Auxílio emergencial: milhões de mães solo têm renda de apenas R$ 375

O valor de R$ 375 pago pelo auxílio emergencial é a única renda de 13 milhões de mulheres que se encontram em situação de insegurança alimentar. Entenda.

O auxílio emergencial de R$ 375 tem sido a única renda de cerca de 13 milhões de mães solteiras e chefes de família. Metade do público que recebe a ajuda do governo pelo Bolsa Família são mulheres provedoras do lar e, entre o público geral, elas somam 8,6 milhões, segundo informações do Ministério da Cidadania.

No ano passado, as famílias monoparentais contavam com duas cotas do benefício temporário. Durante cinco meses, as mães solo receberam R$ 1.200 (abril a agosto) e, nos quatro meses seguintes, contaram com parcelas de R$ 600. O auxílio emergencial foi retomado em abril deste ano, com valores variáveis e menores do que em 2020.

Essa redução tem tornado um pouco mais difícil para as beneficiárias conseguirem equilibrar as contas de casa, incluindo a alimentação. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os alimentos e bebidas tiveram uma alta de 14% nos últimos 12 meses, sendo a maior valorização desde 2002.

Sendo assim, essas mulheres que perderam sua renda e contam com apenas R$ 375 do auxílio emergencial para se sustentar fazem parte do grupo, atualmente, de 125,6 milhões de pessoas que estão em situação de insegurança alimentar. Esse dado foi retirado do estudo do Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça.

“É complicado pensar que o auxílio desse valor é suficiente para suprir os gastos com a alta nos preços de alimentação, energia, gás de cozinha, água e esgoto. É preciso rever a política assistencialista para uma aplicação de maneira eficiente”, afirmou Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, em entrevista ao Correio Brasiliense. 

Mulheres chefes de família podem receber auxílio emergencial 2020 retroativo

A sanção da Lei 14.171 deu às mães solo provedoras do lar o direito de receber os valores retroativos do auxílio emergencial dobrado, pago em 2020. O texto diz respeito às mulheres que deveriam ter contado com o benefício, mas ficaram sem os R$ 1.200 por mês. 

A proposta foi aprovada para amparar as mães chefes de família que perderam as parcelas por terem colocado dependentes em comum com outra pessoa no cadastro. Aquelas que tiveram o benefício negado, retido, subtraído ou recebido indevidamente por terceiros devem se manifestar.

De acordo com a lei, a preferência do auxílio retroativo será dada à mulher, especificamente no caso em que ambos os genitores tenham solicitado o benefício. Ou seja, quem receberá a quantia em dobro será a mãe, mesmo que seu registro tenha sido feito depois do pai.

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