Pesquisa na pandemia: 42% dos alunos podem abandonar o ensino privado

Mesmo que a maioria dos graduandos queiram manter os estudos, pelo menos 42% deles reconhecem o risco de abandonar o ensino privado.

Abandonar o ensino privado: enquadramento fechado em um grupo de estudantes sentados. Um deles está com uma caderneta no colo. É possível ver os alunos do quadril para baixo

A porcentagem cresceu em comparação ao mês de março, que era de 37%. - Foto: Unsplash

De acordo com estimativas divulgadas na última quarta-feira (10/06), pelo menos 42% dos estudantes de nível superior podem abandonar o ensino privado. O principal motivo reside na dificuldade em pagar as mensalidades devido à crise ocasionada pelo novo coronavírus ou porque os pais não devem conseguir arcar com as despesas.

Quase todos os estudantes matriculados no ensino superior querem manter os estudos. No entanto, alguns deles reconhecem que existem riscos de desistirem por forças maiores. Os dados foram baseados em entrevistas feitas entre os dias 28 e 31 de maio de 2020, com 644 alunos e outras 963 pessoas que querem ingressar na faculdade.

Por conseguinte, os cálculos das porcentagens dizem respeito à terceira etapa da pesquisa “Coronavírus e Educação Superior”, realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes).

Abandonar o ensino superior em razão da pandemia

Dentre os estudantes matriculados, pelo menos 52% querem manter os estudos apesar das circunstâncias. Outros 42% dos alunos reconhecem os riscos de desistência em razão de problemas financeiros. De acordo com a Agência Brasil, essa última porcentagem cresceu em comparação ao mês de março, que era de 37%.

“Esse desafio tem que ser endereçado pelas instituições”, diz o diretor presidente da Abmes, Celso Niskier, à Agência Brasil. “A gente tem recomendado [para as instituições de ensino] que sejam identificados os grupos que têm maior risco por perda de renda e emprego e que sejam oferecidas alternativas, que seja analisado caso a caso”.

Ainda com base no levantamento promovido por meio da pesquisa, 22% dos entrevistados afirmaram ter perdido os empregos em razão da crise ocasionada pelo novo coronavírus.

As novas matrículas também preocupam: o estudo expõe a queda de 22% para 14%, entre março e maio, na porcentagem dos potenciais alunos que planejam começar o curso no segundo semestre.

Ensino presencial sofreu o maior impacto no contexto de pandemia

De acordo com Celso Niskier, a pandemia desencadeou um processo que já vinha acontecendo na educação superior: o aumento de ingresso de novos estudantes na modalidade a distância. A estimativa da Abmes é de que, em 2022, o país terá mais alunos de ensino superior a distância do que de maneira presencial.

Os dados do Censo da Educação Superior de 2018, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), denotam que o setor privado é responsável por 70,2% de todas as matrículas realizadas em cursos presenciais. Na modalidade de ensino a distância, o percentual é de 91,6%.

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Bruno Destéfano
Redator
Nasceu no interior de Goiás e se mudou para a capital, Goiânia, no início de 2015. Seu objetivo era o de cursar Jornalismo na UFG. Desde o fim de sua graduação, já atuou como roteirista, gestor de mídias digitais, assessor de imprensa na Câmara Municipal de Goiânia, redator web, editor de textos e locutor de rádio. Escreveu dois livros, sendo um de ficção e outro de não-ficção. Também recebeu prêmios pela produção de um podcast sobre temas raciais e por seu livro-reportagem "Insurgência - Crônicas de Repressão". Atualmente, trabalha como redator web no site "Concursos no Brasil" e está participando de uma nova empresa no ramo de marketing digital.

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