Novo golpe do FGTS Emergencial é descoberto

Vítimas de golpe afirmam que tiveram o FGTS Emergencial furtado por meio do aplicativo Caixa Tem. Especialista afirmou que o sistema de confirmação é falho.

FGTS Emergencial: várias notas de dinheiro espalhadas

Especialista diz que até pessoas que tem conhecimento em tecnologia podem sofrer o golpe. - Foto: Concursos no Brasil

Novos golpes foram aplicados por meio do aplicativo Caixa Tem utilizando o CPF de pessoas que receberam o FGTS emergencial. O benefício foi autorizado pelo governo como forma de aplacar os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus. Assim, a Medida Provisória nº 946 autoriza saques de até R$ 1.045,00 por trabalhador em contas ativas e inativas do Fundo de Garantia.

De acordo com relatos de vítimas ao jornal Estado de Minas, os golpistas agem de forma simples: baixam o aplicativo Caixa Tem, se cadastram utilizando CPF de outra pessoa e utilizam um novo e-mail com os dados roubados. ''Os fraudadores, sabendo que a Caixa fez um processo falho de validação, foram mais rápidos que as pessoas'', afirmou Thomas Ranzi, especialista em segurança da informação e vítima do golpe.

Como o golpe foi descoberto

As pessoas só descobriram que tiveram seu FGTS Emergencial furtado ao tentar se cadastrar no aplicativo e receberem a notificação de CPF já cadastrado. Ranzi foi uma dessas vítimas que descobriu o golpe ao tentar se registrar. Ele contou que os fraudadores pagaram um boleto no valor da parcela liberada e, ao fazer a reclamação ao banco digital, recebeu a resposta de que não havia sido constatada fraude.

Em suas redes sociais, o especialista deu dicas de como verificar se você também foi vítima de golpe. “Trabalho na área e tenho meios de questionar a resposta da Caixa e, inclusive, entrar na Justiça, se for o caso. Mas me preocupa muito o fato de muita gente ter esse dinheiro tomado sem o conhecimento. Nem todo mundo sabe que teve essa liberação do saque emergencial”, comentou.

Houve vários relatos semelhantes e essas pessoas alertam que é necessário ficar atento à sua conta bancária, verificar na agência e no aplicativo para saber se houve golpe. Em nota oficial, a Caixa Econômica afirmou que ''para os casos em que houver comprovação de saque fraudulento, o beneficiário será devidamente ressarcido''.

Sistema falho de confirmação

Thomas Ranzi afirmou que a porta de entrada para o golpe ser realizado foi o sistema de confirmação pedido pelo banco. Segundo ele, “esses são dados que (estão em) qualquer cadastro que vaze na internet ou sistemas públicos, como o da Receita Federal. Os fraudadores, sabendo que a Caixa fez um processo falho de validação, foram mais rápidos que as pessoas”.

Ele acredita que usar outras informações mais difíceis de serem encontradas, como Número de Identificação do Trabalhador (NIT), protegeria melhor os solicitantes na hora da confirmação. A Caixa confirmou as falhas no sistema do FGTS Emergencial que podem ter gerado os golpes, mas também disse que a confirmação está permitindo que muitas pessoas que preenchem o cadastro corretamente tenham acesso ao dinheiro.

O presidente do banco, Pedro Guimarães afirmou que “é preciso evitar dados pessoais sem saber se o site ou aplicativo é oficial ou confiável. Sites oficiais não enviam esse tipo de informações através do compartilhamento de mensagens”.

O benefício, diferente do auxílio emergencial, não precisava ser solicitado. Clientes da Caixa receberiam a quantia em sua conta e aqueles que não quisessem utilizar o dinheiro no momento poderiam solicitar o estorno para o Fundo.

Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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