IBGE: falta oportunidades de trabalho para 32,9 milhões de brasileiros

Além da falta de trabalho, IBGE divulgou que taxa de desemprego chegou a 13,8%.

IBGE: falta oportunidades de trabalho para 32,9 milhões de brasileiros, carteira de trabalho

Dados do IBGE demonstram situação do mercado de trabalho no país. - Foto: Wikimedia Commons

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), falta oportunidades de trabalho para 32,9 milhões de brasileiros. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (30/09) e representam um recorde histórico, desde que a pesquisa, denominada de Pnad Contínua, começou a ser feita em 2012.

Além disso, a taxa de desemprego bateu 13,8% no final do mês de julho. Segundo dados da Pnad Contínua, o país perdeu 7,2 milhões de postos de trabalho somente nos três primeiros trimestres da pandemia provocada pelo novo coronavírus. Agora, são cerca de 13,1 milhões de pessoas consideradas desempregadas. Neste caso, é o segundo maior número, só perdendo para março de 2017, quando chegou em 14,1 milhões.

É válido ressaltar que a penúltima pesquisa apontava um desemprego na casa de 13,1%. Ou seja, houve um novo aumento, mesmo com a retomada parcial das atividades econômicas.

Segundo a pesquisa, o grande número de desempregados se deve à pouca oferta de postos. Se somados os meses de maio, junho e julho de 2020, a falta de oportunidades de trabalho foi justamente de 32,9 milhões de postos.

No momento, existe uma baixa demanda para contratação já que a economia ainda não retomou os trilhos e não chegou nem ao nível pré-pandemia. Portanto, poucas pessoas estão sendo contratadas com carteira assinada.

Desemprego é diferente de desalento

Um ponto importante a ser destacado é sobre o que o IBGE considera como pessoa desempregada. Um trabalhador que está sem emprego e procurando por uma oportunidade é considerado um desempregado.

No entanto, se por algum motivo ele não esteja indo atrás de uma oportunidade ou tenha desistido, ele já não é mais considerado um desempregado. A partir desse ponto, o indivíduo se encontra em estado de desalento.

Desalento também bate recorde

Além da taxa de desemprego ter sido uma das mais altas já registradas, o desalento bateu recorde histórico. De acordo com a pesquisa do IBGE, 5,8 milhões de pessoas gostariam de ter um emprego, mas pararam de procurar.

Ao mesmo tempo, os números do desalento e do desemprego colaboram para outra estatística negativa que também bateu recorde. A população ocupada com algum tipo de trabalho está em 82 milhões de indivíduos, o menor número desde o começo das medições.

Menos isolamento mais desemprego

A taxa de isolamento social no Brasil vem caindo semana após semana. Segundo um levantamento do economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, esse fator pode ajudar a explicar o aumento da taxa de desemprego.

Quando grande parte dos brasileiros estavam isolados, a procura por emprego diminuiu. Com isso, a taxa de desemprego não cresceu tanto. Com o fim do auxílio emergencial e a volta de várias atividades, muitos começam a sentir a necessidade de voltar a procurar emprego, fazendo com que as taxas aumentem.

40% dos jovens não ocupam funções em suas áreas

Uma outra pesquisa que chama a atenção é a do mercado de trabalho para jovens capacitados. Conforme um levantamento realizado pela iDados, 40% dos jovens com ensino superior não ocupam funções em suas áreas de formação no Brasil. Os dados são referentes ao primeiro trimestre de 2020, sendo que são levados em consideração pessoas entre 22 e 25 anos que terminaram a faculdade.

Vale ressaltar que, com a falta de emprego para essas pessoas, para não passar por necessidades e ter um rendimento no final do mês, muitos jovens estão optando por aceitarem cargos fora de sua área e com remunerações menores, enquanto outros nem estão conseguindo ter um emprego formal.

Carlos Rocha
Redator
Jornalista formado (UFG), atualmente redator no site Concursos no Brasil. Foi roteirista do Canal Fatos Desconhecidos (YouTube) por um ano e meio. Produziu conteúdo de podcast para o Deezer. Fez parte da Rádio Universitária (870AM) por três anos e meio como apresentador no Programa Fanático e como repórter, narrador e comentarista da Equipe Doutores da Bola. Fã de futebol, NFL e ouvinte de podcast.

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