Fim do auxílio emergencial pode devolver 6,9 milhões à extrema pobreza

Pesquisa indica que o fim do benefício pode devolver milhões à extrema pobreza. Auxílio emergencial foi fundamental para renda dos mais pobres.

Fim do auxílio emergencial pode devolver 6,9 milhões à extrema pobreza, celular com aplicativo do auxílio emergencial

Cenário para 2021 será desafiador para o governo. - Foto: Wikimedia Commons

De acordo com um estudo divulgado pelo pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o fim do auxílio emergencial pode devolver milhões à extrema pobreza.

Com o benefício, o número de pessoas que estavam na extrema pobreza caiu de 4,2% para 3,3% de brasileiros. Só a título de comparação, atualmente 3,3% da população representa 6,9 milhões de pessoas. Além disso, o percentual de indivíduos naquilo que é considerado situação de pobreza também foi reduzido. O número saiu de 23,8% para 21,7% dos brasileiros.

O estado de extrema pobreza é classificado como a pessoa que tem uma renda inferior a US$ 1,90 por dia, algo em torno de R$ 155,00 mensais. Já a pobreza são pessoas que ganham até US$ 5,50 por dia.

O estudo apontou que, apesar da crise econômica, a camada mais pobre do Brasil, em um contexto geral, teve o seu rendimento ampliado. O nível de pobreza é o menor desde o início de pesquisas de renda em domicílios nos últimos 40 anos.

O motivo da queda na penúria é o auxílio emergencial e é por isso que a sua extinção poderá provocar um grande deslocamento, de milhões de brasileiros, de volta para a pobreza ou mesmo para a extrema pobreza. Além disso, a crise econômica provocada pela pandemia pode levar outros que estavam em situações mais confortáveis a se juntarem ao mais pobres.

Em entrevista ao Correio Braziliense, o pesquisador fez uma crítica sobre as políticas sociais adotadas pelo Brasil. “O auxílio mostrou que as políticas sociais no Brasil são mal desenhadas. A retirada desses R$ 600 mensais tende a levar a extrema pobreza aos níveis de 2007”, afirmou.

Tudo indica que o governo federal está agora em uma situação muito delicada. Se por um lado o auxílio emergencial trouxe benefício e conforto aos cidadãos, sua retirada pode significar uma grande perda econômica para milhões de brasileiros. Como equilibrar os gastos da União depois da pandemia e ao mesmo tempo impedir que milhões de brasileiros voltem à extrema pobreza será um dos maiores desafios de 2021.

Renda básica pode ser solução

Alguns movimentos sociais procuram difundir a ideia de que haja uma renda básica no Brasil. O maior dos movimentos é o Renda Básica que Queremos, que reúne 162 organizações diferentes com o objetivo de tornar o auxílio emergencial como benefício fixo até o final do ano e no futuro, que haja uma discussão sobre a implementação de uma renda básica no Brasil.

O movimento chegou a fazer uma campanha nas redes sociais para que os brasileiros enviem e-mail pressionando deputados e senadores, sendo que os principais alvos dos pedidos eram Rodrigo Maia (DEM - RJ) e Davi Alcolumbre (DEM - AP), respectivamente presidentes da Câmara e do Senado.

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