Governo quer que cadastros do Bolsa Família sejam via aplicativo

Prefeitos são contra os cadastros via aplicativo e alegam que beneficiários poderão ser prejudicados.

Governo quer que cadastros do Bolsa Família sejam via aplicativo; Cartão do Bolsa Família

Prefeitos criticam mudanças. - Foto: Agência Brasil

O governo federal quer que cadastros do Bolsa Família sejam feitos via aplicativo. Segundo o Ministério da Cidadania, o objetivo é dar celeridade e mais transparência ao processo, evitando fraudes e burocracia.

A ideia é que os cadastros sejam feitos de forma semelhante ao auxílio emergencial. No caso, seria necessário o beneficiário ter um smartphone e baixar o aplicativo do Cadastro Único, que permite a inscrição em diversos programa sociais como o Bolsa Família.

Atualmente, o registro no Cadastro Único é feito por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) espalhados pelos municípios do país. Lá, um atendente coleta os dados da pessoa e faz todo detalhamento de informações. Depois, ele indica qual programa seria o ideal para a pessoa.

Prefeitos não gostaram da mudança

A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) não gostou das mudanças realizadas no cadastramento dos beneficiários. Segundo a FNP, os prefeitos refutam “com veemência a substituição do atendimento humanizado pelo robotizado".

De acordo com a frente, os municípios desenvolvem um papel fundamental no Cadastro Único. Eles alegam que parte do público é analfabeta ou não consegue entender como os programas funcionam. Sendo assim, precisam dos profissionais para orientação e ajuda.

Entidades criticam registro via aplicativo

A principal crítica de diversas ONG’s e entidades é justamente o fato do registro se tornar somente digital. Segundo eles, muitos beneficiários não possuem smartphones ou acesso à internet para poder fazer o cadastro. Sendo assim, milhares de pessoas poderão ser excluídas por não terem a ferramenta.

Além disso, existem perguntas e termos que possuem vocabulário mais técnico ou complexo que podem gerar dúvidas. E como não há o atendimento presencial, apenas havendo opção de se tirar dúvidas por meio de respostas automáticas no aplicativo, muitos podem realizar o cadastro de forma errada e terem os programas sociais que pretendem negados.

Por fim, é afirmado que o técnico ou atendente do Cadastro Único é uma pessoa preparada que consegue orientar o beneficiário sobre o programa que ele vai precisar, pois ele tem a oportunidade de conversar com quem deseja obter ajuda do governo. O registro por aplicativo não permite esta opção. Sendo assim, a pessoa pode se inscrever no Bolsa Família, mas na realidade, estaria necessitando de outro programa social mais adequado a sua situação.

Pagamentos do Bolsa Família já serão digitais

A digitalização dos serviços parece ser um caminho sem volta. Prova disso é que os pagamentos do Bolsa Família estão sendo feitos por meio de poupanças sociais digitais criadas pela Caixa automaticamente. A tendência é que todos os beneficiários tenham suas contas abertas até abril de 2021.

De acordo com o banco, a movimentação poderá ser feita via Caixa Tem, aplicativo disponível para Android e iOS. Por lá é possível pagar contas, fazer transferências e compras em estabelecimentos.

Carlos Rocha
Redator
Jornalista formado (UFG), atualmente redator no site Concursos no Brasil. Foi roteirista do Canal Fatos Desconhecidos (YouTube) por um ano e meio. Produziu conteúdo de podcast para o Deezer. Fez parte da Rádio Universitária (870AM) por três anos e meio como apresentador no Programa Fanático e como repórter, narrador e comentarista da Equipe Doutores da Bola. Fã de futebol, NFL e ouvinte de podcast.

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