seus escritos, o leitor tem como perceber que todas as afirmações do texto são irônicas, pois não condizem com o que Prata realmente pensa.

Diferença entre sarcasmo e ironia

O sarcasmo é como se fosse uma ironia em relação à sua função principal, que é a de expressar uma mensagem oposta ao que se quer realmente dizer. A diferença, entretanto, está no fato de que o sarcasmo tem um caráter ofensivo, agressivo e provocador. Observe no exemplo abaixo:

  • Nossa, você é realmente linda, parece um espantalho com dor de barriga.

Nesse caso, é ofensiva a comparação da pessoa com um espantalho, o que vai contra à primeira informação — “você é realmente linda”. Temos, então, uma frase de cunho sarcástico.

Tipos de ironia e exemplos

Existe uma classificação que leva em conta os diferentes tipos de ironia, que são característicos de situações específicas. Confira:

Ironia oral ou verbal

É o tipo de ironia presente na fala ou na representação de alguma coisa, quando a intenção é remeter seu significado inverso. Essa ironia acontece de forma proposital tanto pela fala quanto por algum tipo de enunciado (ironia oral) ou, ainda, através de alguma representação artística (ironia dramática), que pode não ser transmitida pelas personagens, mas ainda assim compreendida pelos espectadores.

Um dos grandes nomes brasileiros quando o assunto é a utilização da ironia é o escritor Machado de Assis. Veja um trecho a seguir, extraído do romance “Helena”:

“A primeira das duas mulas que [o preto]`conduzia olhava filosoficamente para ele”. Aqui, o advérbio “filosoficamente” é empregado de forma irônica para descrever o olhar do burro — é bastante comum, inclusive, a relação entre burros e filósofos na obra machadiana.

Ironia dramática, teatral ou satírica

Essa ironia é própria do teatro e da literatura, ocupando o papel de interlocução com os espectadores ou leitores, que precisam entender o contexto irônico — é quando a personagem (do teatro ou de um romance, por exemplo) não tem acesso a uma informação que já foi entregue ao público.

Mais uma vez, usaremos um trecho de uma obra de Machado de Assis para ilustrar o uso desse tipo de ironia. A seguir, confira um excerto de “Quincas Borba”, do momento no qual a morte do protagonista é narrada:

“Poucos dias depois morreu... Não morreu súdito nem vencido. Antes de principiar a agonia, que foi curta, pôs a coroa na cabeça, — uma coroa que não era, ao menos, um chapéu velho ou uma bacia, onde os espectadores palpassem a ilusão. Não, senhor; ele pegou em nada, levantou nada e cingiu nada; só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, rútila de brilhantes e outras pedras preciosas. O esforço que fizera para erguer meio corpo não durou muito; o corpo caiu outra vez; o rosto conservou porventura uma expressão gloriosa.

— Guardem a minha coroa, murmurou. Ao vencedor…

A cara ficou séria, porque a morte é séria; dois minutos de agonia, um trejeito horrível, e estava assinada a abdicação.”

Nessa altura da narrativa, o leitor já tem a informação de que o personagem está louco, embora ignore esse fato. Um dos delírios do protagonista é acreditar ser Napoleão Bonaparte, por isso foi usado, com tom irônico, a expressão “estava assinada a abdicação” — o ato de abdicar pressupõe a renúncia de alguma coisa e, nesse caso, era a do posto de imperador, que o personagem acreditava ocupar. A ironia teve o papel, portanto, de zombar da percepção fora da realidade que o personagem tinha.

Ironia de situação

Essa ironia é aquela que acontece quando se consegue um resultado oposto ao desejado em uma determinada situação. O exemplo clássico é a frase supostamente dita pelo construtor do navio Titanic: “Nem Deus pode afundar o Titanic”.

A intenção obviamente não era a de ser irônico, mas os acontecimentos que sucederam a partida do navio e culminaram em seu naufrágio acabaram fazendo deste momento uma grande ironia de situação.

Mais exemplos de frases irônicas

Para entender ainda melhor o assunto, selecionamos mais algumas frases irônicas. Confira a seguir:

  • Elas eram as cozinheiras que todo chef gostaria de contratar: sabiam fazer muito bem um macarrão instantâneo.
  • Por que não fala mais alto para que a vizinhança inteira escute a nossa discussão?
  • Sempre um cavalheiro, não prestou nem para ajudá-la a descer as escadas.
  • Com essa rapidez, vamos almoçar só na hora do jantar.
  • É tão cuidadoso que só se esquece de trancar a porta, fechar a torneira e apagar as luzes antes de sair de casa.
  • Mas você tem o dom de deixar tudo pior, hein!
  • Cozinhou tão bem que nem o cachorro quis comer.
  • Amo essa forma como você não escuta quando estou falando.
  • Estudou muito, deve ser por isso que não resolveu mais da metade da prova.
  • Sempre bom recebê-lo aqui em casa para ouvir seus comentários ofensivos a respeito dos nossos filhos.
  • Dirige maravilhosamente mal.
  • Quem foi o gênio que respondeu tudo errado na prova?
  • É um excelente funcionário! Não recomendo para ninguém por quem tenho apreço.

Vídeos sobre ironia

Quer fixar melhor o conteúdo aprendido em nosso texto? Assista a vídeos que podem ajudar na tarefa:

O que é ironia e como funciona

Neste vídeo, da Wlange Keindé, temos uma explicação completa sobre a ironia como figura de linguagem e suas aplicações nos mais diferentes tipos de discursos. Wlange explica também como a ironia está presente na literatura e em outras expressões artísticas, além de dar dicas valiosas sobre como usar esse tipo de linguagem.

Qual é a diferença entre ironia e sarcasmo?

Para quem ainda tem dúvidas a respeito das diferenças entre sarcasmo e ironia, este vídeo do Prosa Júnior é um excelente material de apoio. Nele, entendemos como essas duas figuras de linguagem podem ser empregadas em diversos tipos de discursos e aprendemos as diferenças entre uma e outra.

Figura de linguagem: Ironia

No vídeo da professora Alda, temos uma explicação bem concisa a respeito dessa figura de linguagem, suas aplicações e formas de detectar quando uma sentença é irônica. Mais um ótimo material de apoio!

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Estudar figuras de linguagem de uma maneira geral é fundamental para melhorar suas capacidades de compreensão e interpretação de textos, além, é claro, para ter uma boa base na hora de responder perguntas de língua portuguesa em provas, vestibulares e concursos! Bons estudos!

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