Mourão defende cobrança de mensalidades em universidades públicas

O vice-presidente deu uma declaração defendendo que as universidades públicas cobrem mensalidades dos estudantes que têm condições financeiras de pagar.

mensalidade em universidades públicas: imagem de Hamilton mourão falando em microfone

A Andifes é contra a posição do vice-presidente e quer reunião para debater o assunto. - Foto: Wikimedia Commons

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que estudantes com melhores condições financeiras deveriam pagar pelo ensino em universidades públicas. O discurso foi feito nesta quarta-feira (26) durante sua participação em uma aula magna virtual do Grupo Ser Educacional. Segundo ele, é necessário pensar nessa possibilidade “seriamente e sem preconceitos”.

Na ocasião, Mourão foi questionado sobre formas de aumentar o número de jovens no ensino superior, sendo que a maioria das famílias brasileiras não têm como arcar financeiramente com mensalidades. Então, o vice-presidente trouxe à discussão a cobrança em universidades públicas para que alunos menos favorecidos tivessem a oportunidade de entrar em faculdades privadas.

“É algo que nós temos que pensar hoje, seriamente, sem preconceitos, porque seria um recurso que poderia ser canalizado para aqueles jovens que precisam de financiamento e pagaram uma universidade privada. Seria uma compensação muito justa isso aí”, comentou Mourão. Em sua opinião, é necessário espaço fiscal nas contas públicas e as mensalidades seriam uma boa solução.

"Nós temos um paradoxo, que eu gostaria de trazer para todos, que é uma visão que eu tenho de longa data, que é: nós termos dentro da universidade federal gente que poderia pagar os seus custos recebendo um ensino de graça e, posteriormente, não devolvendo nada para o país. Simplesmente é formada e passa única e exclusivamente a lidar com a sua vida privada", afirmou. 

Para exemplificar, o vice-presidente falou de seus próprios filhos que se formaram em instituições federais. "Eu digo isso 'de cadeira', porque a minha filha, que é advogada, e meu filho, que é administrador, estudaram em universidade federal, e eu poderia ter pago algo, o que seria normal", pontuou.

Andifes é contra a ideia do vice-presidente

“Uma fonte de financiamento seria, não tenho assim o dado numérico, mas ouso arriscar que uns 60% dos que frequentam universidade federal têm condições de pagar. O pagamento que eles fizessem serviria para que mais alunos ingressassem no setor privado e, consequentemente, nós aumentássemos o nosso percentual de jovens com curso superior", disse Mourão durante a aula.

Contudo, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) se posicionou contra a proposta. De acordo com a Andifes, existem estudos que demonstram uma impossibilidade na ideia do vice-presidente. “Vamos solicitar uma audiência com o vice-presidente para mostrar os nossos estudos e as nossas argumentações”, disse o presidente da Andifes, Edward Madureira, reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Segundo Madureira, passar as despesas do ensino superior para as famílias brasileiras seria impossível, uma vez que a maioria dos estudantes das instituições públicas são de baixa renda. De acordo com a última pesquisa da Andifes, realizada com dados de 2018, mais de 70% dos alunos de universidades e institutos federais tem renda mensal de um salário mínimo e meio por pessoa.

Vale ressaltar que, em 2019, já haviam surgido boatos da instauração de mensalidades em universidades federais. No entanto, Abraham Weitraub, ministro da Educação na época, foi a público e negou que essa ação aconteceria no governo Bolsonaro.

Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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