Guedes: aumento do salário mínimo acima da inflação geraria demissões

Aumento do salário mínimo seguirá apenas a inflação, pois além dos cortes nos gastos, ministro teme demissões em empresas.

No dia 31 de agosto, o governo federal apresentou a proposta do salário mínimo para o ano que vem. Surpreendendo muitas pessoas, o reajuste seguirá apenas a inflação, ou seja, não haverá ganho real. De acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o aumento do salário mínimo acima da inflação geraria demissões.

A fala de Guedes ocorreu durante uma live com empresários nesta terça-feira (01/09). "Hoje, se você der um aumento de salário mínimo, vão ter no mínimo milhares e talvez milhões de pessoas que vão ser demitidas”, comentou.

Ele reforçou sua fala e as ações ao citar os cuidados que o governo deve tomar. “Você está no meio de uma crise de emprego terrível, todo mundo desempregado. Você dar um aumento de salário vai condenar as pessoas ao desemprego. Nós estamos atentos a isso, mas nós temos que ter cuidado para a hora que você tem que fazer esse tipo de ajuste", afirmou o ministro.

Qual foi a proposta do governo?

A proposta do salário mínimo foi enviada ao Congresso Nacional juntamente com a Lei Orçamentária Anual (LOA) que prevê os gastos da União para 2021. Nela, o governo estimou um salário mínimo de R$ 1.067,00 para o ano que vem.

Atualmente, o salário mínimo está em R$ 1.045,00. Isso quer dizer que haverá aumento de R$ 22,00, ou seja, correspondente à previsão de inflação para este ano, de 2,09%. Inicialmente, o governo projetava um mínimo de R$ 1.079,00.

Não haverá nova política de reajuste salarial

Ao longo das últimas semanas, o governo já disse que não tem a intenção de discutir uma nova política de reajuste salarial para o ano que vem e que seguirá apenas o que é determinado pela Constituição Federal, o aumento pela inflação.

A justificativa é parecida com a dada por Guedes durante a live e é reforçada pela ideia de se fazer um controle fiscal. A pandemia fez com que o governo gastasse muito em 2020 e nos próximos anos terá de apertar os cintos.

Por fim, o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, disse que a cada real de aumento no salário mínimo, há um impacto de R$ 355 milhões nas contas do governo devido aos benefícios como a previdência. Sendo assim, um reajuste acima da inflação seria inviável.

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