Aprovados protestam contra fraudes no seletivo do Ministério da Saúde

Profissionais contratados pelo processo seletivo Ministério da Saúde afirmam haver uma série de irregularidades na seleção. Confira mais detalhes.

Ministério da Saúde: imagem mostra a fachada do prédio do Ministério da Saúde

"Nós não aceitaremos fraudes", afirmou o sindicalista Sidney de Castro - Foto: Wikimedia Commons

Foi realizado, na manhã desta quarta-feira (16), um protesto reunindo 16 profissionais contratados nas unidades federais de saúde do Rio de Janeiro. Os aprovados no processo seletivo Ministério da Saúde se reuniram em frente à Assembleia Legislativa do estado (Alerj) para fazer suas denúncias contra fraudes na seleção.

Segundo os manifestantes, o certame estaria excluindo 70% dos profissionais que já trabalharam na Rede Federal do RJ. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência no Estado do Rio (Sindsprev/RJ), Sidney Castro, afirmou que "acabamos de ver que a cada hora tem uma fraude diferente, médicos que fizeram a inscrição estão aparecendo como deficientes físicos".

Os protestos tiveram como argumento que esses profissionais estariam sendo trocados por outros sem experiência. Também houve reclamações de que servidores do Ministério da Saúde estariam ingressando no serviço pelo seletivo. Contudo, não poderiam participar do certame para temporários, uma vez que já são funcionários do órgão.

Irregularidades do processo seletivo Ministério da Saúde

De acordo com o Ministério da Saúde, a seleção foi realizada "em total alinhamento à legislação vigente”. No entanto, várias reclamações estão sendo feitas em relação a irregularidades no processo. Uma delas é que na lista de pré-aprovados estaria Ademir Lapa, coordenador-Geral de Gestão de Pessoas do órgão.

Segundo o próprio Ministério, o nome de Lapa estava na lista por conta de testes realizados. Mas para Sidney Castro, esta é uma evidência de erros e desorganização no certame. Além disso, ele destacou que nesta mesma listagem havia nomes de residentes, enquanto médicos que já trabalharam em hospitais federais não tiveram suas inscrições aprovadas.

"Não vamos aceitar que profissionais com experiência comprovada na Saúde Federal sejam excluídos do processo seletivo simplificado. É um absurdo que profissionais dedicados e competentes, que há muito tempo arriscam suas vidas em defesa da saúde da população, sejam agora descartados como se não fossem nada", pontuou Castro.

Ele lembrou ainda que o processo seletivo Ministério da Saúde previa contratações temporárias com prazo de seis meses. Sendo assim, não haveria tempo hábil para treinamento de pessoal e, por isso, deveriam ter sido contratados profissionais com experiência.

O processo seletivo Ministério da Saúde

Lançado no início do mês de setembro, o processo seletivo Ministério da Saúde abriu 4.117 vagas para profissionais de níveis médio, técnico e superior. Ao todo 40.042 se inscreveram na categoria de ampla concorrência e 4.029 nas vagas para pessoas com deficiência. As oportunidades se dividiam entre cargos de:

  • Médico (diversas especialidades): 1.137 vagas e remunerações de R$ 11.000,00;
  • Enfermeiro: 996 vagas e remunerações de R$ 3.500,00;
  • Técnico em Enfermagem: 865 vagas e remunerações de R$ 2.000,00;
  • Atividades de Gestão e Manutenção Hospitalar (nível superior em várias áreas): 604 vagas e remunerações de R$ 3.000,00;
  • Atividades de Suporte em Gestão e Manutenção Hospitalar (nível intermediário em várias áreas): 515 vagas e remunerações de R$ 1.700,00.

Os pré-aprovados passarão por fase única de análise curricular, em que a documentação deve ser apresentada até o dia 20 de setembro de 2020. O resultado final está previsto para ser divulgado no dia 25 de outubro de 2020 e homologado no dia 30 do mesmo mês.

Contudo, o sindicalista Sidney de Castro afirmou que o protesto desta quarta (16) teve como objetivo impugnar o processo seletivo Ministério da Saúde. "Nós não aceitaremos fraudes. Vamos tentar fazer de tudo para impugnar esta seleção, para que seja feito, de fato, um processo correto, decente e com transparência. Eu defendo concurso público", disse.

O órgão, por sua vez, esclareceu "desde ontem estamos fazendo uma limpeza na base de dados e uma nova lista deve ser publicada o mais rápido possível". Além disso, os candidatos que encontrarem inconsistências no certame poderão entrar com recurso nos dias 15 e 16 de outubro de 2020.

Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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