Guedes estuda estender auxílio emergencial; valor seria de R$ 200

O ministro da Economia disse que a extensão do auxílio emergencial por mais tempo só poderá ser feita se o valor for reduzido para R$ 200.

Paulo Guedes discute a extensão do auxílio emergencial por mais um mês: ministro da economia falando

A ideia da redução é suavizar a queda do auxílio, mas impedir que ele se torne fixo. - Foto: Wikimedia Commons

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse estar calculando uma possível extensão do auxílio emergencial por mais tempo além dos três meses estipulados. Contudo, para que isso aconteça, Guedes está propondo que a ajuda de custo deixe de ser no valor de R$ 600 e passe a ser R$ 200. A ideia é que, dessa forma, o benefício possa ser eliminado aos poucos para que o baque financeiro dos beneficiários não seja tão grande.

Segundo o ministro, “Quando acabar esse prazo [três meses], em vez de tirar de uma vez só, vamos fazer um phase out (eliminação em fases). Não é que nós vamos prorrogar, porque não temos fôlego financeiro para fazer a gastança que está aí, mas vamos ter que suavizar a queda. Em vez de cair tudo de uma vez, nós vamos descer mais devagar um pouco”.

O auxílio de R$ 600 foi criado para ajudar microempreendedores individuais, autônomos e trabalhadores individuais durante o isolamento social. A princípio, quando a pandemia de coronavírus começou a tomar grandes proporções no Brasil, Paulo Guedes sugeriu que o auxílio emergencial fosse de R$ 200. No entanto, o presidente da República fechou na quantia atual após pressão do Congresso.

“Quem sabe não dá para estender um mês ou dois?”

De acordo com titular da equipe econômica, a redução no valor do benefício está diretamente ligada às limitações das contas públicas. Paulo Guedes explica que é possível fazer a extensão do auxílio emergencial por algum tempo, desde que se diminua o valor. “Se voltar para R$ 200 quem sabe não dá para estender um mês ou dois? R$ 600 não dá”, reafirmou.

Inicialmente foi calculado que seriam retirados R$ 98 bilhões dos cofres públicos para entregar o auxílio emergencial para 54 milhões de brasileiros. No entanto, com o mais CPFs sendo aprovados, a nova previsão de gasto é de R$ 124 bilhões.

Sendo assim, o ministro afirmou que está tentando ver qual é a melhor solução. “O que a sociedade prefere, um mês de R$ 600 ou três de R$ 200? É esse tipo de conta que estamos fazendo. É possível que aconteça uma extensão. Mas será que temos dinheiro para uma extensão de R$ 600? Acho que não”, disse. Guedes acredita que não tem por que continuar entregando R$ 600 se beneficiários do Bolsa Família recebem apenas R$ 200, sendo mais vulneráveis que trabalhadores informais.

“Se falarmos que vai ter mais três meses [...] aí ninguém trabalha”

Entre os governantes existe uma preocupação de que o auxílio emergencial se torne um benefício fixo. Inclusive, o secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, disse que a ajuda de R$ 600 “tinha vindo para ficar”. Porém, a pasta responsável negou a possibilidade em nota divulgada. Calcula-se que o benefício custa cerca de R$ 40 bilhões por parcela, por isso seria inviável mantê-lo para sempre.

Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica, acredita que o programa de auxílio “não foi desenhado para ser estrutural. Acabaram esses três meses, tem que ser abandonado”. Ou seja, ele defende o fim sem suavização. O ministro da Economia, por sua vez, teme que as pessoas se acomodem e deixem de trabalhar para seguirem recebendo apenas o auxílio emergencial.

“Se falarmos que vai ter mais três meses, mais três meses, mais três meses, aí ninguém trabalha. Ninguém sai de casa e o isolamento vai ser de oito anos, porque a vida está boa. Está tudo tranquilo. E aí vamos morrer de fome do outro lado. É o meu pavor, a prateleira vazia”, explicou Guedes.

Em contrapartida, ele se mostra a favor do benefício para trabalhadores que tiveram jornada reduzida ou contrato suspenso. “Está funcionando tão bem esse da complementação salarial que eu mesmo tenho vontade de estender. Agora, quanto fôlego financeiro a gente tem? Talvez seja melhor estender o programa de crédito”, pontuou.

Sobre o auxílio emergencial, os técnicos do Ministério da Economia veem que a extensão do auxílio emergencial pode ser um risco para o país. Segundo eles, mesmo que exista autorização para o gasto público durante a quarentena, a crise financeira pode se agravar culminando numa grande dívida para o Brasil.

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