Novo golpe do auxílio emergencial está espalhando nas redes sociais

Já foram 11 milhões de tentativas de golpe do auxílio emergencial. A Caixa, junto com órgãos do governo, está investigando os casos.

Novo golpe do auxílio emergencial está espalhando nas redes sociais: mão segurando celular aberto no aplicativo do auxílio

A Caixa chamou a atenção dos usuários para se cuidar na internet. - Foto: Wikimedia Commons

Quem solicitou ou pretende solicitar o benefício de R$ 600 precisa ficar atento. O Laboratório Especializado em Segurança Digital da PSafe (dfndr lab) divulgou que 11 milhões de tentativas de golpe do auxílio emergencial foram realizadas via WhatsApp e redes sociais. De acordo com os dados, ainda surgiram 250 aplicativos falsos e 125 páginas relacionadas ao coronavírus para tirar vantagem do público.

Emílio Simoni, diretor do dfndr lab, disse que pessoas que cometem crimes pela internet, os cibercriminosos, usam temporadas específicas para dar golpes especiais, como feriados, grandes eventos e épocas festivas. A pandemia de COVID-19 é mais uma dessas ocasiões. Segundo ele, o objetivo dessas pessoas é “roubar dados pessoais e financeiros das vítimas ou levá-las a páginas falsas para visualizar publicidades excessivas. É possível afirmar que todos estão mais suscetíveis a golpes e fake news neste período”.

Nessas ciladas, os hackers levam as vítimas a responder questionários ou dar informações elaboradas sobre sua vida. O novo golpe do auxílio emergencial, por exemplo, tem perguntas como “Você é beneficiário do Bolsa Família?”. Depois das respostas, o usuário é instigado compartilhar um link que teoricamente dá acesso aos R$ 600 do governo. Assim, a pessoa enganada se torna um vetor de propagação do golpe.

Simoni explicou também que “além do consumo da internet ter aumentado significantemente, as pessoas que estão em isolamento social se sentem ansiosas, preocupadas e temem pelo o que virá pela frente. Estes sentimentos, em conjunto com a crise que o país está enfrentando por conta da pandemia, proporciona o cenário ideal para que os mais diversos ataques sejam disseminados, especialmente através de serviços de troca de mensagens, que têm sido amplamente usados neste momento. Não é à toa que os golpes mais populares oferecem algum tipo de benefício financeiro e têm sido compartilhados especialmente através do WhatsApp”.

Como funciona o golpe do auxílio emergencial

Sabe-se que as ciladas na internet podem acontecer de duas maneiras: link malicioso ou aplicativo falso. No primeiro caso, a pessoa alvo recebe um link pelo WhatsApp, mas também pode acontecer nas redes sociais. Ao clicar nele, aparece um questionário para o usuário completar suposto cadastro visando receber o benefício.

Posteriormente, a vítima é induzida a compartilhar aquele link com outras pessoas. Depois é feito um redirecionamento para uma página onde:

  • Aparecem novas perguntas de cunho pessoal;
  • Várias propagandas pulam na tela; ou
  • Malwares que coletam informações de navegação são instalados no aparelho.

Por meio disso, os cibercriminosos têm conseguem acessar contas bancárias, por exemplo.

Já o golpe do auxílio emergencial por aplicativo pode ocorrer na própria loja de app ou num site falso:

Loja de app

  1. O usuário procura o aplicativo do benefício na loja de app;
  2. Ele acha um aplicativo falso muito semelhante ao original;
  3. Ao fazer o download aparecem informações sobre o auxílio acompanhada de publicidade.

Por sorte, nessa situação não há roubo monetário. Porém, o lucro dos hackers surge a partir das visualizações das propagandas.

Site falso

  1. A vítima recebe um link para baixar o app do auxílio emergencial;
  2. Ao fazer o download do suposto aplicativo, a tela do aparelho é bloqueada;
  3. Então, para liberar a tela, é solicitado um pagamento em dinheiro ou bitcoin (moeda on-line).

Caso não seja feito o pagamento, o cibercriminoso restaura o aparelho para as configurações originais de fabrica podendo acessar todas as informações da máquina.

Como evitar os golpes

A Caixa Econômica Federal pediu para os usuários solicitarem o auxílio emergencial apenas pelo site oficial do banco ou do governo. “Neles são utilizados fatores complementares de segurança baseados em informações, código de verificação, além do próprio dispositivo para garantir o devido nível de segurança do processo. Assim, podemos garantir que ao utilizar os aplicativos oficiais da Caixa as informações e transações dos clientes estarão seguras”, afirma a instituição financeira.

Junto com a Polícia Federal, órgãos do governo e as lojas de aplicativo, o banco está investigando todas essas situações. A Caixa também alerta que “antes de compartilhar informações sobre a epidemia e o auxílio emergencial, procure em veículos confiáveis e fontes oficiais para confirmar se é realmente é verídico, tais como: Ministério da Saúde; Ministério da Cidadania; Ministério da Economia; Secretaria Especial de Previdência e Trabalho; Caixa; Dataprev; jornais e sites de relevância”.

Com o objetivo de proteger seus clientes do golpe do auxílio emergencial, o banco criou uma cartilha de proteção. Sendo assim, a Caixa sugere que os usuários:

  • Não usem Navegadores e antivírus desatualizados;
  • Fiquem atentos ao Certificado e https dos sites, pois o “S” em HTTPS indica que a conexão é segura.

Na cartilha também diz que “apesar dos dispositivos de segurança nas plataformas digitais do banco, o cliente deve estar sempre atento a qualquer atividade e situação não usual, e principalmente não clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp ou redes sociais para acesso a contas e valores a receber, desconfiando de informações sensacionalistas e de ‘oportunidades imperdíveis’”.

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