Fim do auxílio emergencial empurrará 13 milhões para as classes D e E

Pesquisa da FGV Social aponta cenário preocupante para o fim do auxílio emergencial.

Segundo estudo do pesquisador Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social), o fim do auxílio emergencial poderá empurrar 13,1 milhões de pessoas para as classes D e E.

Esses indivíduos que antes possuíam renda per capita menor que meio salário mínimo haviam ascendido de classe justamente por conta dos R$ 600,00 ofertados pelo governo federal durante a crise provocada pelo novo coronavírus. Agora, poderão voltar ao patamar antigo ou até pior.

Para os pesquisadores, a medida foi essencial, pois evitou que milhões de brasileiros passassem fome e ainda os tiraram temporariamente da pobreza. Todavia, a preocupação sobre o que fazer após o final de 2020 e início de 2021 passa a ser algo que o governo deverá lidar.

Outra pesquisa aponta cenário semelhante

Uma outra pesquisa, realizada pela consultoria Tendências, apontou que 3,8 milhões de domicílios serão empurrados para as classes D e E. Sendo assim, pelo menos 15 milhões de brasileiros ficarão mais pobres neste ano.

No caso desse estudo, o principal motivo foi a perda de renda da Classe C. O benefício de R$ 600,00 não atingiu essa classe, sendo que boa parte dos seus integrantes perderam seus empregos ou tiveram perdas consideráveis em suas rendas.

De acordo com a Tendências, dos 3,8 milhões de domicílios que ficarão mais pobres, 2 milhões serão da classe C, que antes tinha uma renda entre R$ 2,5 mil e R$ 6,1 mil e agora terá que conviver com uma menor quantia de dinheiro.

Renda Brasil pode ser solução

Um dos planos do governo federal para evitar que milhões de pessoas percam renda após o fim do auxílio emergencial é a criação do Renda Brasil. Tido por Jair Bolsonaro como uma das prioridades do seu mandato, o programa de transferência de renda vem sofrendo com atrasos.

O principal motivo é que o presidente deseja que os valores pagos sejam maiores do que aqueles apresentados pela equipe econômica. Bolsonaro chegou a vetar o anúncio do Renda Brasil por insatisfação com o projeto.

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