Auxílio emergencial: sem celulares, famílias pobres foram prejudicadas

Em novo estudo da FGV/Cemif, 20% dos entrevistados não conseguiram o auxílio emergencial devido à falta de celulares. Eles compõem as classes D e E.

Famílias sem auxílio emergencial: celular com página do auxílio emergencial aberta

22% dos mais pobres tentaram garantir o benefício, mas não conseguiram por limitações da internet. - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Em novo estudo, a FGV/Cemif (Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira, da Fundação Getulio Vargas) analisou o alcance do auxílio emergencial. Cerca de 20% dos entrevistados, que compõem as classes D e E, ficaram sem o benefício por razões específicas, incluindo a falta de celulares. Isso porque os depósitos das parcelas, desde o início do auxílio emergencial, são feitos pelo app Caixa Tem.

Devido ao contexto de pandemia, os saques em caixas eletrônicos são liberados somente após os repasses por meio das poupanças sociais digitais. O percentual de pessoas sem auxílio emergencial pela falta de aparelhos celulares, conforme o estudo, caiu para 7% ao considerar todas as classes sociais dos entrevistados.

Auxílio emergencial: sem celulares e internet, pessoas pobres foram prejudicadas

O levantamento foi realizado pelo coordenador do Cemif, Lauro Gonzalez, e pelo pesquisador Marcelo Araújo. Eles levaram em conta a 2ª edição do painel TIC COVID-19, promovido entre junho e setembro de 2020. Confira alguns dados sobre o alcance do auxílio emergencial:

  • 20% dos entrevistados, que fazem parte das classes D e E, ficaram sem o auxílio emergencial. Um dos principais motivos diz respeito à falta de celulares;
  • 22% dos mais pobres tentaram garantir o benefício, mas não conseguiram por limitações da internet;
  • 28% dos mais pobres não conseguiram usar o aplicativo Caixa Tem;
  • Entre os mais vulneráveis, 23% não tinham espaço suficiente em seus celulares para baixar o Caixa Tem, enquanto 18% não sabiam instalar o aplicativo;
  • Em termos gerais, 23% dos entrevistados das classes D e E não conseguiram receber o auxílio emergencial. Os que compõem as classes A e B, por sua vez, representaram percentual menor: 17%. Na classe C, 21%.

Sobre o auxílio emergencial em 2021

Existem estudos que apontam uma possível nova prorrogação do auxílio emergencial em 2021. O ministro da Economia, Paulo Guedes, informou que novas parcelas poderão ser concedidas se o contexto de pandemia continuar afetando as famílias de baixa renda. Entretanto, até então, foram aprovados quatro pagamentos durante o primeiro semestre de 2021.

Todas as regras para recebimento constam na medida provisória de nº 1.039. Como não houve abertura de novas inscrições, a Dataprev está responsável por identificar quem ainda tem direito ao auxílio emergencial. A ideia é de transferir as parcelas para beneficiários do Bolsa Família, integrantes do CadÚnico e cidadãos que receberam o auxílio emergencial em dezembro de 2020.

Na nova rodada de pagamentos, os valores variam de acordo com a composição familiar dos beneficiários. As mães provedoras do lar recebem parcelas mensais de R$ 375, enquanto os que moram sozinhos têm direito às cotas de R$ 150. Já os demais beneficiários, com mais de uma pessoa no grupo familiar, garantem pagamentos médios de R$ 250.

Bruno Destéfano
Redator
Nasceu no interior de Goiás e se mudou para a capital, Goiânia, no início de 2015. Seu objetivo era o de cursar Jornalismo na UFG. Desde o fim de sua graduação, já atuou como roteirista, gestor de mídias digitais, assessor de imprensa na Câmara Municipal de Goiânia, redator web, editor de textos e locutor de rádio. Escreveu dois livros, sendo um de ficção e outro de não-ficção. Também recebeu prêmios pela produção de um podcast sobre temas raciais e por seu livro-reportagem "Insurgência - Crônicas de Repressão". Atualmente, trabalha como redator web no site "Concursos no Brasil" e está participando de uma nova empresa no ramo de marketing digital.

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