Bolsa Família: Bolsonaro afirma que cadastro será feito por aplicativo

A novidade do cadastro no Bolsa Família não ser mais feito pelas prefeituras e sim via aplicativo, anunciada pelo presidente, recebeu várias críticas.

bolsa família cadastro aplicativo: enquadramento em mão segurando cartão do Bolsa Família

Ex-secretária fala sobre necessidade de verificar a inclusão digital primeiro. - Foto: Senado Federal

Nesta quinta-feira (13/05), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o cadastro no Bolsa Família começará a ser feito por aplicativo. A informação de que os registros não serão mais uma responsabilidade das prefeituras foi dada durante evento em Maceió. Na ocasião, Bolsonaro comentou, sem muitos detalhes, sobre mudanças no programa social.

“Está quase pronto também a questão do novo Bolsa Família. E mais ainda, brevemente a inclusão no Bolsa Família não será mais procurando prefeituras pelo Brasil. Será feito através de um aplicativo”, declarou o presidente. A ideia, que já vem sendo cogitada desde janeiro deste ano pelo governo federal, não agradou muito.

Cadastro do Bolsa Família via aplicativo é criticado

Em entrevista ao O Globo, a ex-secretária nacional de Renda e Cidadania, Letícia Bartholo, disse que a novidade anunciada “vai apartar ainda mais o Estado da população mais pobres”. Responsável pelo programa Bolsa Família e do Cadastro Único, ela não aprecia alteração do governo federal no programa que envolve o combate à pobreza.

Quando o cadastro no Bolsa Família por aplicativo foi anunciado a primeira vez, a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) também criticou a ideia. Na época, a FNP afirmou que os prefeitos negavam “com veemência a substituição do atendimento humanizado pelo robotizado". Segundo a organização, os beneficiários precisam da ajuda de profissionais capacitados para orientar sobre o programa.

“O governo se esquece que as famílias não vão simplesmente se cadastrar, elas entram num centro de referência de assistência social, que é a porta de entrada do Estado, que vai avaliar as necessidades da família, inclusive dificuldade de moradia, situações de violência. Transformar tudo num aplicativo é apartar ainda mais o Estado da população mais pobre”, explicou Bartholo.

A ex-secretária acredita que a digitalização do processo de cadastro no Bolsa Família deve ser usada como complemento ao atual sistema e não como substituição. Letícia comentou que os formulários online deverão ser diferentes e mais simples, visando facilitar o entendimento do que está escrito. Além disso, ela pontuou que é preciso verificar o nível de inclusão digital antes de implantar a mudança.

Em janeiro, várias ONGs que se opuseram à novidade lembraram que muitos beneficiários do programa não têm acesso à internet ou smartphones para fazer o registro online. Isso significa que muitas pessoas poderiam ser excluídas do BF. As organizações também afirmaram que a falta de atendimento presencial poderia gerar dúvidas e erros na hora do cadastramento.

Mudança no valor do Bolsa Família

Outro ponto considerado por Letícia Bartholo é o valor do benefício pago atualmente. De acordo com ela, deveria ser uma prioridade atualizar a quantia paga que não é reajustada desde 2018. Bartholo considera importante incluir as mais de 1 milhão de pessoas que estão na fila do programa antes de pensar em cadastro do Bolsa Família por aplicativo.

“São 19 milhões passando fome, mais de metade da população sem uma alimentação adequada e frequente. Temos que pensar em como se corrige os prejuízos que ocorreram nos últimos anos para os mais pobres. Desde o início do mandato, o governo falou em aprimorar o Bolsa Família, que estava fazendo estudos, mas as propostas nunca surgiram, só tem fila e fome. É disso que o governo deveria tratar”, pontuou.

No mês de abril, Bolsonaro falou sobre a vontade de aumentar o valor do benefício, que hoje está em torno de R$ 190, para R$ 250. Segundo ele, o plano é implementar essas novidades no segundo semestre de 2021, em agosto ou setembro.

Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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