Guedes é condenado a pagar R$ 50 mil por comparar servidor a parasita

A Justiça Federal (Seção Judiciária da Bahia) considerou que houve insulto por parte do ministro ao comparar servidores a “parasitas”. Saiba mais detalhes!

Guedes é condenado a pagar R$ 50 mil por comparar servidor a parasita: Paulo Guedes de braços cruzados

Na época em que se retratou, Guedes disse que suas palavras foram tiradas de contexto. Ele ainda pode recorrer à decisão. - Foto: Isac Nóbrega/PR

Em decisão de primeira instância, a Justiça Federal (Seção Judiciária da Bahia) determinou que Paulo Guedes pague uma indenização de R$ 50 mil ao Sindicato dos Policiais Federais da Bahia (Sindipol-BA). A juíza da 4ª Vara, Cláudia da Costa Tourinho Scarpa, considerou que houve insulto por parte do ministro da Economia ao comparar servidores a “parasitas”.

De acordo com o Congresso em Foco, o sindicato baiano havia apresentado uma ação por danos morais coletivos contra Guedes. “O ministro da Economia, no exercício do seu direito à liberdade de expressão, insultou os servidores públicos. Ele os comparou a ‘parasitas’, pediu que eles ‘não assaltem o Brasil, quando o gigante está de joelhos’ e afirmou que eles ficam em casa ‘com geladeira cheia’”, a juíza argumentou. Paulo Guedes ainda poderá recorrer à decisão.

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Paulo Guedes havia comparado servidores a parasitas

No dia 07 de fevereiro de 2020, o seminário da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, foi o cenário para o discurso em que Paulo Guedes comparou servidores a parasitas. Em sua palestra, o ministro afirmou que o funcionário público “tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo e o cara virou um parasita. O dinheiro não chega ao povo e ele quer aumento automático. Não dá mais”.

Guedes argumentou que, em seu ponto de vista, os reajustes salariais anuais poderiam ser mais bem utilizados pela população no formato de benfeitorias. No entanto, isso não acontece porque “o governo está quebrado e gasta 90% da receita com salários”. Por outro lado, a comparação de servidores públicos a parasitas não foi bem recebida pelo Sindicato dos Policiais Federais da Bahia (Sindipol-BA).

Na época em que se retratou, Guedes disse que suas palavras foram tiradas de contexto. "Eu não falava de pessoas, e sim do risco de termos um Estado parasitário. Aparelhado politicamente. Financeiramente inviável. O erro é sistêmico, e não é culpa das pessoas que cumprem os seus deveres profissionais, como é o caso da enorme maioria dos servidores públicos", justificou em fevereiro de 2020.

Indenização por danos morais coletivos

De acordo com o Sindipol-BA, a indenização será doada aos hospitais Santo Antônio e Aristides Maltez. Ambas as unidades, localizadas em Salvador/BA, não possuem fins lucrativos e estão à frente do combate à pandemia do novo coronavírus.

José Mário de Lima, presidente do sindicado baiano, fez questão de destacar que, no texto do processo, o valor inicial da indenização era de aproximadamente R$ 200 mil.

“Mas não importa o valor. Não se trata de uma indústria de dano moral. O que importa é a defesa dos servidores públicos, em geral, dos federais e, em particular, dos servidores da segurança. A nossa reputação não pode ser atacada dessa forma”, disse.

Bruno Destéfano
Redator
Nasceu no interior de Goiás e se mudou para a capital, Goiânia, no início de 2015. Seu objetivo era o de cursar Jornalismo na UFG. Desde o fim de sua graduação, já atuou como roteirista, gestor de mídias digitais, assessor de imprensa na Câmara Municipal de Goiânia, redator web, editor de textos e locutor de rádio. Escreveu dois livros, sendo um de ficção e outro de não-ficção. Também recebeu prêmios pela produção de um podcast sobre temas raciais e por seu livro-reportagem "Insurgência - Crônicas de Repressão". Atualmente, trabalha como redator web no site "Concursos no Brasil" e está participando de uma nova empresa no ramo de marketing digital.

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