ENEM Seriado 2021: novo formato de avaliação pode ser prejudicado

O governo está cogitando cancelar o Seab 2021, cujas notas seriam utilizadas para começar o ENEM seriado. Caso isso aconteça, o novo formato será inviabilizado.

enem seriado: a imagem mostra sala de aula vista do fundo com carteiras vazias

O cancelamento do Seab 2021 pode prejudicar a instituição no ENEM seriado. - Foto: Pixabay

O Ministério da Educação (MEC) resolveu instituir um novo formato para o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) neste ano. A ideia é fazer um ENEM seriado, ou seja, aplicando três provas, uma em cada ano do ensino médio, como acontece com o PAS (Programa de Avaliação Seriada) da Universidade de Brasília (UnB). No entanto, a nova categoria de entrada em Universidades pode ficar inviabilizada em 2021.

Isso porque o ENEM seriado 2021 utilizaria notas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Seab), que avalia alunos das redes pública e privada. Contudo, para este ano, o governo está estudando cancelar o Seab por conta da pandemia de coronavírus que gerou limitações. Além disso, o MEC informou que teve o orçamento da avaliação reduzido.

O que é o Seab e como funciona?

O Seab é aplicado em dois dias com provas de língua portuguesa e matemática para entender como está a educação brasileira. Normalmente, a avaliação acontece uma vez a cada dois anos e é aplicada para que avalia alunos do 2º, 5º e 9º anos do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. Mas, em 2020, o MEC anunciou algumas mudanças:

  • A prova passaria a ser aplicada todos os anos;
  • Seria feita a inclusão de mais áreas do conhecimento;
  • Estudantes de todas as séries seriam avaliados;
  • As notas passariam a ser usadas no ENEM seriado a partir de 2021.

Como o cancelamento do Seab influencia no ENEM seriado 2021?

A ideia era que estudantes do 1° ano do ensino médio, em 2021, pudessem fazer o Seab neste ano e nos dois seguintes (2022 e 2023). Assim, poderiam utilizar a média das notas para pleitear uma vaga na Universidade no ano de 2024. Caso a prova deste ano seja cancelada, não será possível dar início ao ENEM seriado ainda. Além disso, não será possível medir o nível de aprendizagem dos alunos durante o período de pandemia. 

Mas é a própria crise de saúde que inviabiliza a avaliação, uma vez que, para realizar o Seab 2021 seria necessário encher salas com alunos pelo país todo, sem o distanciamento necessário.  A presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães de Castro afirmou ser contra calcular o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2021.

"Seria impossível colocar todos os estudantes na sala de aula. Mas uma prova amostral poderia ajudar a ter um diagnóstico, em fevereiro de 2022, dos problemas centrais na aprendizagem", disse ao G1. Entretanto, Castro é "a favor do Saeb para alguns grupos, sem indicação de escolas e municípios nos resultados. É importante para orientar o que deverá ser feito e para não perder a série histórica de dados".

A instituição do ENEM seriado acabaria com o ENEM normal?

A criação do novo formato do Exame Nacional não impediria que os estudantes fizessem a prova do ENEM como já é conhecida há anos. O objetivo é que ambas as avaliações sejam aplicadas anualmente com calendários diferentes. Dessa forma, os estudantes teriam mais oportunidades de conseguir uma vaga no curso superior desejado. 

O aluno que fizer o Enem seriado em 2021 também pode fazer o Enem regular. As duas provas não serão na mesma data, para que o aluno possa concorrer a uma vaga por meio dos dois processos seletivos”, pontuou o coordenador-geral de exames para certificação do Inep, Eduardo Carvalho Sousa.

Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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