Desalento: 5,4 milhões de brasileiros "desistiram" de buscar emprego

Desalento atinge grande parcela de brasileiros que desistiram de buscar emprego e é reflexo da epidemia do novo coronavírus.

Desalento: 5,4 milhões de brasileiros "desistiram" de buscar emprego, mão escrevendo em carteira de trabalho com caneta

Desalento é recorde no país. - Foto: Wikimedia Commons

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (30/06), que o desalento atinge cerca de 5,4 milhões de brasileiros, isto é, todas essas pessoas "desistiram" de buscar emprego.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Os novos números indicam que houve uma alta de 15,3% no número de pessoas em situação de desalento, se comparado com 2019. Para piorar, a quantidade de brasileiros nessa situação é um recorde, considerando todos os anos desde que a pesquisa começou a ser feita (2012).

Os números são reflexo da crise econômica provocada pelo novo coronavírus (COVID-19). Com a taxa de desemprego subindo, muitas pessoas perderam a esperança de que novas vagas pudessem ser abertas.

É importante ressaltar que um trabalhador em desalento não é uma pessoa que não quer trabalhar. São indivíduos que não acreditam mais que conseguirão arrumar emprego e por isso pararam de procurar. Por vezes, se classifica o desalento como uma forma de desilusão em relação ao mercado de trabalho. Ou seja, se a pessoa recebesse uma oferta, ela aceitaria o emprego.

Desalento não conta como desemprego

Pode parecer estranho, mas oficialmente, pessoas em situação de desalento não são consideradas desempregadas. Pelo fato de elas não estarem mais procurando, de forma ativa, uma vaga no mercado de trabalho, as estatísticas não incluem quem está nessa condição.

Sendo assim, quando o número de desemprego é observado, também é preciso ficar atento à taxa de desalento. Esse é um padrão internacional e que não é só utilizado pelo IBGE e pelo governo federal.

Pedidos de seguro-desemprego sobem 35% na primeira quinzena de junho

O desalento é um pequeno reflexo da grande quantidade de pessoas sem emprego ou subutilizadas. No dia 25 de junho, o governo federal divulgou que os pedidos de seguro-desemprego subiram 35% na primeira quinzena do mês de junho.

Nos primeiros quinze dias do mês, 351.315 trabalhadores formais requisitaram seguro-desemprego. No ano passado foram 260.228 pedidos feitos. De 02 de janeiro a 15 de junho de 2020, 3.648.762 de pessoas perderam seus empregos. O número representa uma alta 14,2% para o mesmo período de 2019.

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Carlos Rocha
Redator
Jornalista formado (UFG), atualmente redator no site Concursos no Brasil. Foi roteirista do Canal Fatos Desconhecidos (YouTube) por um ano e meio. Produziu conteúdo de podcast para o Deezer. Fez parte da Rádio Universitária (870AM) por três anos e meio como apresentador no Programa Fanático e como repórter, narrador e comentarista da Equipe Doutores da Bola. Fã de futebol, NFL e ouvinte de podcast.

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