Quais os profissionais que cuidam menos da saúde?

Estudo fornece indicadores sobre quais trabalhadores mais descuidam da saúde. Sedentarismo, colesterol e estresse estão entre os grandes vilões.

Um estudo realizado pela seguradora SulAmérica, chamado "Saúde Ativa", se propõe a mostrar um retrato realístico sobre a relação entre os Ramos de Atividade Econômica e as condicionantes de saúde/doença da população pesquisada. Com tal pesquisa, a empresa, que conta com um total de 2,6 milhões de clientes de planos de saúde e odontológicos, objetivou estimular hábitos de vida mais saudáveis e, consequentemente, prevenir doenças e suas complicações.

A amostragem se constituiu de 41.366 pessoas (70% com idade inferior a 40 anos), de 240 empresas, em 10 capitais brasileiras, no período entre 2010-2012. Os dez ramos que contiveram um corpus significativo de dados foram: Indústria da Transformação, Atividades Financeiras, Informação e Comunicação, Comércio, Transporte, Saúde, Outros Serviços, Atividades Administrativas, Atividades Profissionais e Construção.

A pesquisa, no fundo, revela o que já fazia parte de uma certa "ciência do senso comum" que afirma que muitos profissionais de saúde realmente descuidam de um fator fundamental para os seus desempenhos: a própria saúde.

Confira alguns dos resultados encontrados.

O ramo da Indústria da Transformação não listou como de “pior índice”, embora há cerca de 20 anos esse ramo tenha se destacado pelos elevados índices de acidentes. Certamente, essa melhora na qualidade é fruto de ações como a conscientização dos funcionários e as campanhas internas de incentivo.

Com 8 "piores índices” na pesquisa, o ramo de Transporte, com destaque para o fato de que as complicações de saúde desses trabalhadores envolvam itens como Colesterol Total (15%), fruto das condições de trabalho de motoristas, que passam longos períodos longe da família e em solidão, dormindo poucas horas por dia quando em viagem, aliado a outros fatores.

Na área da Saúde, algumas constatações chegam a ser paradoxais, para não dizer preocupantes. Tais profissionais pecam no que diz respeito ao próprio comportamento em relação aos cuidados preventivos, uma vez que lidam diariamente - por força da profissão - com a manutenção de hábitos saudáveis. O estudo, no entanto, revela que, "em comparação

aos demais Ramos de Atividade Econômica, o grupo apresentou os piores resultados para as variáveis Prevenção Inadequada de Cânceres Ginecológico e de Mama. A inferência mais imediata é que se trata de uma categoria de profissionais com vocação para cuidar dos outros mas que negligenciam a si próprios".

O quesito Sedentarismo foi detectado em todos os grupos pesquisados (índices entre 54,6% a 69,5%), principalmente nos setores de Transporte e Outros Serviços: "Mais de 50% das pessoas pesquisadas informam praticar exercícios físicos eventualmente ou não praticar, muito acima do 1/3 estimado para a população mundial. Isto é, o nível de sedentarismo da população pesquisada é, pelo menos, vinte pontos percentuais superior ao dado mundial. Com isso, inevitavelmente, foram encontrados altos índices de sobrepeso e obesidade ("entre 50,3% e 63,7%, resultado acima do estimado pelo Ministério da Saúde, que é de 51%, segundo dados de 2012").

Tabagismo: Os dados da empresa de seguros apontam, contudo, que, "em relação ao fator de risco Tabagismo, observa-se o fenômeno contrário (com reduzidos índices)", algo que pode ser explicado pela própria "organização do 'mundo do trabalho'. "Devido à legislação vigente ficou mais difícil fumar, inclusive nas empresas. O que antes era possível em uma sacada ou até mesmo em corredores, passou a ser permitido apenas em locais reservados, geralmente fora dos ambientes de trabalho. Além disso, as empresas, em linha com a readequação cultural em curso, têm implementado cada vez mais frequentemente programas antitabagismo, com excelentes resultados".

Por fim, lembremos que o fator Estresse foi encontrado em seus menores índices também na Indústria da Transformação e Transporte (entre 27,9% e 29,5%, respectivamente). Em contrapartida, há trabalhadores mais estressados nos ramos de Atividades Profissionais e Serviços Administrativos (índices entre 45,8% e 47,6%, respectivamente).

Outro dado que foge do senso comum foi que o fator de risco Estresse não prevaleceu no grupo de pessoas que trabalham na área financeira, marcada pela "busca incessante por eficiência, maximização de lucros e constantes ameaças devido à volatilidade dos mercados". O Estudo é mais abrangente nesse sentido, ao indicar que "o Estresse passou a ser uma característica marcante em todas as atividades pesquisadas, resultado de cobranças crescentes, prazos decrescentes e quadros de pessoal cada vez mais enxutos".

Veja o estudo completo, com outros indicadores, no link: http://sulamerica.comunique-se.com.br/sulamerica/Show.aspx?IdMateria=XjFSlQQd/rq8R5zDyIXl0A==

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