Estudo: Um terço dos servidores públicos devem se aposentar até 2034

Mais de 36% dos servidores públicos estão em idade de se aposentar. O estudo do Instituto Millenium também mostra que 4,26% do PIB é gasto com o funcionalismo.

servidores públicos devem aposentar: visão de cima de um escritório

Especialistas acham que essa pode ser uma brecha para a reforma administrativa. - Foto: Pixabay

Um estudo realizado pelo Instituto Millenium sobre a reforma administrativa mostrou que cerca de um terço dos servidores públicos federais devem se aposentar até 2034. Dados do levantamento publicado nesta segunda (10) mostram que mais de 36% dos funcionários estão acima dos 51 anos. Ou seja, um total de 219.463 pessoas que podem se aposentar nos próximos anos, sendo 95% destes estatutários.

Em outra pesquisa, o Instituto constatou que os salários do funcionalismo correspondem a 3,5 vezes mais do que as despesas com saúde. O número mostra que o Brasil é o sétimo país que mais gasta com servidores. Com tantas pessoas em pé de aposentadoria, será necessário fazer uma reposição de pessoal. Dessa forma, abre-se uma janela para implementar mudanças e criar lugar para vínculos celetistas e temporários.

“Se não aproveitarmos essa janela para pensarmos o modelo melhor para o serviço público, teremos uma segunda geração de servidores com discrepância de salários e falta de uma carreira progressiva. As contas não vão fechar", comenta Priscila Pereira Pinto, cientista política e diretora do Instituto Millenium.

Gastos do PIB

Estima-se que o gasto médio com um funcionário público federal seja quase três vezes maior do que um estadual, totalizando em R$ 242 mil por ano. De acordo com a pesquisa do Instituto Millenium em parceria com a consultora Data Science Octahedron Data eXperts (ODX), 4,26% do PIB brasileiro vem do funcionalismo federal. No entanto, o maior gasto é com os servidores estaduais. Confira o gráfico:

Apesar do menor gasto com funcionários federais, esses são os mais caros para os cofres públicos. A principal razão é o profissional especializado, logo mais qualificado e assim recebe melhor salário.

“A reforma administrativa é uma questão de discussão sobre desigualdade no setor público. Estamos muito preocupados porque essa desigualdade, não só de pagamento e benefícios, mas também de potencial de carreira, está frustrando esse setor, que acaba não sendo produtivo o suficiente” afirmou Priscila.

Bonificações

O estudo mostra que 95% dos funcionários federais recebem bonificações por desempenho sem um critério ou meta específicos. Inclusive, alguns grupos chegam a receber salários e benefício que estão muito acima da média. Enquanto outras áreas estão defasadas e os profissionais não têm estímulos.

De acordo com Wagner Vargas, da ODX, “há uma urgência máxima em fazer uma reforma administrativa para que os novos estejam em um ambiente com maiores incentivos à produtividade”. Ele explica que, se as profissões com maior número de trabalhadores no funcionalismo contassem com a mesma remuneração da iniciativa privada, o Brasil economizaria cerca de R$ 15 bilhões ao ano.

“Está na hora de repensar o modelo para que as próximas gerações de servidores entrem com gás e com vontade de entregar os resultados que a sociedade brasileira precisa. Sabemos que a reforma tributária, sozinha, não vai fechar as contas. Não faz sentido simplificar os tributos, se quando eles forem arrecadados, não houver dinheiro suficiente para cobrir os gastos atuais com todo o setor e suas distorções”, finalizou Priscila.

Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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