Fim do auxílio emergencial pode devolver 6,9 milhões à extrema pobreza

Pesquisa indica que o fim do benefício pode devolver milhões à extrema pobreza. Auxílio emergencial foi fundamental para renda dos mais pobres.

De acordo com um estudo divulgado pelo pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o fim do auxílio emergencial pode devolver milhões à extrema pobreza.

Com o benefício, o número de pessoas que estavam na extrema pobreza caiu de 4,2% para 3,3% de brasileiros. Só a título de comparação, atualmente 3,3% da população representa 6,9 milhões de pessoas. Além disso, o percentual de indivíduos naquilo que é considerado situação de pobreza também foi reduzido. O número saiu de 23,8% para 21,7% dos brasileiros.

O estado de extrema pobreza é classificado como a pessoa que tem uma renda inferior a US$ 1,90 por dia, algo em torno de R$ 155,00 mensais. Já a pobreza são pessoas que ganham até US$ 5,50 por dia.

O estudo apontou que, apesar da crise econômica, a camada mais pobre do Brasil, em um contexto geral, teve o seu rendimento ampliado. O nível de pobreza é o menor desde o início de pesquisas de renda em domicílios nos últimos 40 anos.

O motivo da queda na penúria é o auxílio emergencial e é por isso que a sua extinção poderá provocar um grande deslocamento, de milhões de brasileiros, de volta para a pobreza ou mesmo para a extrema pobreza. Além disso, a crise econômica provocada pela pandemia pode levar outros que estavam em situações mais confortáveis a se juntarem ao mais pobres.

Em entrevista ao Correio Braziliense, o pesquisador fez uma crítica sobre as políticas sociais adotadas pelo Brasil. “O auxílio mostrou que as políticas sociais no Brasil são mal desenhadas. A retirada desses R$ 600 mensais tende a levar a extrema pobreza aos níveis de 2007”, afirmou.

Tudo indica que o governo federal está agora em uma situação muito delicada. Se por um lado o auxílio emergencial trouxe benefício e conforto aos cidadãos, sua retirada pode significar uma grande perda econômica para milhões de brasileiros. Como equilibrar os gastos da União depois da pandemia e ao mesmo tempo impedir que milhões de brasileiros voltem à extrema pobreza será um dos maiores desafios de 2021.

Renda básica pode ser solução

Alguns movimentos sociais procuram difundir a ideia de que haja uma renda básica no Brasil. O maior dos movimentos é o Renda Básica que Queremos, que reúne 162 organizações diferentes com o objetivo de tornar o auxílio emergencial como benefício fixo até o final do ano e no futuro, que haja uma discussão sobre a implementação de uma renda básica no Brasil.

O movimento chegou a fazer uma campanha nas redes sociais para que os brasileiros enviem e-mail pressionando deputados e senadores, sendo que os principais alvos dos pedidos eram Rodrigo Maia (DEM - RJ) e Davi Alcolumbre (DEM - AP), respectivamente presidentes da Câmara e do Senado.

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