Pandemia de coronavírus: mulheres são as mais afetadas pela crise

A crise econômica gerada pela pandemia de COVID-19 atingiu, em maioria, a população feminina. Mais de 75% das mulheres em empregos informais estão sem trabalho.

mulheres são as mais afetadas pela crise: mulher usando máscara cirúrgica empurrando carrinho de supermercado

A maioria das mulheres em empregos informais estão sem trabalho durante a pandemia. - Foto: Pixabay

A pandemia de coronavírus culminou numa série de desempregos pelo Brasil e em toda a América Latina. Neste cenário, as mais afetadas foram as mulheres. De acordo com a Comissão Econômica para a América Larina e o Caribe (Cepal), o desemprego pode chegar a 13,5% nos países latinos ao final de 2020. Sendo assim, cerca de 44 milhões de pessoas podem ficar sem seus empregos nesse período.

O trabalho informal foi o mais atingido pela crise econômica, consequentemente o público feminino é o que mais tem sofrido — uma vez que a maioria dos trabalhadores nessa situação são mulheres. Hoje, o Brasil conta com o menor índice de empregabilidade da população feminina.

Outro ponto é que setores como hotelaria, alimentação e serviços domésticos, também dominados por mulheres, sofreram com a paralisação. Segundo a Cepal, 11,4% das latino-americanas lidam com trabalhos domésticos remunerados e 77,5% delas estão em situação de informalidade.

Dentro deste contexto, a empresa Famivita fez uma pesquisa com 7.500 mulheres para compreender os níveis de desemprego entre a população feminina durante a pandemia de COVID-19. Os dados recolhidos mostram que 39% ficaram desempregadas ao longo dos meses em que dura a pandemia. Antes da crise, mais de 50% mantinham atividades profissionais.

Aumento da jornada

Além disso, as mulheres estão precisando lidar com jornadas duplas ou triplas em casa. O que acontece é que a paralisação das escolas e o início das aulas online, fez com que muitas mães fossem obrigadas a se envolver ainda mais com o trabalho voltado ao lar. De acordo com os dados, mais de 100 milhões de crianças estão dentro de casa o dia todo dependendo dos cuidados maternos.

Portanto, as mulheres que conseguiram manter seus empregos, precisam lidar com a carga horária do trabalho mais educação dos filhos. É um serviço de tempo integral que gera muita sobrecarga e dificuldade para conciliar tudo.

Auxílio emergencial para mulheres

O governo federal criou, em março de 2020, o auxílio emergencial para distribuir renda aos trabalhadores em situações de vulnerabilidade. O benefício foi concedido a microempreendedores individuais (MEIs), autônomos e desempregados. Foram cinco parcelas de R$ 600 e duas cotas para mães solteiras (R$ 1.200).

No entanto, de acordo com a Famivita, apenas 46% das mulheres que solicitaram o auxílio entre os dias 27 e 28 de julho tiveram seus cadastros aprovados, incluindo aquelas que são chefes de família. Ainda segundo os dados da empresa, a nível nacional, apenas 57% das mães que têm filhos pequenos conseguiram acesso ao benefício.

Agora, o auxílio emergencial foi prorrogado por mais quatro meses, sendo pago até dezembro de 2020. Contudo, foi definido um novo valor de R$ 300 para os repasses. A MP que regula a ajuda governamental manteve a regra de duas cotas para mães solteiras.

Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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