Desemprego no Brasil atinge nível recorde

A taxa de desemprego no Brasil, tanto em trabalhos formais como informais, teve um grande aumento no primeiro semestre. Uma das causas é a crise de coronavírus.

Desemprego no Brasil: gráfico de barras com seta vermelha apontando para cima

O número de desempregados subiu em relação ao trimestre anterior. - Foto: Piqsels

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta terça-feira (30), a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua) com dados atualizados sobre o desemprego no Brasil. De acordo com o levantamento, a taxa subiu para 12,9% no primeiro trimestre de 2020. O estudo indica que 12,7 milhões de pessoas perderam seus empregos com o fechamento de mais de 7 milhões de postos de trabalho por causa da COVID-19.

Em comparação com o mesmo período de 2019, a PNAD Contínua mostra que o desemprego no Brasil cresceu 0,6 ponto percentual. O dado demonstra também que o número de pessoas que procuram um emprego subiu 3% com a pandemia de coronavírus. Segundo a pesquisa, a taxa de brasileiros sem alguma ocupação é recorde desde 2018.

A analista Adriana Beringuy, responsável pela PNAD, afirmou que “é uma redução inédita na pesquisa e atinge principalmente os trabalhadores informais. Da queda de 7,8 milhões de pessoas ocupadas, 5,8 milhões eram informais”. Em relação ao trimestre anterior, houve:

  • Empregados com carteira de trabalho assinada: recuo de 7,5%;
  • Empregados sem carteira assinada: redução de 20,8%;
  • Trabalhadores autônomos: redução de 8,4%;
  • Trabalhadores domésticos: queda de 18,9%;
  • Empregadores: recuo de 8,5%.
  • População subutilizada: alta de 13,4%, elevando o número para 30,4 milhões de pessoas.

“Tudo indica que, de fato, essas pessoas que perdem a ocupação não estão voltando para o mercado de trabalho na forma de procura por nova ocupação. Ou seja, sem pressionar o desemprego”, acrescentou Beringuy. O IBGE também demonstrou que esse trimestre tem o nível mais baixo de ocupação desde 2012, já que mais da metade da população que tem idade para trabalhar está sem emprego.

Queda nos empregos formais e informais

Segundo dados da PNAD, atualmente, o desemprego no Brasil e a queda na força de trabalho chegou a atingir cerca de 87,6 milhões de pessoas. Isso porque tanto empregos formais quanto informais sofreram uma queda brusca. A taxa de informalidade da economia, por exemplo recuou para 37,6%, sendo a menor desde 2016.

“Numericamente nós temos uma queda da informalidade, mas isso não necessariamente é um bom sinal. Significa que essas pessoas estão perdendo ocupação e não estão se inserindo em outro emprego. Estão ficando fora da força de trabalho”, afirmou a Beringuy. Sendo assim, a PNAD mostra também que 5,4 milhões de brasileiros desistiram de procurar emprego.

O desemprego no Brasil também se intensificou dentro dos trabalhos formais, tendo em vista a paralisação para conter o avanço da COVID-19. Portanto, com o comércio e indústrias fechados, o número de vagas caiu, bem como muitos funcionários perderam seus empregos já que algumas empresas não poderiam mantê-los.

“Uma parte importante da população fora da força é formada por pessoas que até gostariam de trabalhar, mas que não estão conseguindo se inserir no mercado, muito provavelmente em função do cenário econômico, das dificuldades em encontrar emprego, seja devido ao isolamento social, seja porque o consumo das famílias está baixo e as empresas também não estão contratando. Então esse mês de maio aprofunda tudo aquilo que a gente estava vendo em abril”, disse a pesquisadora.

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Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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