Auxílio emergencial: 55% dos beneficiários de 2020 são mulheres

Estudo dos dados do auxílio emergencial em 2020 mostrou que a maioria do público atendido se encontra nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

auxílio emergencial: a imagem mostra mão segurando celular aberto no app do auxílio emergencial

Veja dados sobre o auxílio emergencial em 2020. - Foto: Concursos no Brasil

Nesta segunda-feira (08/03), o Ministério da Cidadania publicou o terceiro volume da série De Olho na Cidadania, traçando o perfil dos beneficiários do auxílio emergencial de 2020. A obra, intitulada Perfil dos beneficiários do Auxílio Emergencial pela Covid-19: quem são e onde estão?, traz vários dados sobre os brasileiros inscritos no programa.

A análise foi feita pela Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (SAGI) em parceria com Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (SENARC) e a Secretaria Nacional do Cadastro Único (SECAD). De acordo com as informações recolhidas, 55% das pessoas que receberam as parcelas no ano passado são mulheres.

“O documento traz a análise dos registros administrativos do Auxílio Emergencial, destacando os três públicos: aqueles que estavam no Cadastro Único e eram beneficiários do Bolsa Família, aqueles que estavam no Cadastro Único, mas não eram beneficiários do Bolsa, e aqueles que passaram a ser beneficiários do Auxílio Emergencial e que fizeram a solicitação via aplicativo da Caixa Econômica Federal”, conta a autora Raquel Freitas.

Perfil dos beneficiários do auxílio emergencial 2020

A publicação traz dados em relação à idade, sexo e até legalização geográfica de quem recebeu as parcelas em 2020. O texto mostra que 44% daqueles que contaram com a ajuda do governo tinham idade entre 18 e 34 anos. Do público atendido por meio das inscrições já existentes no CadÚnico, contando com o Bolsa Família, 55% eram mulheres. Por sua vez, 57% dos que fizeram solicitação pelo app eram homens.

“Os dados evidenciam diferenças entre os três grupos analisados. No público do Cadastro Único, as mulheres já ocupavam em sua maioria o papel de chefe de família, o que sugere que elas compõem um perfil mais vulnerável. Mas, com a pandemia, os homens também acabaram sendo afetados. Como eles não estavam no Cadastro Único, nem no Bolsa Família, precisaram solicitar o Auxílio Emergencial via aplicativo em maior proporção.”, analisa a autora Raquel Freitas.

Já em questão de localização, a distribuição geográfica dos beneficiários do auxílio emergencial observada pelo Ministério da Saúde foi:

  • Beneficiários diretos do Norte e Nordeste representam 38% da população;
  • Beneficiários diretos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste representam 29% da população;
  • Estados com maior cobertura do auxílio emergencial: Piauí (39,9%), Bahia (38,8%) e Pará (38,1%);
  • Estados com menor cobertura do auxílio emergencial: Santa Catarina (23,8%) e Rio Grande do Sul (24,6%), além do Distrito Federal (25,8%).

A obra indica ainda porcentagens de beneficiários nos municípios com diferentes números de habitantes. Bem como os dados de quantas pessoas solicitaram o auxílio emergencial por aplicativo e quantas receberam por já estarem inscritas no CadÚnico.

Impacto do auxílio emergencial em 2020

De acordo com Raquel Freitas, “essa publicação é um esforço de construção e análise dos dados do Auxílio Emergencial e, como resultado, podemos conhecer um pouco mais o perfil dos beneficiários diretos, especialmente daqueles que não estavam no Cadastro Único antes da pandemia. É importante destacar que este público representa 56% de todos os beneficiários do Auxílio”.

Contudo, o Ministério da Cidadania afirmou que os efeitos da pandemia de coronavírus sobre a pobreza e desigualdade social são difíceis de serem medidos. Isso porque dependem também de fatores como profundidade e duração da crise de saúde, que ainda está acontecendo. Os dados presentes na obra, por sua vez, demonstram como o benefício protegeu as camadas mais vulneráveis da população.

O cruzamento de dados do governo indicou que o auxílio emergencial teve ampla cobertura da população brasileira. Ao todo, 67,9 milhões de pessoas tiveram acesso direto às parcelas, o que representa um terço dos habitantes do país.

Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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