Erros de português eliminam 40% dos candidatos a vagas de estágio

Segundo pesquisa, 40% dos candidatos a vagas de estágio são eliminados por não obterem resultados satisfatórios nas questões de português.

Todos sabem que português é uma das matérias que mais causa insatisfação e apreensão em concurseiros, concursandos ou concorrentes de qualquer tipo de prova. O que pouca gente ainda não sabe é quantificar, em números exatos, qual a dimensão dessa insatisfação coletiva, razão de muitas desclassificações.

Apostila de Língua Portuguesa para Concursos Públicos

Mas isso já está documentado. É que uma pesquisa realizada pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (NUBE) demonstrou aquilo que já suspeitávamos há tempos: foi constatado que em seleções para preencher vagas de estágio 40% dos candidatos são eliminados por não obterem resultados satisfatórios nas questões de português.

Ao todo, foram estudados os resultados de 6.716 estudantes  que somaram uma reprovação coletiva de 39,78% nos níveis superior e tecnológico. Com alunos de nível médio e técnico os resultados não foram muito diferentes, mas o índice é um pouquinho menor - 36,73% em testes de ortografia.

Entre as áreas específicas de alguns cursos, as que mais tiveram índice de desaprovação foram Artes e Design, com  70,59%, e Matemática, com 66%. Surpreendentemente,  o curso de Pedagogia também conseguiu demarcar seu território  entre os que mais possuem desaprovação em língua portuguesa: foram 50% dos alunos.

Mas engana-se quem pensa que estudantes de uma área como jornalismo necessariamente se sairiam melhor. O resultado da pesquisa para esses universitários também foi desanimador, pois atingiu 49,45%.

Bons resultados e treino do padrão formal

Agora, um dado que pode até lhe surpreender. Na pesquisa realizada pelo NUBE, os alunos que melhores resultados obtiveram foram dos cursos de Engenharia e Direito. O índice de aprovação desses alunos ficou entre 74% e 82,75%!

Embora com um corpus de pesquisa restrito a estudantes em busca de estágio, os resultados encontrados demonstram, de certa forma, a fragilidade intelectual de muitos de nossos futuros profissionais. Os mesmos acabam até encontrando oportunidades no mercado, mas nem sempre conseguem superar certas "deficiências" linguísticas, principalmente quando se vêm diante de situações em que necessitam dar um tratamento adequado ao padrão culto da língua.

Para o professor de língua portuguesa e revisor de conteúdo web, Alberto Vicente Silva, "há situações, por exemplo, em que os jovens têm a ilusão de que muitas questões de português cobradas nas seleções podem ser facilmente respondidas pelo conhecimento 'intuitivo' da língua que eles acreditam ter". O profissional conclui dizendo que, "apesar de a maioria desses jovens hoje terem um contato até intenso com a linguagem escrita pela internet, falta a eles o hábito saudável da leitura e, principalmente o treino da língua escrita, especialmente em seu padrão formal, que é justamente aquele que vai ser usado ao longo de suas vidas profissionais".

Compartilhe