Os dois tipos de fé do concurseiro

Passar em concursos se torna uma tarefa muito mais difícil quando o concurseiro não põe em prática a sua fé.

Neste breve artigo, quero comentar a seguinte mensagem que recebi de um leitor (vou usar a palavra "leitor" de maneira genérica, sem alusão ao gênero):

Me chamo XX*. Estou inscrito no concurso do Ibama, embora nunca tenha levado muita fé em concursos. Mas agora vou passar pela fé pois não estou estudando. Sei que há um universo de informações para participar de um concurso desse porte. E vc, o que acha?

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Considerando o teor deste relato, lido "ao pé da letra", de antemão fiquei intrigado. Acredito honestamente que esse concurseiro precisa atentar para o que acontece no seu entorno e realizar uma profunda mudança de mentalidade.

Para começar, ele diz: "nunca levei muita fé em concurso, mas agora vou passar pela fé pois não estou estudando", o que por si só já é uma afirmação muito preocupante. Depois ele informa que está decidido a participar de um concurso - e para o IBAMA! - o que torna a situação ainda mais preocupante.

Trata-se de um concurso extremamente disputado, com provas relativamente complexas e uma organizadora conhecidamente rigorosa. Mas o pior é que, talvez um pouco ciente disso tudo, o leitor ainda me diz: "não estou estudando".  E como o próprio leitor já disse ( eu concordo), "há um universo de informações para participar de um concurso desse porte", como também é preciso há "universos de informações" para se participar de quaisquer outras empreitadas.

Isso é lamentável, pois penso que para participar de um concurso como esse do IBAMA, ou de de tantos outros, é extremamente necessário ter alguma bagagem de estudos, seja ela até mínima, a fim de que se consiga enfrentar a concorrência de uma maneira menos constrangedora. Sem estudar, caro leitor, afirmo que esse processo todo que envolve a aprovação ficará emperrado na sua vida.

Ademais, esse negócio de participar de concursos sem estudar envolve questões bastante pontuais, sobre as quais até já me ative, em um artigo recente, intitulado Devo fazer um concurso sem estudar? 

O outro ponto que destaco em sua mensagem é o que trata da fé. Olha, isso de você "passar pela fé" eu não seria insensato de dizer que está errado. Fé é um aspecto essencial nos nossos dias e todos nós sabemos que o concurseiro precisa ter pelo menos dois tipos de fé, a saber:

1º - Uma fé que está mais ligada à sua própria espiritualidade, enquanto ser humano dotado de crenças (ter fé e acreditar em Deus, por exemplo);

2º - Uma fé no seu próprio potencial. Mas lembro que não podemos confundir esse tipo de fé com egocentrismo, autossuficiência, arrogância, prepotência, ou sentimentos similares.

Pois bem. Sobre este último tipo de fé, acredito que somente faz sentido afirmarmos que "temos fé em nós mesmos", quando  fazemos algo que necessariamente nos garanta certa segurança para cultivarmos essa fé.

Dito de outra forma, penso o seguinte: para que eu possa ter fé em meu potencial, ao ponto de planejar participar de concursos importantes, eu precisarei ter pelo menos o mínimo que seja de disciplina nos estudos. Ou seja, dá para afirmar, portanto, que tanto a preparação produz a fé, quanto esta produz aquela. O que se torna engraçado e até motivador é que isso também pode ser aplicado à questão da fé/espiritualidade.

Não estou dizendo que na vida não existam acontecimentos inesperados, como uma aprovação vinda do nada, ou mesmo um milagre (eu acredito no sobrenatural!). O que estou tentando dizer é que o ideal numa conduta competitiva seja o não ficar esperando uma aprovação "cair do céu", pois ela pode demorar muito mais do que possamos imaginar, ou esperar. Ou então, essa "aprovação sem preço" poderá demandar uma fé muito mais profunda do que aquela que costumeiramente a gente tenta ter, ou pelo menos diz que tem.

Então, caro concurseiro, dizer que "vai passar pela fé", mas que "nunca levou fé em concurso" é algo tão paradoxal (para não dizer contraditório) que até os mais sonhadores hão de concordar que é preciso que você reveja urgentemente os seus conceitos.

Um abraço, e sucesso para você!

Pergunte, comente, discuta, opine, fique à vontade para concordar ou discordar.

alberto@concursosnobrasil.com.br

* O nome do nosso leitor foi preservado e a pergunta foi levemente editada, para tentar dar mais clareza ao enunciado.

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