Pelo menos 15 milhões de brasileiros ficarão mais pobres neste ano

Segundo levantamento de uma consultoria, 15 milhões de brasileiros ficarão mais pobres neste ano e irão integrar as classes D e E.

Pelo menos 15 milhões de brasileiros ficarão mais pobres neste ano, cofrinho com formato de porco

Pandemia foi a principal responsável pelo empobrecimento. - Foto: Pixabay

De acordo com um estudo realizado pela consultoria Tendências, 3,8 milhões de domicílios serão empurrados para as classes D e E que são consideradas as que possuem as menores rendas do país. Sendo assim, pelo menos 15 milhões de brasileiros ficarão mais pobres neste ano.

O principal motivo para que isso venha ocorrer é a crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus. A doença fez com que a população tivesse que, dentro do possível, fazer uma quarentena e realizar um distanciamento social. Com isso, o setor de serviços e o comércio reduziram suas atividades drasticamente, o que em um efeito cadeia também prejudicou a indústria e outras áreas.

Falta de oportunidades para ascender

Um dos principais fatores apontados pela Tendências foi que faltam oportunidades para que uma pessoa mais pobre consiga ascender para uma nova classe social. As exigências do mercado, a baixa remuneração para quem não tem escolaridade elevada e o fato da economia estar patinando há vários anos também ajudam a explicar o porquê dos mais pobres passarem tantas dificuldades.

Isso fica evidente quando é demonstrando que as classes D e E tiveram um aumento de renda provisório de aproximadamente 6,8% por causa do auxílio emergencial. Como o benefício vai chegar ao fim, a renda dos indivíduos diminuirá.

Inclusive, há uma grande preocupação do governo federal sobre como mitigar os impactos do fim do auxílio emergencial. Entre os planos está a criação do Renda Brasil, programa de transferência de renda que recentemente foi atrasado, pois o presidente Jair Bolsonaro não concordou com os valores apresentados pela equipe econômica.

Vale ressaltar que os 3,8 milhões de domicílios que ficarão mais pobres se juntarão a outros milhões que já estão nas classes D e E e que dificilmente conseguirão ascender durante a crise. Com isso, estima-se que no final de 2020, das mais de 70 milhões de residências do Brasil, 41 milhões estarão nas classes D e E.

Auxílio não atingiu classe C

Ao mesmo tempo em que o auxílio emergencial ajudou os mais pobres, quase nada ou nada pôde fazer por aqueles que estão caindo de classe. Essas pessoas geralmente possuíam algum emprego no mercado de trabalho formal ou uma renda que foi prejudicada, mas o benefício não poderia ser aplicado por conta dos critérios.

De acordo com a Tendências, dos 3,8 milhões de domicílios que ficarão mais pobres, 2 milhões serão da classe C, que antes tinha uma renda entre R$ 2,5 mil e R$ 6,1 mil e agora terá que conviver com uma menor quantia de dinheiro.

Vale ressaltar que o desemprego no país atingiu mais de 13%, de acordo com o último levantamento realizado pelo IBGE. Alguns especialistas apontam que o Brasil só voltará a se recuperar economicamente em 2022. Isso quer dizer que levará aproximadamente dois anos para o país voltar ao patamar pré-pandemia.

Carlos Rocha
Redator
Jornalista formado (UFG), atualmente redator no site Concursos no Brasil. Foi roteirista do Canal Fatos Desconhecidos (YouTube) por um ano e meio. Produziu conteúdo de podcast para o Deezer. Fez parte da Rádio Universitária (870AM) por três anos e meio como apresentador no Programa Fanático e como repórter, narrador e comentarista da Equipe Doutores da Bola. Fã de futebol, NFL e ouvinte de podcast.

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