Presidente do Banco do Brasil defende privatização da instituição

A discussão sobre a privatização do Banco do Brasil foi reascendida pelo presidente da instituição que defendeu a ação. Contudo, deputados se mostraram contra.

Privatização do Banco do Brasil: fachada de filial do banco do brasil

Um dos argumentos para venda do BB é abrir portas para melhor competitividade com outros bancos. - Foto: Wikimedia Commons

A privatização do Banco do Brasil foi sugerida pelo presidente da instituição, Rubem Novaes, em reunião no Congresso nesta segunda-feira (08/06). Conforme informações da Agência Câmara de Notícias, o evento foi montado com os parlamentares que acompanham as ações econômicas relacionadas à pandemia de COVID-19. Na ocasião, Novaes explicou que desestatizar o BB é necessário para haver maior agilidade na competição com outras instituições financeiras.

Segundo ele, "hoje, o Banco do Brasil, apesar de ser extremamente eficiente, ter um pessoal extremamente qualificado e dedicado, concorre com os outros bancos com bolas de chumbo amarradas aos pés. As decisões são todas demoradas, têm que passar por TCU, Sest, Secom, CGU”. Dessa forma, o presidente do BB acredita que a instituição fica atrasada diante das mudanças do mundo e do setor financeiro.

“As pessoas imaginam que o Banco do Brasil seria comprado por um grande banco estrangeiro, ou por um Itaú. Não é nada disso que se imagina”, afirmou. De acordo com Novaes, a privatização do Banco do Brasil aconteceria por meio da venda de ações. Atualmente, o banco tem 50% de suas ações sob domínio de empresas privadas. Ele continuou dizendo que “o governo continuará com uma participação grande. É só vender mais um pouco. Fazer do BB uma corporation”.

Financiamentos e empréstimos

Na reunião, o deputado Reginaldo Lopes discordou de Rubem Novaes. Sobre o banco, disse que “ele deveria continuar sendo do povo brasileiro. É fundamental ele continuar apoiando a agricultura. E, evidente, ele não pode ter uma lógica só de ter lucros”. Entretanto, o presidente do BB afirmou que não há chances de abandonar a agricultura, uma vez que “é um ativo importantíssimo do Banco do Brasil”.

Um dos pontos que Novaes ressaltou como desinteressante para a instituição financeira é o financiamento de pequenas empresas. Segundo ele, os bancos não se interessam pelo crédito para pequenos empresários porque “não é uma demanda saudável. É a demanda dos desesperados. Não é uma demanda para produzir, não é uma demanda para vender, não é uma demanda para investir”.

O Banco do Brasil já prorrogou empréstimos que somam cerca de R$ 25 bilhões para esses empreendedores. Mesmo diante da situação de emergência, quem não quitou dívidas há menos de cinco anos não receberia mais créditos no banco. No entanto, de acordo com Novaes, Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) deve melhorar, porque 85% do prejuízo de empréstimos não pagos será coberto pelo governo.

Apesar de a privatização do Banco do Brasil ser um desejo do presidente da instituição, não existe previsão para que isso aconteça. O próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, já afirmou que em seu governo não pretende desestatizar o BB, a Caixa Econômica nem a Petrobrás. Enquanto isso, cerca de 22 empresas públicas estão em processo para serem vendidas.

Isadora Tristão
Redatora
Nascida na cidade de Goiânia e formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, hoje, é redatora no site "Concursos no Brasil". Anteriormente, fez parte da criação de uma revista voltada para o público feminino, a Revista Trendy, onde trabalhou como repórter e gestora de mídias digitais por dois anos. Também já escreveu para os sites “Conhecimento Científico” e “KoreaIN”. Em 2018 publicou seu livro-reportagem intitulado “Césio 137: os tons de um acidente”, sobre o acidente radiológico que aconteceu na capital goiana no final da década de 1980.

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