Privatização dos Correios: projeto quer o fim do monopólio postal

Secretária ligada ao Ministério da Economia afirmou que governo quer o fim do monopólio postal e que ação é um passo para privatização dos Correios.

A privatização dos Correios vai seguindo seu curso no governo Bolsonaro. Nesta terça-feira (18/08), a secretária do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Ministério da Economia, Martha Seillier, disse que será encaminhado um projeto para que haja o fim do monopólio postal da empresa.

A informação dada pela secretária ocorreu durante uma videoconferência organizada pelo Santander. Nas palavras de Seillier, o envio do projeto seria um novo passo rumo a privatização dos Correios.

Em um dado momento, ela classificou as críticas aos projetos de desestatização de empresas feitas como "míopes" e afirmou que nas próximas semanas o Legislativo receberá a proposta do fim do monopólio dos Correios.

Entre as justificativas apontadas pelo Ministério da Economia para privatização dos Correios estão a ineficiência, interferências políticas, corrupção e perda de mercado. Ainda é apontado que os gastos com pensão de funcionários (R$ 11 bilhões) e saúde (R$ 3,9 bilhões) são prejudiciais aos cofres públicos.

Os Correios estão entre as empresas favoritas do governo para sofrerem privatização ao lado da PPSA que controla reservas do pré-sal e da Eletrobras.

Bolsonaro travou venda de outras estatais

Ao mesmo tempo, o presidente Jair Bolsonaro travou qualquer tipo de venda de quatro estatais. Segundo o jornal O Globo, a Petrobras, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não serão vendidos. Juntas, as quatro grandes empresas correspondem a 83% dos R$ 711,4 bilhões em patrimônio líquido de todas as estatais brasileiras.

Greve nos Correios

A possível privatização dos Correios não está agradando os funcionários da empresa. Para piorar, os trabalhadores estão reivindicando medidas de proteção ao novo coronavírus que, segundo eles, deveria ocorrer por causa de um acordo coletivo com duração até o fim de 2021. A quebra do acordo por parte dos Correios fez com que, na última segunda-feira (17/08), ao menos 100 mil funcionários da empresa aderissem à uma greve.

No começo de agosto, o presidente dos Correios, Floriano Peixoto, afirmou que a categoria precisava passar por mudanças com o objetivo de se fazer cortes nos gastos da empresa por causa da pandemia. Além disso, ele chegou a dizer que os direitos seriam na verdade benefícios que não fazem parte da CLT.

De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect), a quebra do acordo seria uma espécie de “negligência com a saúde dos trabalhadores".

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