Servidores públicos estão entre as carreiras com maior renda

De acordo com levantamento da Receita Federal, carreiras no funcionalismo público estão entre as profissões com maior renda anual e mensal no país. Saiba mais.

Em recente levantamento realizado pela Receita Federal, foi descoberto que servidores públicos estão entre as profissões com maior renda no Brasil. Os dados são do relatório de “Grandes Números das Declarações do Imposto de Renda das Pessoas Físicas” de 2019, relativo aos rendimentos e ganhos de 2018.

Os números foram calculados a partir da média entre as rendas declaradas para cada uma das 135 opões de ocupação. Ou seja, somou-se todos os valores declarados no IR de determinada profissão e dividiu entre o número de profissionais declarantes. De acordo com o levantamento, a média geral do país para rendimento anual foi de R$ 102,3 mil, que é igual a R$ 8.528 mensais.

Entre as 135 atividades cadastradas, 76 tiveram rendimento médio abaixo do valor nacional, enquanto 59 mostraram rendimento superior. Vale ressaltar que cada contribuinte do Imposto de Renda define qual é sua ocupação principal, porém mais de um terço das pessoas não identificaram nenhuma profissão.

Lista das 20 profissões com maior renda

Das 20 profissões com maior renda mensal no Brasil, metade são de servidores públicos. Entre as 10 primeiras, existem seis que são relacionadas aos cargos mais altos do funcionalismo. Já no setor privado, médicos, atletas, pilotos de aeronaves e embarcações, atores e agentes do mercado financeiro têm as médias mais altas. Veja:

  • Titular de Cartório: R$ 103.141,14;
  • Membro do Ministério Público: R$ 53.493,48;
  • Membro do Poder Judiciário e Tribunal de Contas: R$ 51.773,10;
  • Diplomatase afins: R$ 39.571,66;
  • Advogadosdo setor público econsultor jurídico: R$ 30.884,91;
  • Médico: R$ 30.525,78;
  • Servidores das carreiras do Banco Central, CVM e Susep: R$ 28.936,15;
  • Servidores das carreiras auditoria fiscal e fiscalização: R$ 27.845,86;
  • Atleta, desportistas e afins: R$ 25.979,99;
  • Piloto de aeronaves e comandante de embarcações: R$ 25.100,13;
  • Dirigente ou administrador de partido político ou organização: R$ 21.437,94;
  • Ator, diretor de espetáculos: 21.094,33;
  • Agente de bolsa de valores, câmbio e serviços financeiros: R$ 17.725,62;
  • Decorador e vitrinista: R$ 17.312,74;
  • Engenheiro, arquiteto e afins: R$ 16.580,45;
  • Servidor das carreiras do Poder Judiciário: R$ 16.487,67;
  • Servidor das carreiras do Poder Legislativo: R$ 16.282,46;
  • Servidor das carreiras de gestão governamental: R$ 16.204,95;
  • Agrônomo  e afins: R$ 15.912,73;
  • Professor do ensino superior: 15.643,71.

É preciso lembrar que esses números são apenas dos declarantes do IR como pessoa física, que constituem cerca 15% da população brasileira. Portanto, os dados não podem ser considerados absolutos, mas sim uma amostra. Isso significa que nem todo profissional dessas ocupações recebe remuneração exatamente igual às da lista.

"Médias, em distribuição de renda, são extremamente afetadas pelo que acontece no topo, nos 10% de qualquer distribuição, ou mesmo no 1%", afirma Marcelo Medeiros, especialista em desigualdade.

Outro ponto a ser notado com cautela é a primeira posição da lisa: os donos de cartório. A média de rendimento desse grupo é bastante alta, porque a profissão é afetada por peculiaridades das regras contábeis e fiscais.

De acordo com Medeiros, "a renda bruta deles é alta, mas há uma razão para isso. Cartórios não são empresas, o dono tem que contabilizar todo o faturamento e todas as despesas do cartório em seu nome. O que aparece como renda bruta alta na verdade são muitos custos. É como se você registrasse o faturamento total da empresa como lucro do empresário".

Recentemente o ministro da Economia, Paulo Guedes, propôs a redução do imposto de renda pago por empresas e criar uma nova tarifa sobre compras virtuais (nova CPMF). As propostas de reformas trabalhista e tributária estão em discussão no Congresso. 

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