30% dos servidores federais deixam o cargo depois de um ano

"A rotatividade nos cargos de confiança é um dos principais obstáculos”, informou um dos autores do estudo. Saiba mais detalhes em nossa matéria!

30% dos servidores federais deixam o cargo depois de um ano: placa que fica na entrada da Receita Federal

Os pesquisadores avaliaram casos de servidores que foram nomeados em cargos de direção e assessoramento superior. - Foto: Pillar Pedreira/Agência Senado

Conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pelo menos 30% dos servidores federais deixaram o cargo após um ano e apenas 25% continuaram durante um mandato presidencial completo.

O estudo, que foi divulgado na última segunda-feira (05/10), avaliou quase 128 mil casos de funcionários públicos que foram nomeados em cargos de direção e assessoramento superior na administração federal brasileira.

"A rotatividade nos cargos de confiança é um dos principais obstáculos para o Estado ampliar suas capacidades e tornar mais eficiente o ciclo de planejamento das políticas públicas", informou o sociólogo Felix Lopez, um dos autores do estudo.

De acordo com o Ipea, as alternâncias recorrentes nas funções de livre nomeação ocasionam em desperdício e descontinuidade dos serviços.

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Levantamento sobre os cargos de direção e assessoramento superior

No estudo do Ipea, foram avaliadas as situações de servidores que passaram por cargos de direção e assessoramento superior entre os anos de 1999 e 2017. A duração média nessas funções foi de 25 meses, mas a continuidade dentro do alto escalão era inferior (23 meses).

Em termos gerais, os nomeados vindos do setor público ficaram por mais tempo nos cargos (26 meses), levando com consideração aqueles que estavam em empresas privadas (21 meses). E quanto à questão de gênero? As mulheres foram exoneradas mais rápido.

“Formular e implementar políticas, principalmente as complexas, é custoso e moroso. Abandoná-las a meio caminho, que é uma das implicações frequentes do carrossel burocrático, desperdiça toda sorte de recursos", destacou Lopez.

Desafios para aumentar a permanência nos cargos federais

De acordo com a análise dos pesquisadores, a permanência nos cargos da administração federal é influenciada por diversos fatores, como:

  • Tempo de permanência dos ministros;
  • Filiação a um partido político;
  • Local de atuação no cargo;
  • Pertencimento em carreiras do setor público.

A pesquisa do Ipea destacou que, para aumentar a qualidade das políticas públicas, é necessário ampliar a estabilidade dos quadros de livre nomeação e profissionalizá-los.

"Governos não conseguem desempenhar bem suas políticas, quaisquer que sejam suas orientações ideológicas, sem um horizonte temporal razoável para a burocracia decisória discutir, desenhar e implementar as políticas", explicou Lopez.

Bruno Destéfano
Redator
Nasceu no interior de Goiás e se mudou para a capital, Goiânia, no início de 2015. Seu objetivo era o de cursar Jornalismo na UFG. Desde o fim de sua graduação, já atuou como roteirista, gestor de mídias digitais, assessor de imprensa na Câmara Municipal de Goiânia, redator web, editor de textos e locutor de rádio. Escreveu dois livros, sendo um de ficção e outro de não-ficção. Também recebeu prêmios pela produção de um podcast sobre temas raciais e por seu livro-reportagem "Insurgência - Crônicas de Repressão". Atualmente, trabalha como redator web no site "Concursos no Brasil" e está participando de uma nova empresa no ramo de marketing digital.

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