O jogo dos sete erros dos concurseiros

Quais as desculpas que você utiliza para se dedicar aos estudos apenas nos momentos finais de um certame?

Por que você deixou para estudar na última hora? Certamente nove em cada dez ingressantes na seara dos concursos públicos terão uma resposta ensaiada na ponta da língua para dar, quer a consideremos justa ou não. Todos já sabemos que os benefícios de se sacrificar com antecedência suplantam a maioria das dificuldades futuras, mas parece que muitos concurseiros ainda consideram difícil encarar esse jogo como se fosse um treino exaustivo. Muitos ainda confiam em um possível potencial próprio que virá à tona na "hora H" e acabam relaxando na trajetória, embora exista toda uma gama de estímulos que os impulsionem a não agir assim.

Pensando em responder à pergunta inicial, resolvemos listar didaticamente pelo menos sete erros que cometemos em uma preparação, com objetivo de levar o concurseiro a refletir um pouco sobre a necessidade cada vez mais urgente de se antecipar aos acontecimentos. Assim sendo, consideramos que muitos deixam para estudar nos últimos momentos de um processo seletivo por conta de fatores como:

1.    A mania do brasileiro de deixar tudo para a última hora.

Por mais irônico que possa parecer, é fato que os discursos conduzem sobremaneira as nossas condutas. Não precisaríamos imergir muito profundamente nas teorias da Análise do Discurso para entendermos isso. A veiculação do discurso de que o brasileiro deixa tudo para fazer quando quase não sobra mais tempo é tão arraigada em nossa sociedade quanto a ideia de que "todo baiano é preguiçoso", a de que "o Brasil é um país que já nasceu na corrupção" (então, se for assim, qualquer pode se corromper à vontade, só porque é brasileiro?), ou mesmo a de que "o Brasil é o país do futuro" (então, a gente pode ficar sossegado, acomodado, porque o nosso dia vai chegar?).

Não deixemos que determinadas práticas sociais nossas sejam contaminadas por essas construções discursivas supostamente estabelecidas e que por vezes buscam assumir a forma de uma verdade até absoluta. Não são. Com os estudos para concursos vale a mesma orientação: não sejamos tão imprudentes ao ponto de esperar o edital ser publicado para tomarmos a decisão final de estudar, a não ser que nossa intenção seja somente a de se aventurar na empreitada, sem compromisso.

2.    A falta de informação (ou o desinteresse por ela).

Se estivéssemos vivendo no Brasil - aliás, no mundo - de 10 ou 15 anos atrás isso poderia até ser aceitável, em parte, porque até hoje é muito difícil encontrar alguém que goste de passear por bibliotecas, ler diários oficiais ou acompanhar a imprensa especializada em concursos públicos. Mas hoje, em plena era da comunicação instantânea, é indesculpável alguém utilizar do argumento de que não estudou antes para o certame dos seus sonhos porque não estava sabendo. Será que nem um rumor de que o edital desse concurso conseguiu chegar aos seus ouvidos bem antes?

Com a disseminação livre das informações desse setor, cada vez mais temos condições de nos programar com considerável antecedência para a seleções. Então, basta um clique para termos acesso a fartos materiais na internet. Por isso é que podemos concluir que o problema pode não ser mais o de falta de informação, mas sim de desinteresse por ela. Não devia ser assim.

3.    O comodismo

Aqui se encaixa uma categoria de gente que não serve para participar de seleções. Lembremos que "concurseiro" não é uma profissão, mas um estado transitório da vida (inclusive decisivo para muita gente) e, assim sendo, não há lugar para os sem-iniciativa...

4.    Dificuldade em abandonar o método aleatório de estudo

Existem pessoas que não conseguem se concentrar nos estudos para uma disciplina, pelos motivos mais variados possíveis. Outras, até estudam, mas de forma aleatória, ao longo do ano: ou pegam o livro para estudar, mas não resolvem provas anteriores, ou anotam o conteúdo de editais antigos mas passam um bom tempo apenas resolvendo questões.

Não basta ter acesso aos editais, às provas, aos simulados, não basta ter ciência prévia de que o certame vai cobrar, se você não se disciplina minimamente para aproveitar os recursos que estão à sua volta. Ninguém é tão autossuficiente assim em uma matéria ao ponto de descartá-la do seu cronograma de estudos. Se o edital informa que ela será cobrada, é preciso levar isso em consideração e não confiar somente nos seus "conhecimentos prévios"

5.    O trabalho

Sem dúvida, a desculpa de muitos é o trabalho e, consequentemente, a falta de tempo. Mas mesmo assim, trata-se de uma desculpa relativamente perigosa: afinal, se o trabalho tem tomado tanto o seu tempo, chegando a não lhe sobrar sequer uma hora livre por dia ao longo de todo um ano, dentre as 16 horas úteis do seu dia, então pode ser o momento de tomar uma atitude radical. Ou você busca conciliação ou esquece os concursos públicos. E veja que mencionamos somente 16 horas por dia, e não as 24, porque já demos o desconto das 08 horas diárias de descanso - teoricamente falando...

6.    O descrédito

Esse descrédito pode ser visível, por exemplo, na opinião velada ou revelada de muitos acerca de concursos destinados a formar cadastro de reserva, tais como o da Caixa e o do Banco do Brasil, para citarmos dois casos recentes. Pairam em muitas cabeças pensantes a ideia de que tais certames são "máquinas de fazer dinheiro", beneficiando ao final apenas as organizadoras, as editoras, os cursinhos preparatórios, enfim, as estruturas que, direta ou indiretamente, têm participação nesses processos. Se for este o motivo que tem lhe feito adiar os estudos até o último momento, reveja seus conceitos e analise a história de cada um dos certames tidos como "suspeitos".

7.    A falta de visão em médio ou longo prazo

Por fim, separamos este fator apenas para lembrar que a preparação para concursos exige de cada um de nós um planejamento que vislumbre uma recompensa muitas vezes maior do que a que poderia ser atingida daqui a apenas dois ou três meses (considerando este o período médio que os retardatários costumam aproveitar para suas preparações). Sem essa perspectiva, correremos sempre o risco de nunca satisfazer parte significativa de nossos anseios profissionais.

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